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Economia

Gasolina, etanol e diesel S-10 recuam em julho; etanol registra maior queda e amplia vantagem frente à gasolina

Avanço da safra de cana, maior oferta de biocombustíveis e cenário internacional mais estável contribuíram para o movimento
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Foto: Reprodução Adobe Stock

Os preços médios da gasolina comum, do etanol comum e do diesel S-10 apresentaram queda em julho na comparação com o mês anterior, consolidando um movimento de acomodação do mercado de combustíveis observado nas últimas semanas. Entre os três produtos analisados, o etanol registrou o recuo mais expressivo, reforçando sua competitividade em relação à gasolina em parte do país. O diesel S-10 também apresentou redução, enquanto a gasolina manteve um comportamento de maior estabilidade, com pequenas oscilações regionais.

Os dados são do levantamento da ValeCard, empresa especializada em soluções de mobilidade, meios de pagamento e benefícios corporativos, realizado com base nas transações efetuadas entre 1º e 26 de julho em mais de 25 mil postos credenciados distribuídos por todo o território nacional. O estudo reflete os valores efetivamente pagos pelos motoristas, permitindo acompanhar com maior precisão o comportamento do mercado.

Na média nacional, a gasolina passou de R$ 6,851 para R$ 6,821, redução de R$ 0,030 (-0,44%). O etanol caiu de R$ 4,451 para R$ 4,365, retração de R$ 0,086 (-1,93%), enquanto o diesel S-10 recuou de R$ 7,298 para R$ 7,196, queda de R$ 0,102 (-1,40%).

 

Combustível  jun/26 jul/26 Variação mensal (R$) Variação Mensal
Gasolina  6,851 6,821 -0,030 -0,43
Etanol  4,451 4,365 -0,086 -1,93
Diesel S-10  7,298 7,196 -0,102 -1,39

 

“Julho consolidou um movimento de acomodação dos preços observado desde o início do inverno, impulsionado principalmente pelo aumento da oferta de combustíveis e por um cenário internacional menos pressionado do que o registrado nas semanas anteriores. Embora persistam fatores de risco, como oscilações do petróleo e do câmbio, o mercado encontrou um equilíbrio maior, refletindo nos preços pagos pelos consumidores e pelas empresas que dependem de frotas para suas operações”, afirma Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard.

Para acompanhar a variação dos preços dos combustíveis com atualizações diárias, acesse o link: https://www.valecard.com.br/acompanhamento-abastecimento/

 

Gasolina

Queda é moderada e atinge a maior parte do país

A gasolina apresentou redução média de 0,44% em julho, comportamento que reforça um cenário de estabilidade após os movimentos mais intensos observados no primeiro semestre. Embora a retração tenha sido discreta na média nacional, a maior parte dos estados registrou redução nos preços, indicando um mercado menos pressionado pelos custos de distribuição e pelas oscilações internacionais.

O Distrito Federal registrou a maior queda percentual do país, com redução de 3,69%, passando de R$ 6,688 para R$ 6,441, enquanto a Bahia apresentou retração de 1,46%, seguida por Sergipe (-1,22%), Goiás (-1,15%) e Santa Catarina (-1,00%).

Apesar da predominância de quedas, alguns estados caminharam na direção oposta. O Amazonas registrou a maior alta nacional, de 3,71%, passando de R$ 7,016 para R$ 7,276, seguido pelo Maranhão (+1,67%), Piauí (+0,92%), Rio Grande do Norte (+0,81%) e Mato Grosso (+0,57%).

Regionalmente, o Sul e o Sudeste mantiveram os menores preços médios do país, reflexo da maior concorrência entre distribuidoras, da proximidade dos principais polos de refino e da logística mais eficiente. O Rio Grande do Sul voltou a registrar a menor média nacional, com R$ 6,420 por litro, enquanto Roraima permaneceu com o maior preço do país, atingindo R$ 8,127.

Apesar da estabilidade observada na média nacional, o comportamento da gasolina também acompanha um cenário de maior previsibilidade no mercado de combustíveis. A política comercial adotada pela Petrobras contribuiu para reduzir a volatilidade dos preços domésticos, enquanto a ampliação da participação do etanol na composição da gasolina passou a ser discutida como um mecanismo complementar para reduzir a dependência dos derivados fósseis e mitigar pressões de custo ao consumidor.

 

Estado  jun/26 jul/26 Variação (R$) Variação (%)
AC 7,678 7,714 0,036 0,47%
AL 7 P,146 7,134 -0,012 -0,17%
AM 7,016 7,276 0,260 3,71%
AP 7,515 7,514 -0,001 -0,01%
BA 7,276 7,170 -0,106 -1,46%
CE 7,226 7,181 -0,045 -0,62%
DF 6,688 6,441 -0,247 -3,69%
ES 6,87 6,862 -0,008 -0,12%
GO 6,966 6,886 -0,080 -1,15%
MA 7,001 7,118 0,117 1,67%
MG 6,676 6,646 -0,030 -0,45%
MS 6,87 6,848 -0,022 -0,32%
MT 6,979 7,019 0,040 0,57%
PA 7,35 7,293 -0,057 -0,78%
PB 6,852 6,880 0,028 0,41%
PE 7,219 7,184 -0,035 -0,48%
PI 7,246 7,313 0,067 0,92%
PR 6,768 6,730 -0,038 -0,56%
RJ 6,745 6,716 -0,029 -0,43%
RN 6,913 6,969 0,056 0,81%
RO 7,401 7,404 0,003 0,04%
RR 8,206 8,127 -0,079 -0,96%
RS 6,467 6,420 -0,047 -0,73%
SC 6,611 6,545 -0,066 -1,00%
SE 7,535 7,443 -0,092 -1,22%
SP 6,647 6,616 -0,031 -0,47%
TO 7,368 7,344 -0,024 -0,33%

 

Etanol

Biocombustível registra a maior queda do mês e amplia competitividade frente à gasolina

O etanol voltou a apresentar o melhor desempenho entre os combustíveis pesquisados, encerrando julho com redução média nacional de 1,93%, ao passar de R$ 4,451 para R$ 4,365 por litro. Foi o maior recuo entre os três combustíveis analisados, movimento impulsionado pelo avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, aumento da produção nas usinas e maior disponibilidade do biocombustível no mercado.

O maior recuo percentual foi registrado em Roraima, onde o combustível caiu 7,48%, passando de R$ 5,052 para R$ 4,674. Também se destacaram as quedas no Acre (-5,24%), Mato Grosso (-3,77%), Rio Grande do Norte (-3,75%), Distrito Federal (-3,47%), Maranhão (-3,35%) e Ceará (-3,24%).

Na direção contrária, apenas o Amazonas apresentou aumento nos preços do etanol durante o período, com alta de 2,98%, passando de R$ 4,962 para R$ 5,110 por litro. O Rio Grande do Sul manteve estabilidade, enquanto os demais estados registraram retração.

O estado de São Paulo permaneceu com o menor preço médio nacional, registrando R$ 3,974 por litro, reforçando sua posição como principal mercado produtor de etanol do país e beneficiando-se diretamente da intensificação da moagem da cana. Já o Acre manteve o maior preço médio nacional, com R$ 5,321.

O comportamento do biocombustível acompanha o avanço da safra 2026/27, que elevou significativamente a oferta de etanol hidratado e reduziu os preços nas usinas. Além disso, o aumento da disponibilidade do etanol anidro utilizado na mistura obrigatória da gasolina ajudou a aliviar pressões ao longo da cadeia de abastecimento, favorecendo reduções também no combustível fóssil em diversos mercados.

“O etanol segue sendo o combustível mais sensível ao comportamento da safra sucroenergética. Com maior disponibilidade do produto nas usinas, os preços recuaram de forma consistente em praticamente todo o país, fortalecendo sua competitividade frente à gasolina. Para consumidores e gestores de frotas, esse movimento amplia as oportunidades de redução dos custos de abastecimento, especialmente nas regiões produtoras”, destaca Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard.

 

Estado  jun/26 jul/26 Variação (R$) Variação (%)
AC 5,615 5,321 -0,294 -5,24%
AL 5,411 5,303 -0,108 -2,00%
AM 4,962 5,110 0,148 2,98%
AP 4,641 4,589 -0,052 -1,12%
BA 5,058 4,910 -0,148 -2,93%
CE 5,277 5,106 -0,171 -3,24%
DF 4,296 4,147 -0,149 -3,47%
ES 5,059 5,006 -0,053 -1,05%
GO 4,409 4,332 -0,077 -1,75%
MA 5,529 5,344 -0,185 -3,35%
MG 4,573 4,474 -0,099 -2,16%
MS 4,342 4,250 -0,092 -2,12%
MT 4,135 3,979 -0,156 -3,77%
PA 5,297 5,284 -0,013 -0,25%
PB 4,942 4,869 -0,073 -1,48%
PE 5,380 5,257 -0,123 -2,29%
PI 5,436 5,360 -0,076 -1,40%
PR 4,409 4,284 -0,125 -2,84%
RJ 4,964 4,875 -0,089 -1,79%
RN 5,383 5,181 -0,202 -3,75%
RO 5,528 5,398 -0,130 -2,35%
RR 5,052 4,674 -0,378 -7,48%
RS 4,722 4,722 0,000 0,00%
SC 4,735 4,604 -0,131 -2,77%
SE 5,660 5,530 -0,130 -2,30%
SP 4,051 3,974 -0,077 -1,90%
TO 5,275 5,261 -0,014 -0,27%

 

 

Diesel S-10

Combustível mantém trajetória de queda, mas cenário regional ainda é desigual

O diesel S-10 apresentou a segunda maior redução entre os combustíveis analisados em julho. Na média nacional, o litro passou de R$ 7,298 em junho para R$ 7,196 em julho, recuo de R$ 0,102 (-1,40%), refletindo um ambiente mais favorável para o segmento de transporte de cargas e para empresas que operam grandes frotas.

O movimento foi impulsionado principalmente pela menor pressão sobre os preços internacionais do petróleo, pela manutenção da política comercial da Petrobras e pelo aumento da oferta doméstica de combustíveis, fatores que reduziram a necessidade de reajustes ao longo do mês. Embora o mercado internacional tenha voltado a registrar forte volatilidade na reta final de julho, o impacto sobre o mercado brasileiro foi limitado. Isso porque as medidas adotadas pela Petrobras e pelo governo federal amorteceram os efeitos imediatos dessa alta, que durou poucos dias e passou a perder força na semana seguinte, sem provocar novos reajustes percebidos pelos consumidores.

Entre os estados, o Rio Grande do Sul registrou a maior queda percentual do país, com retração de 3,21%, passando de R$ 6,626 para R$ 6,413, mantendo também o menor preço médio nacional. Em seguida aparecem Paraná (-2,56%), Mato Grosso do Sul (-2,56%), São Paulo (-2,24%) e Santa Catarina (-2,11%), reforçando o movimento de acomodação observado principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Na direção oposta, alguns estados ainda apresentaram elevação dos preços. O Amapá registrou alta de 0,94%, seguido por Amazonas (+0,93%), Roraima (+0,76%) e Acre (+0,64%), comportamento associado aos maiores custos logísticos e às características de abastecimento da Região Norte, que tornam esses mercados mais suscetíveis a oscilações na cadeia de distribuição.

Mesmo com a queda nacional, o diesel continua apresentando diferenças regionais expressivas. Enquanto o Rio Grande do Sul registrou o menor preço médio do país (R$ 6,413), Roraima voltou a apresentar o maior valor médio nacional (R$ 8,123), diferença superior a R$ 1,70 por litro entre os extremos do levantamento.

“O diesel é o combustível que mais sente os reflexos das oscilações internacionais, principalmente por sua maior dependência da dinâmica global do petróleo e dos custos logísticos. Apesar da queda observada em julho, gestores de transporte e operadores de frotas devem manter atenção ao cenário externo, já que qualquer alteração significativa no mercado internacional pode provocar novos ajustes ao longo dos próximos meses”, avalia Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard.

 

Estado  jun/26 jul/26 Variação (R$) Variação (%)
AC 7,816 7,866 0,050 0,64%
AL 7,575 7,490 -0,085 -1,12%
AM 7,350 7,418 0,068 0,93%
AP 7,626 7,698 0,072 0,94%
BA 7,675 7,537 -0,138 -1,80%
CE 7,501 7,488 -0,013 -0,17%
DF 7,099 7,045 -0,054 -0,76%
ES 7,410 7,364 -0,046 -0,62%
GO 7,011 6,962 -0,049 -0,70%
MA 7,454 7,449 -0,005 -0,07%
MG 7,326 7,246 -0,080 -1,09%
MS 7,375 7,186 -0,189 -2,56%
MT 7,498 7,384 -0,114 -1,52%
PA 7,703 7,634 -0,069 -0,90%
PB 7,371 7,297 -0,074 -1,00%
PE 7,391 7,287 -0,104 -1,41%
PI 7,825 7,787 -0,038 -0,49%
PR 7,035 6,855 -0,180 -2,56%
RJ 7,244 7,184 -0,060 -0,83%
RN 7,336 7,299 -0,037 -0,50%
RO 7,569 7,544 -0,025 -0,33%
RR 8,062 8,123 0,061 0,76%
RS 6,626 6,413 -0,213 -3,21%
SC 6,967 6,820 -0,147 -2,11%
SE 7,434 7,305 -0,129 -1,74%
SP 7,262 7,099 -0,163 -2,24%
TO 7,472 7,373 -0,099 -1,32%

 

 

Onde e com qual combustível compensa abastecer?

Como referência utilizada pelo mercado, considera-se que, para a maioria dos veículos flex, o etanol passa a apresentar competitividade econômica quando seu preço se equivale a até 70% do valor da gasolina. Esse percentual funciona como um indicador inicial e, a partir dele, consumidores e gestores de frota podem avaliar de forma mais detalhada a viabilidade da substituição entre os combustíveis.

Em julho, a relação média nacional ficou em 69%, indicando que, de forma geral, o etanol permaneceu competitivo frente à gasolina.

Os estados onde abastecer com etanol foi mais vantajoso foram:

  • Mato Grosso (57%)
  • Roraima (58%)
  • São Paulo (60%)
  • Amapá (61%)
  • Mato Grosso do Sul (62%)
  • Goiás (63%)
  • Distrito Federal (64%)
  • Paraná (64%)
  • Minas Gerais (67%)
  • Bahia (68%)
  • Acre (69%)
  • Amazonas (70%)
  • Santa Catarina (70%)

 

Estado  Média Gasolina Comum  Média Etanol Comum  Percentual (Etanol/Gasolina) 
AC 7,714 5,321 69%
AL 7,134 5,303 74%
AM 7,276 5,11 70%
AP 7,514 4,589 61%
BA 7,17 4,91 68%
CE 7,181 5,106 71%
DF 6,441 4,147 64%
ES 6,862 5,006 73%
GO 6,886 4,332 63%
MA 7,118 5,344 75%
MG 6,646 4,474 67%
MS 6,848 4,25 62%
MT 7,019 3,979 57%
PA 7,293 5,284 72%
PB 6,88 4,869 71%
PE 7,184 5,257 73%
PI 7,313 5,36 73%
PR 6,73 4,284 64%
RJ 6,716 4,875 73%
RN 6,969 5,181 74%
RO 7,404 5,398 73%
RR 8,127 4,674 58%
RS 6,42 4,722 74%
SC 6,545 4,604 70%
SE 7,443 5,53 74%
SP 6,616 3,974 60%
TO 7,344 5,261 72%
Total Geral 7,066 4,857 69%

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