Convenções partidárias costumam representar o momento em que um projeto político demonstra organização, unidade e capacidade de planejamento. No caso da chapa encabeçada por Maria do Carmo (PL) ao Governo do Amazonas, o que ficou evidente foi justamente o contrário: a definição do vice-governador ocorreu praticamente no caminho da convenção, reforçando a percepção de improviso na principal composição eleitoral da legenda.
A própria confirmação do coronel do Corpo de Bombeiros Mário Aníbal Gomes da Costa Júnior como candidato a vice encerrou uma sequência de especulações que se arrastou até os minutos finais. Nos bastidores, diversos nomes foram cogitados, sinalizando que a decisão esteve longe de ser resultado de uma estratégia consolidada.
O vereador Coronel Rosses (PL) confirmou que também teve seu nome sondado para integrar a chapa. Ao explicar por que permaneceu na disputa para deputado federal, deixou claro que sua decisão seguiu uma orientação política superior.
“A minha trajetória foi escrita ano passado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, dando a ordem para eu ser candidato a deputado federal. Somente ele poderia desfazer isso. Como ele não fez, vou seguir meu caminho. Respeito as decisões, sou disciplinado e sou um soldado. E soldado cumpre ordens”, afirmou.
A declaração evidencia que, dentro do PL, decisões estratégicas continuam fortemente influenciadas pela liderança nacional do partido, reduzindo o protagonismo das lideranças estaduais na definição das próprias candidaturas.
Suplente a peso de ouro
As mudanças, entretanto, não ficaram restritas à chapa majoritária. Também houve alteração na composição da candidatura ao Senado. O empresário Alessandro Bronze substituiu o marqueteiro Kleber Santos como suplente do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), apesar de o próprio parlamentar já ter anunciado anteriormente Kleber para a função.
A troca reforça a impressão de que as definições eleitorais permaneceram abertas até os instantes finais, contrariando o discurso de planejamento normalmente adotado durante as convenções partidárias.
Outro episódio que chama atenção envolve o próprio Kleber Santos. Depois de ser apresentado como suplente, ele chegou a afirmar que aceitava a missão com entusiasmo.
“Recebo esse convite com muita honra e responsabilidade. Minha missão sempre foi construir pontes, dialogar com as lideranças e trabalhar pelo fortalecimento do interior. Agora, ao lado do Capitão Alberto Neto e de Maria do Carmo, quero contribuir para um projeto que apresente soluções para o Amazonas”, declarou.
A rápida mudança de cenário demonstra como decisões políticas podem ser revistas em questão de horas quando prevalecem negociações de última hora.
Reunião
Nos bastidores da política amazonense, as movimentações não terminaram com as convenções. Pessoas próximas ao ex-governador Wilson Lima (União Brasil) relataram que ele teria participado de uma reunião reservada, logo após a convenção do partido, em um escritório no bairro Parque das Laranjeiras. Embora o conteúdo do encontro não tenha sido divulgado, o fato alimenta especulações sobre os próximos movimentos das principais lideranças que disputarão as eleições de 2026.
Em um ambiente eleitoral cada vez mais competitivo, improvisações na formação de chapas podem transmitir insegurança política. Ainda que negociações de última hora façam parte da dinâmica das convenções, mudanças sucessivas em cargos estratégicos acabam levantando questionamentos sobre o grau de coesão interna e a capacidade de articulação de um grupo que pretende governar o Estado.
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