O histórico recente demonstra que práticas ilícitas como boca de urna e compra de votos continuam recorrentes nos processos eleitorais brasileiros.
A Polícia Federal intensifica os preparativos para as próximas eleições com foco na prevenção e repressão de crimes eleitorais. Atuando como órgão de polícia judiciária eleitoral, a instituição trabalha em apoio à Justiça Eleitoral para garantir a lisura do processo e a liberdade do voto. Segundo a delegada Maria Lúcia Wunderlich dos Santos, superintendente regional substituta da Polícia Federal no Amazonas, práticas como compra de votos e boca de urna continuam entre as principais preocupações das autoridades. Para combater essas irregularidades, a PF investe no fortalecimento das investigações, no uso de ferramentas de inteligência e na integração de informações com órgãos de controle e fiscalização.
Confira a entrevista:
EM PAUTA: Qual será o papel da Polícia Federal na garantia da segurança e da regularidade das eleições de 2026 no Amazonas?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A Polícia Federal atua como órgão de polícia judiciária eleitoral, prestando suporte à Justiça Eleitoral na prevenção e repressão de crimes eleitorais. Sua atuação envolve fiscalização preventiva, apuração de ilícitos e execução de operações para garantir a lisura do pleito e a liberdade do voto. Além disso, a PF atua de forma integrada com outros órgãos para assegurar a regularidade de todas as fases do processo eleitoral.
EM PAUTA: Quais são os principais crimes eleitorais registrados?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: Os principais crimes eleitorais incluem: compra de votos (corrupção eleitoral); boca de urna; transporte irregular de eleitores; entre outros. O histórico recente mostra que essas práticas continuam recorrentes, com destaque para boca de urna e compra de votos.
EM PAUTA: Como a PF está se preparando para combater compra de votos e uso irregular de recursos?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A preparação ocorre de forma antecipada e contínua, com foco no fortalecimento das capacidades investigativas, no aprimoramento de ferramentas de inteligência e na integração de informações relevantes, em cooperação com os órgãos de controle e fiscalização.
EM PAUTA: Como a PF atua em crimes eleitorais na internet?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A Polícia Federal dispõe de unidades especializadas que atuam no enfrentamento de ilícitos praticados no ambiente digital, incluindo aqueles relacionados ao processo eleitoral.
EM PAUTA: Como a PF supera os desafios logísticos do Amazonas?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A atuação é planejada considerando as peculiaridades regionais, com a participação das delegacias descentralizadas e o deslocamento antecipado de equipes para áreas que demandem maior atenção. Soma-se a isso a cooperação com outros órgãos de segurança pública, que contribuem com sua maior capilaridade operacional, reforçando a presença institucional e a efetividade das ações.
EM PAUTA: Há planejamento para municípios mais sensíveis?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: Sim. O planejamento prevê direcionamento de recursos humanos e logísticos conforme análise de risco, histórico de ocorrências e relevância estratégica das localidades.
EM PAUTA: Quais tecnologias e ferramentas são utilizadas?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A Polícia Federal utiliza recursos de inteligência, análise de dados e ferramentas tecnológicas que permitem identificar padrões, subsidiar investigações e apoiar a tomada de decisão.
EM PAUTA: Como funciona a integração com outros órgãos?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A atuação da Polícia Federal é pautada pela cooperação institucional, com integração permanente com a Justiça Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral e os demais órgãos de segurança e fiscalização. Essa articulação permite a atuação coordenada, fortalecendo a efetividade das ações.
EM PAUTA: Qual a importância da participação da população?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A participação da população é fundamental para identificar irregularidades. A Polícia Federal incentiva denúncias por canais oficiais e pode disponibilizar meios diretos de comunicação com o cidadão, facilitando o envio de informações sobre crimes eleitorais.
EM PAUTA: Que orientação é deixada para candidatos, partidos e eleitores?
MARIA LÚCIA WUNDERLICH DOS SANTOS: A integridade das eleições depende do compromisso de todos com o respeito à legislação eleitoral e aos princípios que regem o Estado Democrático de Direito, assegurando um processo justo, transparente e legítimo.
Biografia da entrevistada
Maria Lúcia Wunderlich dos Santos
Superintendente Regional Substituta da Polícia Federal no Amazonas

Com trajetória marcada pelo compromisso com o serviço público, a legalidade e o fortalecimento das instituições, Maria Lúcia Wunderlich dos Santos construiu sólida carreira pautada pela excelência técnica e pela experiência em funções estratégicas na segurança pública.
É bacharela em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e pós-graduada em Gestão em Segurança Pública pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC-RS).
Quanto à sua trajetória profissional, ingressou no serviço público em 1999 como Analista Judiciária da Justiça Federal da 4ª Região (TRF4). Em 2003, tomou posse no cargo de Delegada de Polícia Federal, iniciando sua trajetória na instituição na Delegacia de Polícia Federal em Foz do Iguaçu, onde teve seu primeiro contato com atividades operacionais e investigativas de grande relevância nacional.
Ao longo de sua carreira na Polícia Federal, exerceu funções de liderança e destaque no estado do Rio Grande do Sul, tendo chefiado a Delegacia de Combate a Crimes Fazendários (DELEFAZ) e a Delegacia de Polícia de Migração (DELEMIG), ambas vinculadas à Superintendência Regional da Polícia Federal naquele estado. Nessas funções, contribuiu significativamente para o enfrentamento de crimes complexos e para o aprimoramento dos serviços de controle migratório.
Entre 2019 e 2025, exerceu o cargo de Corregedora Regional da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, período em que se destacou pela atuação firme na promoção da disciplina, da ética e da integridade institucional, fortalecendo os mecanismos de controle interno e a transparência administrativa.
Atualmente, ocupa os cargos de Delegada Regional Executiva e Superintendente Regional Substituta na Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas (SR/PF/AM), onde atua diretamente no apoio à gestão estratégica e na coordenação de ações voltadas à segurança pública na região.
Sua trajetória reflete experiência consolidada, liderança e dedicação contínua ao aprimoramento da atuação da Polícia Federal, sempre orientada pelos princípios da legalidade, da eficiência e do compromisso com a sociedade brasileira.
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