A reunião do governador Roberto Cidade (União Brasil) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira (10), em Brasília, produziu uma imagem difícil de ignorar: o candidato de um grupo que passou os últimos anos orbitando o bolsonarismo agora procura justamente Lula para obter apoio.

No Amazonas, o União Brasil é comandado pelo bolsonarista declarado Wilson Lima, que estruturou uma das maiores bases partidárias do Estado e conduziu a legenda até a eleição indireta que levou Roberto Cidade ao Governo em maio. Cidade foi eleito governador com apoio integral da Assembleia e assumiu como herdeiro político direto da gestão Wilson Lima.
A aproximação com Lula chama atenção também pelo momento eleitoral. Até os últimos dias de consolidação das candidaturas, forças do PL e do União Brasil tentaram as chapas no Amazonas, o que não aconteceu. Maria do Carmo rejeitou Roberto Cidade.
A visita a Brasília ocorreu apenas um dia depois de Cidade não participar do primeiro debate entre candidatos ao Governo do Amazonas, realizado pela Band. Sua campanha alegou orientação jurídica e afirmou que o governador só participará de debates depois do início oficial da campanha, em 16 de agosto. A Band, porém, realizou debates para governos estaduais em diversas unidades da Federação no dia 9, dentro de seu calendário eleitoral nacional.
A contradição de Cidade
É justamente essa sequência que abre espaço para a crítica política: Cidade não quis enfrentar os adversários no primeiro confronto direto da eleição, mas viajou a Brasília para buscar apoio do presidente que está no campo político adversário ao grupo que o levou ao governo.
O contraste está no discurso político. Se durante anos o grupo governista amazonense se apresentou majoritariamente identificado com a direita e com setores bolsonaristas, a campanha de Cidade agora parece apostar numa proximidade com o governo Lula em buscar de tentar fortalecer a própria campanha.





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