Reunir três automóveis que, juntos, custam cerca de R$ 2,5 milhões já seria suficiente para transformar qualquer agenda automotiva em um dia fora da rotina. Quando esses três carros são o BMW M2 (amarelo), o M3 Competition (azul) e o M4 Competition (verde), porém, os números contam apenas uma parte da história. A BMW organizou uma programação entre São Paulo e Campos do Jordão que me permitiu dirigir os três modelos no mesmo dia, em trechos urbanos, rodovias e estradas de serra, para conhecer três interpretações de uma mesma filosofia baseada em potência, controle e interação entre carro e motorista.
A divisão BMW M representa a face de desempenho da fabricante alemã, com veículos que recebem motores preparados, ajustes específicos de suspensão, sistemas de freios dimensionados para maiores exigências e soluções desenvolvidas para aproximar a condução nas ruas da experiência encontrada em circuitos. M2, M3 Competition e M4 Competition seguem esse princípio por caminhos diferentes: um cupê de dimensões mais contidas, um sedã de quatro portas e outro cupê que combina 510 cavalos de potência com uma carroceria voltada ao desempenho.
O BMW M2, com preço a partir de R$ 686.950, ocupa a posição de entrada entre os três e traz um motor M TwinPower Turbo de seis cilindros em linha. O M3 Competition, oferecido a partir de R$ 894.950, entrega 510 cavalos e preserva a carroceria sedã. Já o M4 Competition parte de R$ 908.950 e também dispõe de 510 cavalos extraídos do motor de seis cilindros em linha M TwinPower Turbo. São propostas distintas, mas unidas por um ponto em comum: fazer com que o motorista participe da condução e perceba, no volante e no acelerador, aquilo que está acontecendo entre o carro e o asfalto.
Minha jornada começou no escritório da BMW, na zona sul da cidade de São Paulo, ao volante do M4 Competition. O primeiro destino era um posto de serviços localizado na Rodovia Ayrton Senna, sentido interior. Foram aproximadamente 42 quilômetros percorridos em cerca de 65 minutos, passando pela Marginal Pinheiros, Marginal Tietê e pelo início da Ayrton Senna. O trânsito urbano limitou qualquer possibilidade de explorar o desempenho, mas serviu para mostrar que um automóvel com 510 cavalos também precisa conviver com congestionamentos, semáforos e mudanças constantes de velocidade.
Foi somente na rodovia que o M4 começou a mostrar parte de sua capacidade. Sempre respeitando os limites da via, bastaram algumas acelerações e retomadas para perceber a disponibilidade de potência, a precisão das respostas e a confiança transmitida pelo conjunto. Não é necessário procurar velocidades incompatíveis com uma estrada pública para entender um carro como esse. A maneira como ele responde ao acelerador, ganha velocidade e permanece conectado ao piso já fornece informações suficientes sobre aquilo que pode entregar.
No primeiro posto de serviços da Ayrton Senna, troquei o M4 Competition pelo M3 Competition. Começava ali o trecho mais longo da ida: aproximadamente 154 quilômetros e cerca de duas horas e dez minutos até o CARDE | Arte Design Museu, em Campos do Jordão. O percurso pelas rodovias Ayrton Senna e Governador Carvalho Pinto permitiu conhecer melhor as respostas do sedã, mas foi na Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, durante a subida da Serra da Mantiqueira, que a experiência ganhou outro significado.
As curvas, subidas e mudanças de direção criaram o cenário para sentir os 510 cavalos do M3 Competition. A cada retomada, o motor de seis cilindros entregava resposta imediata; nas frenagens, o conjunto permitia reduzir a velocidade com controle; e, ao volante, era possível perceber com precisão as reações do carro. O som do motor acompanhava a subida da serra e lembrava que, apesar de toda a tecnologia presente, ainda existe uma ligação mecânica e sensorial entre motorista, máquina e estrada.
É justamente aí que os automóveis da divisão M encontram seu espaço. Potência, isoladamente, pode ser resumida por uma ficha técnica. O que não cabe em uma tabela é a sensação de entrar em uma sequência de curvas, perceber o peso do volante, dosar o acelerador e ouvir o motor responder. Não se trata de correr, mas de dirigir e compreender como cada comando produz uma reação.
Depois da chegada a Campos do Jordão, foi a vez de conhecer o CARDE | Arte Design Museu antes de iniciar o retorno a São Paulo. Para a última etapa da viagem, o M2 estava à minha espera. Foram cerca de 190 quilômetros e pouco mais de três horas até o escritório da BMW, um percurso que encerrou o dia com o menor dos três modelos em dimensões, mas não em personalidade.
O M2 estabelece uma relação diferente com o motorista. Sua carroceria mais compacta contribui para a sensação de proximidade com o carro, enquanto o motor de seis cilindros mantém a potência sempre disponível. Durante o retorno, pude sentir suas respostas nas acelerações, nas retomadas e nas mudanças de direção. Depois de conduzir M4 e M3 no mesmo dia, o M2 mostrou que não pretende simplesmente reproduzir a experiência dos irmãos maiores em escala reduzida. Ele tem sua própria maneira de se comunicar com quem está ao volante.
Há ainda um efeito colateral inevitável ao dirigir qualquer um desses três modelos: eles chamam atenção. M4, M3 e M2 despertaram olhares durante todo o percurso. Com o M2, essa atenção ganhou um episódio particular quando fui parado pela Polícia Rodoviária Militar de São Paulo. Certamente um procedimento de rotina, mas prefiro guardar a situação com uma interpretação mais divertida: talvez o policial também tenha aproveitado a oportunidade para observar o modelo de perto.
Ao final de um dia, foram três carros, centenas de quilômetros e três experiências distintas. O M4 Competition abriu a viagem mostrando seus 510 cavalos entre a cidade e a rodovia. O M3 Competition encontrou nas curvas da Serra da Mantiqueira o cenário para revelar seu equilíbrio entre potência e controle. O M2 encerrou a jornada com uma relação mais direta entre motorista e máquina. Não é todo dia que se tem o privilégio de dirigir, em poucas horas, três automóveis que somam cerca de R$ 2,5 milhões. Talvez por isso algumas viagens terminem quando o motor é desligado, enquanto outras continuam por algum tempo na memória.
Notas Rápidas, por Sérgio Dias
Marcopolo registra patente verde em parceria com SENAI
A Marcopolo conquistou sua primeira patente verde com o desenvolvimento da Massa Hefesto, tecnologia aplicada como material de vedação na fabricação de ônibus. O projeto substitui insumos convencionais por uma alternativa criada a partir do reaproveitamento de resíduos industriais e da utilização de sílica proveniente da casca de arroz, uma matéria-prima renovável.
“A Massa Hefesto nasceu da busca por uma destinação mais sustentável para resíduos gerados em nosso processo produtivo. Conseguimos transformar esse desafio em uma solução inovadora, que combina reaproveitamento de materiais, uso de matéria-prima renovável e desempenho técnico. A conquista da primeira patente verde da Marcopolo representa um importante reconhecimento desse trabalho e da nossa estratégia de inovação sustentável”, afirmou Felipe Biondo, coordenador de Confiabilidade do Produto da Marcopolo.
Goodyear seguirá no FIA WEC até 2029 com novos pneus Eagle
A Goodyear ampliou sua parceria com a FIA e o Automobile Club de l’Ouest (ACO) e seguirá como fornecedora exclusiva de pneus da categoria LMGT3 do Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) até 2029. O novo acordo também prevê a estreia, a partir de 2027, de uma geração dos pneus Racing Eagle para o WEC e a European Le Mans Series (ELMS), com compostos para pistas secas e molhadas formados por 66% de materiais sustentáveis.
“Esta extensão reforça o compromisso de longo prazo da Goodyear com as corridas de endurance como uma plataforma de inovação”, disse Xavier Fraipont, vice-presidente da Goodyear Racing. Segundo o executivo, a próxima geração dos pneus Eagle buscará ampliar o desempenho e acelerar a incorporação de materiais sustentáveis nas competições.
Férias aumentam atenção à manutenção antes de pegar a estrada
Os motoristas que planejam viajar de carro durante as férias escolares devem incluir a manutenção preventiva entre os preparativos antes de pegar a estrada. Com o aumento do tráfego nas rodovias e a realização de trajetos mais longos, a inspeção antecipada permite avaliar componentes sujeitos a demandas mecânicas e estruturais diferentes daquelas encontradas no uso urbano, reduzindo a possibilidade de problemas durante o percurso.
“A revisão permite identificar fadigas estruturais imperceptíveis no uso urbano cotidiano. No entanto, esses problemas podem se tornar mais relevantes em rodovias, onde os veículos estão sujeitos a maiores demandas mecânicas e estruturais”, explica a equipe técnica da thyssenkrupp Springs & Stabilizers. A orientação é realizar a manutenção em oficinas qualificadas e de acordo com as especificações definidas pelo fabricante do veículo.
GAC abre estrutura de pesquisa e desenvolvimento para veículos nacionais
A GAC anunciou a inauguração de seu Centro de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil, localizado em São Paulo. A estrutura representa um passo estratégico para consolidar as operações da companhia no país e reforça o compromisso de longo prazo com o desenvolvimento de veículos adaptados às necessidades dos consumidores brasileiros.
“A criação do Centro de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento representa um marco importante para a GAC no Brasil. Nosso objetivo é desenvolver soluções alinhadas às necessidades dos consumidores brasileiros, contribuindo para que nossos veículos entreguem desempenho, eficiência e tecnologia adequados à realidade local”, afirmou Leonardo Lukacs, diretor de Engenharia, Pesquisa, Desenvolvimento e Manufatura da GAC.
Volvo renova carregadeiras L150 e L180 produzidas no Brasil
A Volvo CE lança a nova geração das carregadeiras L150 e L180 produzidas na fábrica de Pederneiras, no interior de São Paulo, ampliando a oferta de equipamentos destinados aos segmentos de construção, mineração e indústria. Os modelos chegam ao mercado com atualizações em produtividade, segurança, conforto para o operador e desempenho operacional, além de um novo conjunto de soluções voltadas à redução dos tempos de ciclo e à eficiência das operações.
“São máquinas extremamente flexíveis, amplamente utilizadas nos segmentos de construção, mineração e na indústria”, afirma Rafael Nieweglowski, diretor comercial da Volvo CE no Brasil. Segundo o executivo, os equipamentos atendem operações de movimentação de agregados, extração em pedreiras, transporte de resíduos, reciclagem, terraplenagem, carregamento de toras e diferentes atividades ligadas à movimentação de materiais.
Pirelli amplia ecossistema Cyber Tyre com aquisição da RIDEsense
A Pirelli anunciou a aquisição de 24,99% da RIDEsense, startup derivada da Universidade de Nápoles Federico II e do Grupo MegaRide, especializada em tecnologias avançadas para mobilidade. O acordo prevê a integração da tecnologia de sensores virtuais da RIDEsense ao ecossistema Pirelli Cyber Tyre, ampliando funções de segurança e diagnóstico em veículos.
“Há mais de 20 anos, iniciamos a jornada que levou à integração de recursos de coleta e transmissão de dados aos pneus, dando origem à tecnologia Cyber Tyre. Nosso acordo com a RIDEsense ampliará ainda mais o potencial desse ecossistema, fortalecendo seu componente de software, que está no coração do Cyber Tyre”, afirmou Piero Misani, Diretor Técnico da Pirelli.
Honda prepara estreia oficial do Prelude no Brasil
A Honda confirmou o lançamento do Prelude no Festival Interlagos, evento que marca a estreia oficial do cupê híbrido no mercado brasileiro. Para celebrar o momento, a fabricante criou uma página especial em seu site, onde os interessados podem se cadastrar para receber informações em primeira mão.
O modelo foi apresentado pela primeira vez ao público brasileiro durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025, ocasião em que se destacou entre os lançamentos da marca. O Prelude chega ao país com a proposta de unir esportividade híbrida e tecnologia, oferecendo uma experiência de condução diferenciada.
McLaren 788HS traz motor V8 biturbo de 788 cavalos e produção limitada
A McLaren apresentou o 788HS, modelo que encerra a premiada série de supercarros iniciada com o 720S e continuada com o 750S e o 765LT. Produzido em edição limitada de 200 unidades globais, divididas igualmente entre as versões cupê e Spider, o 788HS chega como a evolução final da linhagem, com motor V8 biturbo de 4 litros e 788 cavalos de potência.
“O novo McLaren 788HS foi projetado e desenvolvido com um foco único: proporcionar uma experiência visceral e uma condução cativante, graças ao seu equilíbrio preciso entre desempenho, sonoridade, dinamismo e personalidade. Ele representa a expressão máxima da nossa linha de supercarros iniciada com o 720S e torna-se apenas o terceiro McLaren a ostentar a designação HS — um desfecho à altura para um carro muito admirado e aclamado pela crítica”, afirmou Henrik Wilhelmsmeyer, Diretor Comercial da McLaren Automotive.
Grupo Volkswagen reduzirá em até 50% sua linha global de modelos até 2030
O Grupo Volkswagen anunciou um plano para reduzir gradualmente em até 50% sua gama de modelos e concentrar o portfólio nos segmentos considerados de maior interesse para a companhia. Apresentada pelo Conselho Executivo ao Conselho de Supervisão, a estratégia também prevê diminuir em até 75% a complexidade da oferta, incluindo o número de opções de equipamentos disponíveis, como parte de um conjunto de 12 iniciativas destinado a reorganizar produtos, tecnologias, desenvolvimento e produção até 2030.
“Nosso objetivo é claro: até 2030, tornaremos o Grupo Volkswagen a empresa automotiva mais atraente do mundo, com marcas icônicas, produtos inspiradores, tecnologias líderes, resultados financeiros robustos, desempenho confiável no mercado de capitais e espírito de equipe em ação”, afirma Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen. Segundo o executivo, o plano marca a entrada da companhia em uma nova etapa de transformação, baseada na redução da complexidade e no direcionamento das operações aos mercados regionais.
Omoda & Jaecoo alcança recorde de vendas no Brasil
A Omoda & Jaecoo registrou seu melhor desempenho desde o início das operações no Brasil ao encerrar junho com 4.830 veículos emplacados, crescimento de 52% em relação a maio. O resultado levou a fabricante à 14ª colocação no ranking nacional de vendas e ocorreu em um período em que o mercado automotivo brasileiro apresentou retração de 1% na comparação mensal.
“O desempenho da Omoda & Jaecoo em junho deste ano reforça a estratégia e o potencial de crescimento da marca em um mercado que é prioritário para a companhia, o Brasil. Por isso, seguimos ampliando presença nacionalmente por meio de um portfólio de veículos eletrificados, tecnologia embarcada e uma proposta voltada às novas demandas de mobilidade”, afirma Mr. Hu Peng, CEO da Omoda & Jaecoo.
Texto e Fotos: Sérgio Dias





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