Em Pauta nas redes sociais

Buscar no portal...

Manaus,

Manchete

MPF investiga possível desvio de R$ 920,6 mil destinados à compra de ônibus escolares

Inquérito civil vai apurar aplicação de recursos do FNDE repassados ao município em 2012; Prefeitura e órgão federal deverão apresentar informações sobre prestação de contas
Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para apurar um possível desvio de recursos públicos destinados à aquisição de veículos para o transporte escolar no município de Antônio João, em Mato Grosso do Sul. A investigação envolve R$ 920,6 mil repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em dezembro de 2012, no âmbito do Programa Caminho da Escola.

A abertura do procedimento foi formalizada pela Portaria nº 1, de 17 de agosto de 2026, assinada pela procuradora da República Samara Yasser Yassine Dalloul, em substituição. O inquérito terá prazo inicial de um ano e busca esclarecer se os recursos vinculados ao Termo de Compromisso nº 4164/2012 foram devidamente aplicados e se houve prestação de contas por parte da administração municipal.

Segundo a portaria, o dinheiro foi transferido ao município em 20 de dezembro de 2012. A verba deveria financiar a compra de veículos escolares por meio do Pregão Eletrônico nº 63/2013, do FNDE e do Ministério da Educação (MEC).

Contratos e cobranças judiciais

A apuração teve origem em um inquérito civil instaurado para investigar um possível inadimplemento do Contrato nº 239/2014, firmado entre a Prefeitura de Antônio João e a Mercedes-Benz do Brasil. O documento integra um conjunto de três contratos celebrados pelo município para a aquisição de veículos escolares.

Além da Mercedes-Benz, foram mencionadas as empresas Iveco Latin America, responsável pelo Contrato nº 240/2014, e Man Latin America, vinculada ao Contrato nº 238/2014.

Conforme informações prestadas pela prefeitura no procedimento, os veículos foram entregues e utilizados no transporte escolar. Entretanto, a administração municipal informou que não recebeu o repasse dos recursos do FNDE e que, em razão da falta de pagamento, as empresas fornecedoras ajuizaram ações de cobrança.

A situação levantou dúvidas sobre o destino dos recursos federais transferidos anteriormente ao município e sobre o cumprimento das obrigações relacionadas à aquisição dos veículos.

Falta de prestação de contas

Outro ponto central da investigação é a informação do FNDE de que a Prefeitura de Antônio João não havia prestado contas dos recursos recebidos por meio do Termo de Compromisso nº 4164/2012.

Diante dos elementos reunidos, o Ministério Público Federal considerou necessária a realização de novas diligências para esclarecer eventuais irregularidades e avaliar a adoção de medidas judiciais ou extrajudiciais.

A Promotoria de Justiça da Comarca de Ponta Porã, que acompanhava o caso, declinou da atribuição para que o procedimento passasse à esfera federal, considerando a origem dos recursos envolvidos.

Com a conversão do procedimento preparatório em inquérito civil, a investigação ficará vinculada à 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF.

Órgãos terão prazo para prestar informações

Entre as providências determinadas estão a solicitação de informações ao FNDE e à Prefeitura de Antônio João sobre a prestação de contas dos recursos destinados à compra dos veículos escolares. Ambos deverão responder no prazo de dez dias úteis e encaminhar a documentação comprobatória pertinente.

O MPF também requisitará ao FNDE informações sobre a eventual instauração de uma tomada de contas especial, procedimento utilizado para apurar responsabilidades e buscar o ressarcimento de recursos públicos em determinadas situações de irregularidade.

O Tribunal de Contas da União (TCU) deverá informar se existe tomada de contas instaurada relacionada ao termo de compromisso firmado entre o FNDE e o município.

As respostas dos órgãos deverão contribuir para esclarecer a regularidade da aplicação dos recursos e subsidiar a definição das medidas cabíveis.

A instauração do inquérito civil não significa que o desvio de recursos tenha sido comprovado. A investigação busca reunir documentos e informações para verificar a existência de irregularidades, identificar eventuais responsabilidades e determinar as providências adequadas, caso sejam constatadas ilegalidades.

Leia mais 

Governo prorroga por um mês subvenção de R$ 2,12 ao diesel

 

Clique para comentar

Envie seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *