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Ator de “The Pitt” revela câncer de amígdala associado ao HPV e reforça alerta sobre prevenção entre homens

Caso de Moshe Kasher chama atenção para o aumento dos tumores de orofaringe relacionados ao vírus e destaca importância da vacinação e do diagnóstico precoce
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Divulgação

O ator e comediante Moshe Kasher, conhecido por sua participação na série “The Pitt”, revelou recentemente que foi diagnosticado com câncer nas amígdalas associado ao HPV. O artista compartilhou detalhes do tratamento nas redes sociais e aproveitou a visibilidade do caso para alertar sobre a relação entre o vírus e o desenvolvimento de tumores, especialmente entre homens mais jovens.

Ao falar sobre o diagnóstico, Kasher contou que percebeu um caroço na garganta e precisou passar por cirurgia para retirada do tumor. O ator também reforçou a importância da prevenção ao compartilhar uma mensagem aos seguidores: “A má notícia é que o câncer de amígdala associado ao HPV é uma epidemia entre homens com menos de 55 anos. Façam exames e vacinem seus filhos.”

Embora o câncer do colo do útero seja a doença mais conhecida relacionada ao HPV, o vírus também está associado a tumores de cabeça e pescoço, principalmente na região da orofaringe, que inclui estruturas como amígdalas, base da língua e paredes da faringe. Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), com dados de 15.391 pacientes do Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo, mostrou aumento do risco de câncer de boca e orofaringe associados ao vírus entre homens e mulheres jovens com até 39 anos.

No Brasil, o cenário também exige atenção. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 12.260 novos casos de câncer da cavidade oral e orofaringe por ano no triênio 2026-2028. Estudos apontam ainda que, entre 2030 e 2040, o HPV poderá estar relacionado a aproximadamente metade dos casos de tumores de orofaringe, enquanto a outra metade estará associada principalmente ao tabagismo.

“O aumento dos casos de tumores de orofaringe relacionados ao HPV reforça a importância de ampliar a informação sobre prevenção, principalmente entre os homens. A vacinação e o acompanhamento médico são estratégias fundamentais para reduzir o risco de desenvolvimento desses tumores”, explica Isabella Favato, oncologista da Oncoclínicas.

Entenda o câncer de amígdala e a importância do diagnóstico precoce

As amígdalas, também chamadas de tonsilas palatinas, fazem parte da orofaringe e são estruturas localizadas na parte posterior da boca, compostas por tecido linfóide, que atua na defesa do organismo contra infecções. Apesar de exercerem uma função importante no sistema imunológico, também podem ser uma região de desenvolvimento de tumores malignos.

“O câncer de amígdala é um dos possíveis tumores que podem surgir na orofaringe. Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo de álcool e a infecção pelo HPV, que pode estar relacionada ao desenvolvimento da doença”, explica Isabella Favato.

O HPV é um vírus que pode infectar a pele e as mucosas genital, oral e anal. Embora muitas pessoas consigam eliminar a infecção naturalmente por meio do sistema imunológico, em alguns casos o vírus permanece no organismo por anos e pode provocar alterações celulares que favorecem o desenvolvimento de tumores.

A vacinação contra o HPV está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos e é uma das principais formas de prevenção contra diferentes tipos de câncer associados ao vírus, incluindo tumores de colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. O uso de preservativos nas relações sexuais também contribui para reduzir o risco de transmissão.

Os sinais do câncer de amígdala podem variar conforme o estágio da doença. Em fases iniciais, os sintomas podem ser mais difíceis de identificar, mas alterações persistentes devem ser investigadas.

“Alguns sinais e sintomas, como dor persistente ao engolir, dificuldade para engolir, sangramento, sensação de massa ou inchaço na garganta, dor de ouvido ou presença de caroços no pescoço devem chamar a atenção. Nesses casos, é importante buscar um profissional capacitado para avaliação”, orienta Isabella Favato.

Diferentemente do câncer do colo do útero, atualmente não existe uma estratégia de rastreamento populacional para os tumores de orofaringe relacionados ao HPV. Por isso, a atenção aos sintomas persistentes e a busca por atendimento especializado são essenciais.

O tratamento do câncer de amígdala depende do estágio da doença e pode envolver diferentes abordagens, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Quando identificado em fases iniciais, o tumor apresenta maiores possibilidades de controle e melhores perspectivas de tratamento.

“O tratamento inicial do câncer de amígdala varia conforme o estágio da doença. Nos casos mais precoces, normalmente são utilizadas cirurgia ou radioterapia, com alto potencial de cura. A definição da melhor estratégia depende das características de cada paciente e deve ser feita por uma equipe especializada”, finaliza Isabella Favato.

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