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Ex-prefeita e ex-secretário são investigados por extração irregular de saibro

Apuração aponta possível retirada de material mineral sem licença em área da União; investigação também envolve o Município de Tarauacá
Foto: PF

A ex-prefeita de Tarauacá e um ex-secretário municipal de Obras são investigados por possível extração irregular de material saibroso em uma área pertencente à União, localizada na zona urbana do município, no Acre.

A investigação também envolve o Município de Tarauacá e apura possíveis danos ambientais e a retirada de recurso mineral sem licença ambiental e sem título minerário. A área é administrada pelo 61º Batalhão de Infantaria de Selva, do Exército Brasileiro.

O caso teve origem em um procedimento instaurado após a morte de um adolescente, em 12 de junho de 2022. A vítima foi soterrada em um barreiro situado na área do Exército e explorado pelo Município de Tarauacá.

Durante as apurações, o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) lavrou dois autos de infração, aplicou multa e determinou o embargo da atividade. Relatório técnico do órgão apontou a exploração de jazidas sem a licença ambiental necessária.

Extração de material

Laudo da Polícia Federal estimou em aproximadamente 19,6 mil metros quadrados a área diretamente afetada pela exploração. O volume de material retirado teria alcançado pelo menos 10,2 mil metros cúbicos de saibro, avaliado, como referência mínima, em R$ 372,4 mil.

O documento também registrou a ausência de medidas de recuperação da área, a existência de processos erosivos e a necessidade de elaboração de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) ou instrumento equivalente.

A investigação busca esclarecer a participação da então prefeita M. e do então secretário municipal de Obras A. na exploração do material mineral, além da eventual responsabilidade do Município de Tarauacá.

Os nomes dos investigados aparecem abreviados na portaria que formalizou a apuração.

Investigação continua

A apuração foi convertida em inquérito civil por meio da Portaria nº 33/19º Ofício/PR-AM/Amazônia Ocidental, assinada em 7 de agosto de 2026 pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha.

Segundo o documento, os elementos reunidos até o momento não são suficientes para o arquivamento do caso nem para o ajuizamento imediato de uma ação civil pública. A investigação deverá continuar para reunir novas informações sobre os danos ambientais e a eventual necessidade de reparação.

Uma nova vistoria também foi solicitada ao Instituto de Meio Ambiente do Acre. O objetivo é verificar o estado atual da área e identificar quais medidas ainda são necessárias para a recuperação do local.

A última avaliação técnica presencial ocorreu em setembro de 2023.

Outro lado

A reportagem não teve acesso, até a publicação, às manifestações da ex-prefeita, do ex-secretário municipal de Obras e do Município de Tarauacá sobre os fatos investigados.

Os citados poderão apresentar esclarecimentos durante o andamento da apuração. O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos.

A matéria poderá ser atualizada caso os investigados ou o Município encaminhem posicionamento.

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