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Ipec: Lula lidera em quase tudo; ainda poderia levar no 1º; Bolsonaro piora

Esta jornada, com 2.512 pessoas entrevistadas entre os dias 2 e 4, é péssima para o presidente e excelente para seu principal opositor. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
Foto: Divulgação

Embora os macrodados da pesquisa Ipec desta semana apontem estabilidade na corrida eleitoral, a verdade é que eles revelam uma possível deterioração da candidatura de Jair Bolsonaro na comparação com o levantamento anterior e um eventual robustecimento do petista Luiz Inácio Lula da Silva.

Eventos ao longo da semana em curso, muito especialmente os atos golpistas do dia 7, podem forçar um movimento contrário? Vamos ver. Esta jornada, com 2.512 pessoas entrevistadas entre os dias 2 e 4, é péssima para o presidente e excelente para seu principal opositor. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

O ex-presidente manteve os mesmos 44% da pesquisa anterior, e o atual oscilou um ponto para baixo, ficando com 31%. Ciro Gomes (PDT) foi de 7% para 8%, e Simone Tebet (MDB), de 3% para 4%. Soraya Thronicke (UB) marcou zero no levantamento anterior e agora pontua: 1%. Felipe D’Ávila, do Novo, conservou seu ponto percentual.

No segundo turno, Lula oscilou dois pontos para cima: de 50% para 52%; Bolsonaro fez movimento inverso e variou um para baixo: de 37% para 36%.

O petista teve ainda boa notícia nos votos espontâneos: de 40% para 42%. Também nesse caso, o atual presidente fez um movimento negativo: de 32% para 31%. Ciro passou de 4% para 5%, e Simone manteve os 2%.

AS BOAS NOTÍCIAS PARA LULA
Neste levantamento, não há má notícias para o petista. Bolsonaro é o monopolista das coisas ruins. Querem ver?
1 – PRIMEIRO TURNO: A menos de um mês da eleição, Lula tem 50% dos votos válidos e poderia, sim, vencer no primeiro turno, dada a margem de erro;

2 – DIFERENÇAS: tudo aponta para um aumento da diferença entre eles no primeiro turno (de 12 para 13 pontos), na votação espontânea (de 9 para 12) e no segundo turno (de 13 para 16);

3 – VOTOS AGREGADOS: Lula agrega 8 pontos no segundo turno (de 44% para 52%); Bolsonaro, apenas 5 (de 31% para 36%);

4 – CAPITAIS: Lula cresceu nas capitais de 38% para 46%; Bolsonaro caiu de 36% para 30%;

5 – INTERIOR: O petista também vence no interior: 43% a 31%;

6 – ENSINO FUNDAMENTAL: Lula amplia vantagem no grupo que tem até o ensino fundamental (38% do total): 54% a 24% (antes, 52% a 25%). No ensino médio (40%), Lula também ampliou a vantagem: 40% a 34% — há uma semana, 39% a 37%. Só há empate na minoria com ensino superior (22%), com o ex-presidente numericamente à frente: 36% a 34%;

7 – FAIXAS ETÁRIAS: Lula lidera em todas as faixas etárias, a saber:
– 16 a 24 anos: 43% a 29% (antes, 51% a 27%)
– 25 a 34: 42% a 33%
– 34 a 44: 41% a 32%
– 45 a 59: 45% a 30%
– 60 e mais: 48% a 30%

8 – COR DA PELE: Lula está à frente em todos os cortes:
– Brancos (43% do total): 40% a 33% (eram 39% a 35%):
– pretos/pardos (56%): 47% a 29%
– Outras (1%): 44% a 35%

9 – REGIÕES: Lula voltou a ampliar a vantagem no Sudeste, que representa 43% do eleitorado: 41% a 30% — na semana passada, 39% a 33%. O Nordeste, com 27% do eleitorado, volta a devastar as esperanças de Bolsonaro: 56% a 23%. No Sul (15% dos votantes), há empate em 39%, e Bolsonaro só aparece à frente o Norte/Centro-Oeste (também 15%): 40% a 35%.

10 – RELIGIÕES: Mais uma vez, verifica-se que o tiro da guerra santa de Bolsonaro/Michelle pode estar saindo pela culatra. Sim, fideliza a maioria dos evangélicos, mas impede que o presidente cresça nos outros grupos. Vamos ver:
– Entre os evangélicos (27% do eleitorado): 46% a 27% para o presidente; na semana passada, 48% a 26%;
– entre católicos (50% do eleitorado): Lula vence por 50% a 26%;
– os demais: os demais ou têm outras religiões ou não têm religião nenhuma, hoje um grupo em torno de 15%. Nesse caso, Lula também dispara: 48% a 23%.

Assim, a luta do “bem contra o mal” que Bolsonaro pretende empreender é matéria especialmente sensível para menos de um terço do eleitorado. Mesmo nesse grupo, ele não consegue, é evidente, a unanimidade.

11 – BENEFICIÁRIOS DE PROGRAMAS: Entre os beneficiários de programas sociais, o ex-presidente esmaga o atual: 50% a 27%;

12 – NÃO BENEFICIÁRIOS: nos lares em que não há pessoas beneficiadas por programas, petista também está bem à frente: 41% a 33%;

13 – FAIXAS SALARIAIS: Até agora, a ampliação dos benefícios sociais não fez aumentar a adesão dos pobres a Bolsonaro nem mesmo entre os que recebem os caraminguás a mais. Também é verdade na faixa salarial até um mínimo: 56% a 21% para Lula. A diferença aumentou na que vai de mais de um até dois: 49% a 26% — eram 47% a 31%. Até aqui, falamos de 50% dos brasileiros que trabalham. Bolsonaro abriu uma diferença entre os que ganham mais de dois até cinco (32% do total): 40% a 34%. Ele também venceria no grupo que ganha mais de cinco (8,8%): 45% a 28%.

14 – AS MULHERES: Bolsonaro oferece garrucha às mulheres em vez de Lei Maria da Penha. Não parece eficaz. Em uma semana, aumentou a diferença em favor de Lula nesse eleitorado: 45% a 26% para o ex-presidente (eram 45% a 29%). Entre os homens, o petista lidera por 43% a 36% (antes, 41% a 36%).

PERCEBERAM?
O nome do atual presidente aparece à frente em pouquíssimos cortes do eleitorado, a saber:
– nas regiões Norte e Centro-Oeste (40% a 35%), que representam apenas 15% do total;
– entre os evangélicos (27% do eleitorado): 46% a 27%;
– entre os que recebem mais de dois até cinco mínimos (32%): 40% a 34%;
– na minoria que recebe acima de cinco mínimos (8,8%): 45% a 28%.

Em todos os demais cortes, a vitória é de Lula. Observem, ademais, que, no grupo relativamente grande (32% do eleitorado) que recebe mais de dois a cinco mínimos, a vantagem de Bolsonaro é discreta. Ela é gigantesca entre os que recebem acima de cinco mínimos: 45% a 28%, mas esse contingente é muito pequeno: apenas 8,8%. Também a brutal vantagem entre evangélicos (46% a 27%) se dá em 27% do todo. Nos demais grupo, o presidente leva uma surra eleitoral — daí que o clima de confronto religioso não seja uma boa ideia…

Já Lula obtém alguns dos seus índices mais vistosos sobre grandes contingentes eleitorais:
– entre os que recebem até um mínimo (56% a 21%) e mais de um até dois (49% a 26%). Os dois formam 50% do total;
– no Nordeste, com 27% do eleitorado: 56% a 23%;
– entre as mulheres (53% do total): 45% a 26%;
– entre os beneficiários de programas sociais: 50% a 27%;
– os católicos (50%): 50% a 26%.

BERREIRO GOLPISTA
Amanhã, Brasília, Rio e algumas outras cidades serão tomadas pelo berreiro golpista, que vai reunir evangélicos e extremistas de direita. De olho nos números acima, vocês acham que Bolsonaro conseguirá melhorar de forma substancial a sua situação entre os mais pobres, os que recebem programas sociais, os pretos/mulatos, as mulheres e os nordestinos?

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