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Porto seco aposta em previsibilidade, tecnologia e estoque estratégico para atender indústria de Manaus

Aurora Eadi amplia investimentos em tecnologia, segurança e infraestrutura e defende uso de zonas secundárias para reduzir custos e dar mais flexibilidade às empresas
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Foto: Alessandra Aline Martins de Souza

A busca por maior previsibilidade nos custos logísticos, segurança no armazenamento de cargas e alternativas para reduzir os impactos de eventuais atrasos no transporte tem levado empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) a ampliar o uso de zonas secundárias. Na avaliação da diretora da Aurora Eadi, Paola Di Gregório, os portos secos exercem papel complementar às zonas primárias e podem oferecer mais tempo para que as indústrias definam o destino de suas mercadorias.

Segundo Paola, enquanto a zona primária tem como principal finalidade receber e liberar rapidamente as cargas, a zona secundária permite que os produtos permaneçam armazenados por mais tempo, com tarifas previamente negociadas e maior previsibilidade para o importador.

“O porto seco são as zonas secundárias que servem para dar apoio às zonas primárias. Porque a zona primária, apesar de algumas oferecerem a eSOF (Trata-se do registro digital do histórico cronológico de todas as operações realizadas durante a escala de um navio no porto), essa parte do entreposto, não é a função deles. O objetivo da zona primária não é armazenar a carga”, explicou.

A executiva afirma que a diferença também aparece na política de cobrança pelo armazenamento. Nas zonas primárias, segundo ela, as tarifas aumentam conforme o tempo de permanência da carga, enquanto no porto seco a proposta é oferecer uma cobrança estável durante o período contratado.

“Por isso que as tarifas lá vão dobrando conforme os períodos, porque o objetivo é a carga chegar e passar. Então, eles vão dobrando o valor conforme a semana vai passando, porque o objetivo é que o cliente tire o mais rápido possível na zona primária. Já nós, na zona secundária, não, é o oposto”, disse.

Tempo para decidir reduz pressão sobre empresas

A possibilidade de manter a carga armazenada por mais tempo é apontada pela Aurora como uma alternativa para situações em que a liberação aduaneira sofre atrasos. Um dos exemplos citados é quando uma mercadoria é direcionada ao chamado canal vermelho, procedimento que pode exigir análise documental ou física pela Receita Federal.

“Por isso, a gente quer atender o cliente com calma, para ele pensar e entender qual é a melhor solução, sem aquela tarifa ir duplicando, triplicando, quadruplicando. Às vezes cai um canal vermelho, quando a Receita Federal pede alguma exigência de documento, e a carga pode chegar a ficar 30 dias parada”, afirmou Paola.

De acordo com ela, nesses casos, o aumento das tarifas de armazenagem pode representar um custo significativo para a indústria, principalmente quando a permanência da carga não depende diretamente do importador.

“O cliente fica naquele desespero, porque às vezes não depende dele, e aquelas taxas sendo cobradas duas, três, quatro vezes mais acabam, às vezes, saindo mais caras do que o próprio produto”, disse.

Além da armazenagem, a empresa trabalha com operações dedicadas e preparação de cargas de acordo com a necessidade de cada indústria. A estratégia permite que o estoque permaneça fora da fábrica e seja encaminhado gradualmente para a linha de produção.

“Aqui a gente tem expertise em fazer o ways off (pesagem e liberação de peso). Aqui a gente respira isso. Fazemos operação dedicada para o cliente e podemos entregar conforme a necessidade da linha de produção dele”, afirmou.

Segundo Paola, o modelo também permite que as empresas liberem espaço dentro das próprias instalações para atividades produtivas.

“O cliente deixa o estoque aqui e a gente entrega conforme a necessidade. Assim, ele não ocupa um espaço grande dentro do armazém dele e pode deixar essa área disponível para a linha de produção”, explicou.

Estoque estratégico durante a seca

A possibilidade de antecipar a chegada de mercadorias também é apontada como estratégia para reduzir os impactos provocados pelo período de seca dos rios amazônicos, que pode comprometer a logística de transporte de cargas.

De acordo com a diretora, a tarifa negociada previamente permite que as empresas mantenham estoques maiores no porto seco sem o risco de uma elevação progressiva do custo de armazenagem.

“Nessa época de seca, que a gente já não sabe como vai ser, os clientes têm utilizado muito o Aurora Eadi, porque a tarifa é uma tarifa flat, negociada previamente, que não vai duplicar. O cliente consegue trazer um estoque maior e deixar aqui e vai usando ao longo do semestre”, afirmou.

A estratégia, segundo ela, pode ajudar a evitar paralisações nas linhas de produção, consideradas de alto custo para as indústrias.

“Uma parada de linha de produção tem um valor absurdo. Às vezes vai ter uma seca, vai atrasar um pouco o navio, e o cliente pode ter esse estoque próximo para evitar a preocupação de quando a carga vai chegar ou a necessidade de trazer um aéreo às pressas, que pode sair muito mais caro”, disse.

Paola também citou os investimentos e preparativos do setor logístico para enfrentar os períodos de estiagem. Segundo ela, empresas do segmento estão ampliando alternativas para manter o abastecimento da indústria.

“Temos o Porto Verde, que é uma nova empresa que estamos lançando. Está todo mundo preparado para atender os clientes. A gente não vai deixar de atender; pelo contrário, acho que aprendemos muito ao longo dos anos”, afirmou.

Regime permite maior flexibilidade

Outro argumento apresentado pela Aurora é a possibilidade de utilização de regimes aduaneiros (conjunto de leis e regras que controlam a entrada, a saída, a circulação e o armazenamento de mercadorias entre um país e o exterior) que permitem ao importador definir diferentes destinos para a mesma mercadoria e nacionalizar os produtos de forma escalonada.

Segundo a diretora, a possibilidade de nacionalizar parte da carga conforme a necessidade da empresa permite distribuir os custos tributários ao longo do tempo.

“Na zona primária, ele paga o imposto de uma vez e libera tudo de uma vez. Aqui, ele consegue nacionalizar uma parte hoje e pagar o imposto, outra parte daqui a 15 dias e pagar o imposto. Então, ele consegue nacionalizar quando já estiver com essa mercadoria vendida”, disse.

Paola afirma ainda que o modelo pode oferecer alternativas caso a mercadoria deixe de ser utilizada na linha de produção original.

“Se, ao final de um ano, ele perceber que aquela mercadoria não será mais utilizada naquele produto, ele pode exportar para a origem sem pagar os impostos. Então, consegue melhorar o fluxo de caixa e dar diferentes destinos à mercadoria”, afirmou.

Monitoramento começa antes da carga chegar

O trabalho de acompanhamento das mercadorias começa ainda antes da chegada ao Amazonas. O supervisor de documentação da Aurora Eadi, Levi Viegás, explica que a equipe monitora as cargas desde a saída da origem e acompanha todas as etapas do processo aduaneiro.

“A gente acompanha a chegada dos navios justamente para fazer todo esse monitoramento da carga do cliente. A partir do momento em que a carga chega, já temos equipe e documentação preparada. Registramos a Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA), fazemos todo o trâmite aduaneiro, apresentamos à Receita e cuidamos da liberação”, explicou.

Segundo Levi, depois da liberação, o processo é encaminhado para a equipe operacional, responsável pela movimentação da mercadoria.

“Então, toda essa etapa é conduzida pela equipe de documentação. Toda a apresentação junto à Receita. Apresentamos toda a documentação e, com a carga liberada, entregamos o processo para a operação fazer a retirada e o carregamento”, disse.

Operação própria busca reduzir custos adicionais

A empresa também mantém estrutura própria para conduzir parte da operação logística e evitar dependência de terceiros. Segundo Levi, a estratégia permite reduzir custos e dar maior controle sobre o processo.

“É importante observar que fazemos esse adiantamento da capatazia (conjunto de atividades de movimentação, manuseio e armazenagem de mercadorias realizado nas instalações dos portos e terminais alfandegados) lá, porque capatazia não é armazenagem no aeroporto. Temos esse prazo de 24 horas e, por isso, mantemos uma operação 24 por 7, justamente para cumprir esses prazos e trazer economia para o cliente”, disse.

O gerente de operação da Aurora, Francisco Antônio, também destacou o acompanhamento das cargas desde a origem até a entrega.

“Acompanhamos a chegada das cargas antes mesmo de elas saírem da origem. Quando parte de Miami, nossa equipe já está aqui acompanhando a saída da mercadoria. Quando chega ao aeroporto, trabalhamos com uma equipe 24 horas para que o cliente não tenha custos adicionais”, explicou.

Segundo Francisco, a operação também é mantida fora do horário comercial quando há necessidade do cliente.

“Quando o cliente pede um atendimento fora do horário, estamos aqui sábado, domingo e feriado, sempre à disposição para atender no momento em que ele precisa”, afirmou.

Controle de contêineres evita custos

O monitoramento também se estende aos contêineres que chegam ao terminal. A equipe acompanha diariamente os prazos para evitar que as empresas tenham de arcar com custos adicionais decorrentes da permanência dos equipamentos.

“Quando essa carga chega aqui, temos um atendimento específico. No caso dos contêineres, existe uma tarifa de demurrage que os clientes pagam, e nossa equipe operacional monitora isso diariamente para que esse custo não seja gerado”, explicou Francisco.

Segundo ele, a equipe também entra em contato com os clientes quando uma carga permanece no terminal sem movimentação.

“Às vezes, os clientes trazem a carga para cá e, pelas próprias atividades, acabam não pedindo a desova. Nós entramos em contato para informar que a carga está aqui e perguntar se vão fazer a desova. Às vezes, eles até esqueceram que a carga veio para cá”, disse.

A medida, segundo o gerente, permite que o contêiner seja devolvido ao armador dentro do prazo, evitando custos adicionais.

“A Aurora é uma empresa que está sempre buscando parcerias com os clientes e fazendo tudo aquilo que eles esperam que a Aurora faça”, afirmou.

Investimentos chegam a R$ 200 milhões no Porto Verde

A expansão da estrutura logística também inclui investimentos em novos empreendimentos. Segundo Paola, aproximadamente R$ 200 milhões foram destinados ao Porto Verde, projeto que amplia a atuação do grupo em Itacoatiara.

“Foi aproximadamente R$ 200 milhões. A gente sempre está investindo em todas as empresas. Além das empresas novas que estamos criando, buscamos melhorias constantes em todas as empresas que temos”, afirmou.

Os investimentos também incluem tecnologia, segurança e modernização das instalações da Aurora Eadi. A empresa realizou um processo de modernização do sistema de segurança e substituição de câmeras.

“Fizemos um retrofit (processo profundo de engenharia e modernização que atualiza estruturas antigas ou obsoletas, inserindo novas tecnologias, sistemas de segurança, eficiência energética e adequação às normas atuais sem destruir a base original) de toda a parte de segurança aqui no Aurora, com mudança de câmeras. Estamos agora em fase de mudança de sistema para colocar uma plataforma que permita aos clientes acompanhar todas as mercadorias e a cadeia completa”, explicou.

Segundo Paola, a tecnologia deverá ampliar a capacidade de acompanhamento das cargas.

“A ideia é sempre estar investindo para oferecer ao cliente uma solução logística melhor”, disse.

Expansão deve gerar novos empregos

A abertura da operação em Itacoatiara também deverá demandar a formação de novas equipes. Paola afirmou que a expectativa é ampliar a geração de empregos e renda na região.

“Em Itacoatiara, vamos montar em breve toda uma equipe. Temos poucos funcionários ainda, mas estamos sempre aumentando, buscando melhorias e buscando gerar renda e empregos. Esse é o nosso principal objetivo”, afirmou.

Na Aurora, a empresa também prevê novos investimentos para acompanhar o crescimento do Polo Industrial de Manaus. Entre os projetos está a ampliação da estrutura para atender ao setor farmacêutico.

“A gente tem um projeto de construção de uma câmara fria aqui também para atender as indústrias farmacêuticas que estão aqui e as que estão vindo. Já temos hoje câmaras de 2 a 8 graus e de 15 a 25 graus, e temos um projeto para ampliação”, disse.

A empresa também planeja ampliar a área de armazenagem.

“Temos um projeto de ampliação do nosso armazém porque entendemos que Manaus vai crescer ainda mais nos próximos anos”, afirmou.

Grupo aposta no crescimento da Zona Franca

Paola também destacou a perspectiva de crescimento da atividade industrial no Amazonas e afirmou que o grupo pretende continuar investindo na região.

“O Aurora e o nosso grupo acreditam muito na região, acreditam muito na Zona Franca de Manaus e no Amazonas. A gente respira isso há quase 50 anos e acredita que vai crescer ainda mais”, afirmou.

Segundo ela, o movimento de empresas interessadas em instalar operações no estado reforça a expectativa de expansão.

“A gente viu a região crescer nos últimos 50 anos. Acho que os próximos anos são muito promissores. Tem muita indústria querendo vir para cá, nos visitando para instalar fábricas, e o nosso grupo está se preparando para isso”, disse.

Paola afirmou ainda que o grupo pretende manter investimentos em tecnologia, infraestrutura e logística para acompanhar as necessidades do setor produtivo.

 

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