Após a repercussão internacional envolvendo mortes e casos suspeitos de hantavírus em um navio de cruzeiro investigado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pergunta começou a circular nas redes sociais e nos mecanismos de busca: afinal, o hantavírus pode se transformar em uma nova pandemia?
O alerta ganhou força após autoridades sanitárias investigarem uma possível transmissão entre humanos em passageiros e tripulantes da embarcação, hipótese considerada rara pelos especialistas.
Diante do aumento das dúvidas e do receio da população, a infectologista Dra. Paula Pinhão, diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, esclarece o que é fato e o que é desinformação quando o assunto é hantavírus, doença viral potencialmente grave, mas ainda pouco conhecida pelos brasileiros.
“É natural que as pessoas associem qualquer notícia envolvendo vírus ao cenário vivido durante a pandemia de Covid-19. Mas é importante entender que o hantavírus possui características muito diferentes e, até o momento, não apresenta potencial pandêmico semelhante”, explica Dra. Paula Pinhão.
Segundo a médica, a principal forma de transmissão continua sendo o contato indireto com secreções, urina e fezes de roedores infectados, especialmente em ambientes fechados ou mal ventilados.
Hantavírus pode virar uma pandemia?
De acordo com a Dra. Paula, a resposta mais provável hoje é não. “A maioria das variantes do hantavírus não apresenta transmissão sustentada entre pessoas. Existem registros raros de transmissão interpessoal associados ao hantavírus dos Andes, identificado na América do Sul, mas são situações muito específicas e monitoradas pelas autoridades sanitárias”.
A infectologista destaca que o cenário atual não deve gerar pânico, mas reforça a importância da informação correta e da vigilância epidemiológica. “O fato de um vírus não ter potencial pandêmico elevado não significa que ele não mereça atenção. O hantavírus pode causar quadros graves e tem alta taxa de mortalidade quando o diagnóstico é tardio”, explica ela.
Mitos e verdades sobre o hantavírus
“O hantavírus passa facilmente de pessoa para pessoa”
MITO
A transmissão entre humanos é extremamente rara e não acontece na maioria das variantes conhecidas do vírus.
“A doença pode ser grave”
VERDADE
A hantavirose pode evoluir rapidamente para uma síndrome cardiopulmonar grave, com insuficiência respiratória e risco de morte.
“Os sintomas podem parecer uma gripe comum”
VERDADE
Febre, dores musculares, fadiga, dor abdominal e mal-estar costumam aparecer nos primeiros dias, o que pode dificultar o diagnóstico inicial.
“Qualquer contato com rato transmite hantavírus”
MITO
O principal risco está na inalação de partículas contaminadas presentes em fezes, urina ou saliva de roedores infectados.
“Limpar ambientes fechados sem proteção pode aumentar o risco”
VERDADE
“Ao varrer locais contaminados, partículas virais podem ficar suspensas no ar. O ideal é ventilar o ambiente, utilizar máscara e fazer a desinfecção correta antes da limpeza”, orienta a especialista.
A recomendação é procurar avaliação médica diante de sintomas respiratórios ou gripais após exposição recente a locais com presença de roedores, especialmente em áreas rurais, depósitos, galpões, trilhas, acampamentos ou imóveis fechados há muito tempo. “Mais do que gerar medo, esse momento deve servir para ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e combate à desinformação”, finaliza Dra. Paula Pinhão.
Sobre o CBMEV:
O Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV) é uma entidade que reúne profissionais de saúde comprometidos com a prevenção e o tratamento de doenças crônicas a partir de intervenções baseadas em evidências científicas relacionadas ao estilo de vida. Com atuação voltada à educação médica, produção de conhecimento e disseminação de boas práticas, o CBMEV promove uma abordagem que integra alimentação, atividade física, sono, gestão do estresse e relações sociais como pilares fundamentais da saúde.
Parte de um movimento global, a instituição busca transformar a forma como o cuidado em saúde é conduzido no Brasil, ampliando o olhar para além do tratamento de sintomas e incentivando estratégias sustentáveis de promoção do bem-estar e da qualidade de vida.








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