Em Pauta nas redes sociais

Buscar no portal...

Manaus,

Colunista

Lazinha Martins

Síndrome do impostor nas mulheres: por que tantas ainda duvidam da própria capacidade?

Muitas mulheres convivem com a síndrome do impostor, um padrão de autocrítica que dificulta reconhecer a própria capacidade e pode impactar a saúde mental.
sindrome-do-impostor-nas-mulhe
vecteezy.com

Mesmo diante de conquistas pessoais e profissionais, muitas mulheres convivem com uma sensação persistente de não serem boas o suficiente. A impressão de que o sucesso alcançado é fruto da sorte ou de circunstâncias externas, e não da própria competência, é conhecida como síndrome do impostor.

Apesar do nome, a síndrome do impostor não é considerada um transtorno mental. Trata-se de um padrão de pensamentos e sentimentos caracterizado pela dificuldade em reconhecer as próprias capacidades e conquistas, acompanhado pelo medo constante de ser “descoberta” como alguém menos competente do que os outros acreditam.

Esse fenômeno pode estar presente em diferentes contextos da vida. Não se limita à vida acadêmica ou às posições de liderança. Muitas mulheres experimentam essa sensação no trabalho, ao assumir novas responsabilidades, na maternidade, nos relacionamentos e até mesmo em atividades cotidianas. Mesmo recebendo elogios ou obtendo resultados positivos, é comum minimizar as próprias realizações e acreditar que ainda não são suficientemente capazes.

Aspectos culturais e sociais ajudam a compreender por que essa experiência é tão frequente entre as mulheres. Desde cedo, muitas são incentivadas a buscar a perfeição, evitar erros e corresponder às expectativas dos outros. Além disso, a necessidade constante de provar competência em ambientes profissionais e sociais pode reforçar sentimentos de insegurança e inadequação.

Outro fator importante é a comparação excessiva, intensificada pelas redes sociais. A exposição constante a imagens de sucesso, produtividade e felicidade pode criar a falsa impressão de que todas as outras pessoas são mais preparadas, mais confiantes e mais realizadas, favorecendo sentimentos de inferioridade e autocrítica.

Os sinais mais comuns da síndrome do impostor incluem dificuldade em aceitar elogios, medo exagerado de falhar, perfeccionismo, autocobrança excessiva, ansiedade diante de novos desafios e a tendência de atribuir conquistas à sorte ou ao acaso. Quando persistentes, esses pensamentos podem comprometer a autoestima, aumentar o sofrimento emocional e favorecer quadros de estresse, ansiedade e esgotamento.

Embora não exista uma fórmula pronta, algumas estratégias podem ajudar na prevenção e no enfrentamento desse padrão. Reconhecer as próprias conquistas, abandonar a busca pela perfeição, aprender a lidar com os erros de forma mais compassiva e desenvolver uma visão mais realista sobre si mesma são passos importantes. Compartilhar essas experiências com pessoas de confiança também pode ser um recurso valioso, uma vez que muitas mulheres descobrem que não estão sozinhas nesse sentimento.

Quando a autocrítica se torna intensa e passa a interferir na vida pessoal, profissional e nas relações, a psicoterapia pode ser uma importante ferramenta de intervenção. O acompanhamento psicológico contribui para identificar pensamentos distorcidos, fortalecer a autoestima e construir uma relação mais saudável consigo mesma.

Mais do que uma questão individual, a síndrome do impostor nos convida a refletir sobre as exigências e expectativas que ainda recaem sobre as mulheres. Em uma sociedade que frequentemente cobra excelência em múltiplos papéis, reconhecer as próprias conquistas, valorizar a própria trajetória e acolher as próprias limitações também são formas de cuidado com a saúde mental.

Lazinha Martins
Psicóloga | Colunista de Saúde Mental

Clique para comentar

Envie seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Clique no vídeo para ativar o som
Clique no vídeo para ativar o som