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Promotor aciona Justiça por supostas irregularidades em processo seletivo da Educação em Japurá

Ministério Público pede ação civil pública após indícios de contratações sem observância de requisitos do edital em seletivo da Secretaria Municipal de Educação
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O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça de Japurá, determinou a elaboração de uma ação civil pública para apurar possíveis irregularidades no Processo Seletivo Simplificado (PSS) nº 002/2025/2026 da Secretaria Municipal de Educação (Semed) do município.

A medida foi tomada no âmbito da Notícia de Fato nº 040.2026.000080, instaurada a partir de manifestação encaminhada pela Ouvidoria-Geral do MPAM, com denúncia anônima que apontava supostas falhas na habilitação e contratação de candidatos.

“Comunique-se ao Tribunal de Contas da União — TCU, encaminhando cópia das principais peças dos autos, em razão da possível utilização de recursos federais vinculados à educação municipal, inclusive Fundeb e/ou demais transferências federais destinadas à manutenção e desenvolvimento da educação básica, para ciência e adoção das providências que entender cabíveis no âmbito de sua competência fiscalizatória”, ressaltou o promotor Weslei Machado no documento.

Segundo a apuração preliminar, há indícios de que candidatos com apenas ensino médio teriam sido aprovados e contratados para funções que exigiriam formação específica, como licenciatura em Pedagogia, Normal Superior ou áreas correlatas, o que poderia contrariar regras previstas no edital do certame.

Análise do edital e resposta do município

Durante a investigação, o Ministério Público requisitou documentos ao Município de Japurá e à Semed, incluindo edital, listas de classificados, relação de contratados e comprovação de escolaridade.

De acordo com a Promotoria, o edital do processo seletivo previa exigência de formação superior específica para cargos como professor de educação infantil, ensino fundamental (anos iniciais e finais), educação especial e auxiliar de vida, entre outros.

“Comunique-se ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas — TCE/AM, encaminhando cópia integral ou, se inviável, cópia das principais peças dos autos, para ciência e adoção das providências de controle externo que entender cabíveis, especialmente quanto à regularidade das contratações temporárias realizadas pelo Município de Japurá/AM no âmbito da Secretaria Municipal de Educação, observância dos requisitos editalícios, legalidade da despesa de pessoal e eventual utilização de recursos vinculados à educação. Comunique-se ao Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas — MPC/AM, com remessa das principais peças dos autos, para ciência e avaliação quanto à adoção de providências no âmbito de suas atribuições, especialmente diante da possível violação às normas de pessoal, ao controle de legalidade de contratações temporárias e à regularidade da aplicação de recursos educacionais”, disse o promotor em outro trecho do documento.

Em resposta, a Secretaria Municipal de Educação reconheceu a existência de contratações de candidatos com formação de nível médio normal, justificando a medida com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e na necessidade de continuidade do serviço público educacional, após a convocação de todos os candidatos com formação superior disponíveis.

Possível conflito com o edital

Apesar da justificativa apresentada, o Ministério Público destacou que a Administração Pública está vinculada às regras do edital, que têm força normativa no processo seletivo.

Na avaliação preliminar, a Promotoria apontou que eventuais flexibilizações dos critérios de escolaridade exigiriam alteração formal do edital, com publicidade adequada e respeito à isonomia entre os candidatos.

O órgão também ressaltou que não foram apresentados, de forma completa, documentos individualizados de todos os contratados, incluindo comprovação de escolaridade e cópias integrais dos contratos temporários, o que dificultou a verificação integral da regularidade das contratações.

Indícios de possíveis irregularidades

Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos até o momento indicam possível desconformidade entre o edital e as contratações efetivamente realizadas, o que pode caracterizar violação aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, isonomia, publicidade e vinculação ao instrumento convocatório.

O MP também aponta potencial impacto financeiro, caso haja pagamentos com recursos públicos a servidores contratados sem o cumprimento dos requisitos exigidos, inclusive com possível uso de verbas vinculadas à educação, como o Fundeb.

Ação judicial e medidas propostas

Diante do conjunto de informações, o Ministério Público determinou a elaboração de minuta de ação civil pública com pedido de tutela de urgência contra o Município de Japurá.

Entre as medidas propostas estão a apresentação da lista completa de contratados, contratos temporários, documentos de escolaridade e a suspensão de novas contratações ou renovações que não atendam aos requisitos do edital.

A Promotoria também sugere que, caso sejam confirmadas irregularidades, haja revisão administrativa dos contratos e eventual anulação de contratações em desconformidade, com substituição por candidatos devidamente habilitados.

Além disso, o MP prevê comunicação ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), ao Ministério Público de Contas (MPC-AM) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), para acompanhamento e eventual adoção de medidas de controle externo.

Próximos passos

O Ministério Público determinou o envio de cópias integrais do processo para instrução da ação judicial e informou que o caso seguirá para a esfera do Judiciário, com pedido de medidas urgentes para garantir a regularidade das contratações na rede municipal de ensino.

Até o momento, o Município de Japurá ainda não se manifestou sobre a decisão ou sobre eventuais medidas corretivas a serem adotadas.

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