Nos últimos anos, o termo “narcisista” passou a fazer parte de inúmeras conversas nas redes sociais, nos relacionamentos e até mesmo no ambiente familiar. Porém, é importante compreender que o narcisismo vai além de comportamentos ligados apenas à vaidade ou ao ego elevado.
O Transtorno de Personalidade Narcisista envolve padrões persistentes de grandiosidade, necessidade excessiva de admiração e dificuldades importantes no desenvolvimento da empatia, conforme descrito no DSM-5-TR.
Na prática clínica, muitas pessoas chegam emocionalmente esgotadas após vivenciarem relações marcadas por manipulação psicológica, desvalorização emocional e sentimentos constantes de culpa. Frequentemente, essas vítimas passam a duvidar de si mesmas, da própria percepção e até da própria capacidade emocional.
Relações com indivíduos narcisistas costumam apresentar ciclos emocionais desgastantes. Em alguns momentos, há excesso de atenção e aproximação. Em outros, surgem críticas, distanciamento afetivo, frieza emocional e controle psicológico. Esse padrão pode gerar sofrimento emocional significativo.
Sob a perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental, pensamentos, emoções e comportamentos estão profundamente conectados. Segundo Aaron T. Beck, experiências emocionais repetitivas podem fortalecer crenças negativas sobre si mesmo, favorecendo insegurança emocional, baixa autoestima e dependência afetiva.
A Neuropsicologia também contribui para a compreensão desses relacionamentos. Estudos apontam que indivíduos com fortes traços narcisistas podem apresentar dificuldades importantes relacionadas à empatia afetiva , capacidade de sentir emocionalmente o sofrimento do outro , embora consigam compreender racionalmente determinadas emoções.
Muitas vítimas relatam sentir que suas emoções são constantemente invalidadas, ignoradas ou minimizadas dentro dessas relações.
Relações saudáveis devem ser espaços de segurança emocional, respeito e crescimento mútuo.
Outro aspecto importante é que o sofrimento emocional contínuo pode afetar não apenas a saúde mental, mas também funções cognitivas como atenção, memória e concentração. Em situações prolongadas de estresse psicológico, o corpo e a mente permanecem em constante estado de alerta, favorecendo sintomas ansiosos, exaustão emocional e sofrimento psíquico.
Entretanto, é fundamental evitar generalizações e diagnósticos precipitados. Nem toda pessoa egoísta possui um transtorno de personalidade. O diagnóstico psicológico exige avaliação clínica cuidadosa, ética e baseada em critérios científicos.
O acompanhamento psicológico é essencial tanto para indivíduos afetados emocionalmente por relações disfuncionais quanto para pessoas que apresentam dificuldades relacionadas à personalidade. A psicoterapia auxilia no fortalecimento da autoestima, no desenvolvimento de limites saudáveis e na reconstrução emocional.
Falar sobre saúde mental também é promover conscientização, acolhimento e informação responsável. Reconhecer sinais de sofrimento psicológico pode ser um passo importante para fortalecer vínculos mais saudáveis e buscar ajuda profissional.
Referências
BECK, Aaron T. Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Porto Alegre: Artmed.
BECK, Judith. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva.
Lazinha Florenco Martins
Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Neuropsicologia, Psicologia Hospitalar e da Saúde, Psico-oncologia, Tanatologia, Cuidados Paliativos, Saúde Coletiva, Psicanálise Clínica e Saúde Mental e Atenção Psicossocial.







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