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‘Ponto Sem Retorno’: um fim do mundo sem muita novidade

A produção remete imediatamente a obras como The Walking Dead e The Last of Us, mas encontra dificuldades para alcançar a densidade dramática e a profundidade de roteiro de suas principais referências.
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Ponto Sem Retorno é mais um filme a revisitar um cenário que o cinema e a televisão já exploraram: um mundo devastado por uma pandemia, sobreviventes isolados e a constante ameaça de pessoas dispostas a tudo para continuar vivas. A produção remete imediatamente a obras como The Walking Dead e The Last of Us, mas encontra dificuldades para alcançar a densidade dramática e a profundidade de roteiro de suas principais referências.

Baseado no romance de sucesso de Peter Heller, o filme acompanha Hig (Jacob Elordi), um piloto viúvo que vive isolado em um hangar no Colorado ao lado de seu cachorro e de um ex-fuzileiro naval rabugento, interpretado por Josh Brolin. A relação entre os dois é marcada pelo contraste: enquanto Hig mantém algum senso de esperança e humanidade, o personagem de Brolin representa uma visão mais pragmática e desconfiada de um mundo em que a sobrevivência se tornou a única prioridade.

É justamente nessa convivência improvável que o filme encontra seus momentos mais interessantes. A dinâmica entre os personagens poderia render um estudo envolvente sobre solidão, luto, companheirismo e os limites da sobrevivência. No entanto, Ponto Sem Retorno frequentemente parece hesitar entre o drama intimista e o thriller pós-apocalíptico, sem conseguir aprofundar satisfatoriamente nenhum dos dois caminhos.

A transmissão de rádio que Hig capta surge como o elemento responsável por romper a rotina e reacender a possibilidade de uma vida além do pequeno território que ele conhece. A partir daí, a narrativa abandona parcialmente o isolamento inicial e transforma a busca por respostas em uma jornada de risco. A premissa é promissora, mas o desenvolvimento acaba sendo previsível em diversos momentos, especialmente para quem já está familiarizado com histórias de sobrevivência pós-apocalíptica.

Ridley Scott, cineasta associado a obras marcantes de ficção científica e suspense, parece aqui menos inspirado do que em trabalhos anteriores. A atmosfera de um mundo devastado está presente, assim como a competência visual característica do diretor, mas falta ao filme aquela sensação de descoberta ou urgência que poderia diferenciá-lo de tantas outras produções do gênero.

Jacob Elordi entrega uma atuação contida, adequada ao personagem marcado pelo trauma e pela solidão, enquanto Josh Brolin consegue extrair alguma personalidade de um papel que, no papel, poderia facilmente cair no estereótipo do veterano durão e amargurado. A química entre os dois é um dos pontos fortes da produção, mas não é suficiente para compensar as limitações do roteiro.

No fim, Ponto Sem Retorno é uma experiência competente, mas pouco memorável. O filme possui uma boa premissa, personagens com potencial e um diretor de enorme prestígio por trás das câmeras, porém transforma esses elementos em uma obra que parece familiar demais. Falta a mesma profundidade emocional de The Last of Us e a capacidade de construir um universo tão envolvente quanto The Walking Dead.

O resultado é um filme pós-apocalíptico visualmente sólido, mas narrativamente pouco ousado. Ponto Sem Retorno fala sobre esperança em um mundo destruído, mas, ironicamente, parece não encontrar uma maneira suficientemente original de contar essa história.

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