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Hissa Abrahão critica facções e diz que Brasil vive ‘crise de soberania’ em podcast

Ex-deputado federal participou do “Papo Caboco” e fez duras declarações sobre segurança pública, política e criminalidade no país
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O ex-deputado federal Hissa Abrahão fez críticas contundentes à escalada da criminalidade no Brasil e ao avanço de facções criminosas durante entrevista ao “Podcast Papo Caboco”. Em tom incisivo, ele afirmou que o país já perdeu, em parte, sua capacidade de garantir segurança e soberania.

“O Brasil é para a Europa, assim como o Rio de Janeiro é para nós, a referência em criminalidade. O Brasil é para a Europa o Uber da cocaína”, disse. Segundo ele, o país ocupa posição central no tráfico internacional e também no consumo de drogas.

Hissa afirmou ainda que o problema ultrapassou o tráfico de drogas. “Começou com cocaína, foi pro cigarro, foi pra arma. Aí você tem tráfico ilegal de armas, tráfico ilegal de cigarros, madeira e garimpo”, declarou.

O ex-parlamentar também fez críticas à atuação do Estado e à sensação de insegurança nas periferias. “A população pobre já não confia mais nos políticos. Ela está fazendo amizade com o crime, porque quer chegar em casa e sair viva”, afirmou. Ele acrescentou: “Os poderosos estão frouxos, covardes, em conchavo com facções como PCC e CV”.

Para Hissa, o país enfrenta uma crise estrutural. “A gente não tem mais soberania. O que é soberania? É um Estado de direito, um povo livre, um território onde você possa ir e vir. Isso não existe mais como deveria existir”, disse.

Críticas à política e à gestão pública

Ao comentar o cenário político atual, o ex-deputado disse sentir falta de maior enfrentamento no Legislativo. “Hoje a gente tem uma Assembleia do Amazonas praticamente sem oposição. Nunca visto antes na história”, afirmou.

Ele também criticou a execução de políticas públicas no Estado. “A gente tem escolas no interior sem reforma, sem ajuste. Eu não vi um hospital de referência no interior do Amazonas para atender a calha dos rios”, disse.

Segundo Hissa, o problema central é a falta de resultados proporcionais ao volume de recursos públicos. “São bilhões no orçamento ao longo dos anos. Isso é muito dinheiro. O que foi feito? A minha régua é alta porque eu sei o que dava pra fazer com isso”, afirmou.

Passagem pela Câmara dos Deputados

Ao relembrar sua atuação como deputado federal, Hissa afirmou que viveu um período de instabilidade política no Congresso. “Foram quatro anos só de caos. Não tinha como falar de segurança, educação ou cultura”, disse.

Ele mencionou episódios de votações marcantes, como o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Votei a favor e no dia seguinte estava expulso do partido”, contou.

Hissa disse ainda que suas decisões foram pautadas pelo que considerava interesse público. “Todas as minhas votações foram coerentes com os anseios da população. Muito difícil”, afirmou.

Trajetória política e eleições

O ex-parlamentar também comentou sua trajetória eleitoral e alianças políticas ao longo dos anos. Ele citou a disputa de 2018, quando apoiou o então candidato Ciro Gomes. “Tenho admiração e respeito enorme pelo Ciro. Ele frequentava minha casa”, disse.

Hissa afirmou que mudanças no cenário político e na comunicação influenciaram diretamente as eleições recentes. “O Bolsonaro ganhou a eleição de 2018 no Facebook e no YouTube. A internet veio pra ficar”, declarou.

Início na vida pública

Durante a entrevista, Hissa relembrou ainda o início da militância estudantil em Manaus. “Eu era muito pra frente, participava de movimento, de debate, de estratégia”, disse.

Ele contou episódios de protestos estudantis contra aumento de tarifas de ônibus. “A gente parava o Centro de Manaus com 10 ou 15 jovens. Não passava ônibus nenhum”, afirmou.

O ex-deputado disse que não imaginava seguir carreira política naquele período. “Eu não tinha essa ideia de ser político. Era luta, era participação”, declarou.

Encerramento

Ao longo da entrevista, Hissa Abrahão fez um balanço pessoal de sua trajetória e afirmou que enfrentou resistência ao longo da carreira. “Se chorei ou se sorri, o importante é que eu lutei. Tudo valeu na minha vida”, disse.

 

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