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Empresas chinesas conhecem potencial da Zona Franca de Manaus para integrar cadeia de veículos elétricos

O encontro, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), teve como objetivo aproximar o setor industrial amazonense de empresários chineses e apresentar as vantagens competitivas do modelo.
Texto/Foto: Suframa/Divulgação

Representantes de empresas chinesas ligadas à indústria automotiva conheceram, nesta terça-feira (28), as oportunidades de investimentos e a capacidade produtiva da Zona Franca de Manaus (ZFM) para participar da expansão das montadoras asiáticas no Brasil. O encontro, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), teve como objetivo aproximar o setor industrial amazonense de empresários chineses e apresentar as vantagens competitivas do modelo.

Com o tema “Ampliação do relacionamento – indústria chinesa e Zona Franca de Manaus”, a programação reuniu empresários, executivos brasileiros com atuação na China e representantes de montadoras asiáticas para discutir novas parcerias e possibilidades de negócios entre a indústria chinesa e o Polo Industrial de Manaus (PIM).

O evento foi promovido pela Fieam, pelo Centro da Indústria do Amazonas (Cieam) e pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares (Sinaees). A abertura ocorreu às 9h e foi conduzida pelo presidente da Fieam, Antônio Silva.

A principal oportunidade apresentada aos empresários chineses foi a inserção de Manaus como fornecedora de componentes de maior valor agregado para a nova geração de veículos elétricos, incluindo baterias, displays, painéis eletrônicos e sistemas embarcados.

Um dos palestrantes do encontro foi o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, que destacou que a aproximação entre Amazonas e China surgiu a partir da atuação da multinacional americana Visteon, fabricante de painéis automotivos instalada no Polo Industrial de Manaus e com forte presença no mercado chinês.

Segundo Igrejas, um executivo da companhia que atuou em Manaus e atualmente trabalha na China foi responsável por articular a visita da delegação ao Estado.

“A Visteon na China é muito maior. Ela tem outras divisões. A ideia é mostrar as nossas vantagens e verificar se conseguimos trazer para Manaus outras divisões da Visteon e outros produtos”, afirmou.

Antes da agenda na Fieam, os representantes chineses visitaram a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), onde conheceram informações sobre o funcionamento do modelo industrial e os incentivos oferecidos.

Durante a apresentação, Igrejas destacou a relevância econômica da Zona Franca de Manaus e defendeu que o modelo apresenta segurança para novos investimentos.

“Não é uma coisa pequena. Vamos alcançar um faturamento de aproximadamente US$ 45 bilhões”, disse o secretário.

O titular da Sedecti também afirmou que as mudanças previstas com a reforma tributária devem ampliar a competitividade da ZFM.

“A partir de 2032, nós vamos ser o lugar mais seguro para fazer investimento no Brasil com incentivo fiscal. O único, por sinal”, declarou.

Para Igrejas, o momento de expansão das empresas chinesas no setor automotivo representa uma oportunidade para atrair novos empreendimentos ao Amazonas.

“Vamos ver se uma boa parte dos investimentos que eles fizeram na China também pode ser feita aqui na ZFM”, afirmou.

Conexão entre Manaus e China

A aproximação entre empresários chineses e o Polo Industrial de Manaus teve como um dos principais articuladores o executivo da Visteon Sérgio Capela, que atualmente vive em Xangai e responde por quatro fábricas da companhia na China.

Com experiência no setor industrial amazonense, Capela chegou a Manaus em 1996 e trabalhou em empresas como Gradiente, Philips e Nokia. Também foi gerente da fábrica da Visteon na capital amazonense antes de assumir funções internacionais na companhia.

Atualmente, o executivo atua na conexão entre montadoras chinesas e empresas instaladas na Zona Franca de Manaus.

“Nós criamos essa oportunidade de comunicação e de conexão entre as empresas chinesas e o polo industrial de Manaus”, afirmou.

Segundo Capela, a missão empresarial tem como objetivo apresentar aos investidores chineses os incentivos fiscais do modelo e a estrutura industrial já existente no Amazonas.

“Temos essa missão de trazer as empresas chinesas para cá, para realizar conversas de negócios e rodadas de discussão sobre os incentivos fiscais, as montadoras automotivas chinesas, o polo industrial de Manaus e a Suframa”, disse.

O executivo avaliou que a transformação da indústria automotiva mundial, com a transição dos veículos movidos a combustão para os elétricos, abre uma oportunidade estratégica para o Amazonas.

“O polo industrial de Manaus tem uma grande oportunidade, porque está havendo uma transição cada vez mais acelerada dos veículos a combustão para os veículos elétricos”, afirmou.

Capela destacou que a experiência do Polo Industrial de Manaus no segmento eletroeletrônico pode favorecer a entrada do Estado na nova cadeia produtiva.

“As baterias, os displays e uma gama de produtos eletroeletrônicos feitos no Polo Industrial de Manaus casam muito bem com as necessidades dos veículos elétricos chineses”, declarou.

Defesa da competitividade da Zona Franca

Durante o encontro, representantes do setor produtivo também ressaltaram articulações recentes para garantir a competitividade da Zona Franca de Manaus. A atuação conjunta da Fieam, Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades contribuiu para a revisão de um entendimento da Receita Federal relacionado ao tratamento tributário do modelo.

A mudança foi formalizada por meio da nota Cosit/Sutri/RFB nº 207/2026, que revogou a nota Cosit nº 141/2026 e afastou a aplicação de redução linear sobre a alíquota zero de PIS/Cofins nas operações destinadas às indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus.

Segundo a interpretação apresentada pela Receita Federal, o tratamento diferenciado da ZFM está relacionado à proteção constitucional do modelo e não deve ser considerado um benefício fiscal comum.

A expectativa do setor industrial amazonense é que a segurança jurídica e a aproximação com novos mercados, especialmente o chinês, contribuam para ampliar investimentos e fortalecer a participação do Polo Industrial de Manaus na cadeia global de tecnologia e mobilidade elétrica.

*Com informações do BNC

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