Durante sessão plenária realizada nesta quarta-feira (29), na Câmara Municipal de Manaus, o vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) afirmou que há “forças ocultas” atuando para blindar a atuação da Atem no Amazonas. O parlamentar cobrou maior fiscalização por parte de órgãos de controle no estado.
“O governo também tem sua parcela de culpa, não apenas por permitir a privatização, mas por existir essa blindagem contra a refinaria”, declarou o vereador durante seu pronunciamento em plenário.
Guedes também mencionou a suspeita da atuação de uma organização criminosa ligada à proteção da empresa e defendeu a realização de operações por parte da Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades.
O tema foi debatido por outros vereadores ao longo da sessão, que discutiram os altos preços dos combustíveis na capital amazonense e os fatores que podem estar contribuindo para o cenário.
Na mesma sessão, representantes do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro) apontaram que o envio da maior parte do petróleo extraído no Polo de Urucu, em Coari (AM), para refinarias em São Paulo tem impacto direto no preço da gasolina em Manaus.
Segundo a entidade, a mudança ocorreu após a privatização da Refinaria Isaac Sabbá (Ream), no fim de 2022. Desde então, a unidade passou a atuar principalmente como terminal logístico e de mistura de derivados, deixando de priorizar o refino local.
De acordo com o sindicato, o petróleo produzido na região — uma das principais bases terrestres da Petrobras — é enviado para outras regiões do país para processamento. Posteriormente, os combustíveis retornam ao Amazonas, acrescidos de custos logísticos que encarecem o produto final.
A entidade avalia que esse modelo reduz a autonomia energética do estado e contribui para que Manaus registre um dos combustíveis mais caros entre as capitais brasileiras.
Durante o debate, parlamentares também discutiram possíveis medidas para enfrentar o problema, como o aumento da transparência na formação de preços e a ampliação da fiscalização sobre o setor. O assunto deve continuar em pauta nas próximas sessões da Casa.
Outro lado
A Atem não respondeu à reportagem até a publicação da matéria. O texto poderá ser atualizado.
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