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Burnout: quando o trabalho deixa de ser realização e passa a ser adoecimento

O Burnout é um estado de esgotamento físico e emocional causado pelo estresse crônico no trabalho, que compromete a saúde mental e o desempenho profissional.
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Fonte: Elaboração própria com auxílio de inteligência artificial

O trabalho sempre ocupou um lugar central na vida das pessoas. Para muitos, ele representa propósito, sustento e identidade. No entanto, o que deveria ser fonte de realização tem se tornado, cada vez mais, motivo de sofrimento psíquico.

Nos últimos anos, a Síndrome de Burnout passou a ganhar destaque nas discussões sobre saúde mental, especialmente entre profissionais que lidam com alta demanda emocional e pressão constante. Reconhecida como um fenômeno ocupacional, ela não se trata apenas de cansaço, mas de um esgotamento profundo relacionado ao contexto de trabalho.

Na prática, o Burnout se manifesta quando o indivíduo começa a sentir que não tem mais energia emocional para lidar com suas atividades. Aos poucos, surgem sinais de distanciamento afetivo do trabalho, perda de motivação e sensação de incapacidade. O que antes fazia sentido passa a pesar.

Do ponto de vista psicológico, esse processo não acontece de forma repentina. Ele é construído aos poucos, geralmente em ambientes marcados por excesso de cobrança, falta de reconhecimento e pressão por resultados constantes. Quando isso se soma a padrões internos rígidos — como a necessidade de ser sempre produtivo ou de não poder falhar , o risco de esgotamento aumenta significativamente.

É comum que, nesse cenário, o profissional desenvolva pensamentos automáticos como “eu preciso dar conta de tudo” ou “não posso parar agora”. Essas crenças acabam sustentando um ciclo de sobrecarga que, com o tempo, ultrapassa os limites emocionais e físicos do corpo.

O Burnout tem sido mais frequente em profissões que envolvem cuidado direto com pessoas, como saúde, educação, assistência social e psicologia. Isso porque, além das exigências técnicas, há uma carga emocional intensa envolvida nessas atividades, o que torna o desgaste ainda mais profundo.

Os sinais não aparecem apenas no emocional. O corpo também reage. Insônia, cansaço constante, irritabilidade, dificuldade de concentração e até dores físicas podem surgir como reflexo de um organismo que está em estado contínuo de alerta e exaustão.

Diante disso, é importante compreender que o Burnout não é fraqueza, nem falta de capacidade. É um sinal de que algo no modo de trabalhar ou nas condições de trabalho precisa ser revisto. Em muitos casos, o problema não está apenas no indivíduo, mas também na forma como o trabalho está estruturado.

Falar sobre Burnout é falar sobre limites. É reconhecer que produtividade não pode ser maior do que saúde. E que nenhum resultado profissional justifica o adoecimento emocional.

Cuidar da saúde mental no trabalho não é luxo, é necessidade. E, cada vez mais, torna-se um tema urgente dentro das organizações e da sociedade.

 

Lazinha Martins
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Neuropsicologia

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