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Lazinha Martins

Transtornos mentais impactam milhões de anos de vida saudável no Brasil

Estudo evidencia carga significativa dos transtornos psicológicos na população
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crédito: Freepik

Um levantamento recente divulgado com base em dados de saúde pública aponta que os transtornos mentais representam uma das principais causas de perda de anos de vida saudável no Brasil, alcançando aproximadamente 8,7 milhões de anos vividos com incapacidade.

O dado evidencia a magnitude do impacto das condições psíquicas na funcionalidade global da população.

Esse cenário reforça o entendimento de que os transtornos mentais não se restringem ao sofrimento emocional, mas afetam diretamente o desempenho cognitivo, social e ocupacional dos indivíduos.

Sob a perspectiva da Psicologia Cognitiva, autores como Daniel Kahneman (1973) destacam que a atenção humana é um recurso limitado e suscetível à sobrecarga.

Nesse sentido, estados persistentes de ansiedade e depressão podem comprometer a capacidade de concentração direta (foco intencional em uma tarefa) e indireta (processamento automático de estímulos ambientais), interferindo na tomada de decisão, produtividade e regulação emocional.

Além disso, a teoria do estresse de Lazarus e Folkman (1984) contribui para a compreensão desse fenômeno ao propor que o impacto psicológico depende da forma como o indivíduo avalia e enfrenta as demandas do ambiente.

Quando os recursos de enfrentamento são insuficientes, há maior vulnerabilidade ao adoecimento mental, o que ajuda a explicar parte da carga observada nos dados populacionais.

Do ponto de vista da saúde coletiva, a elevada prevalência desses transtornos também revela desigualdades no acesso ao cuidado e a necessidade de fortalecimento das redes de atenção psicossocial.

Fatores sociais, econômicos e ambientais atuam como moduladores importantes do sofrimento psíquico, configurando um problema de natureza multifatorial.

Análise em Psicologia da Saúde e Neuropsicologia

A partir da prática clínica e dos referenciais da Psicologia da Saúde e da Neuropsicologia, compreende-se que os transtornos mentais envolvem alterações integradas entre cognição, emoção e comportamento, com possíveis repercussões funcionais em processos como atenção, memória de trabalho e funções executivas.

Na abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental, conforme Aaron Beck (1976), padrões disfuncionais de pensamento influenciam diretamente a manutenção dos sintomas emocionais, reforçando a importância de intervenções estruturadas e baseadas em evidências científicas. Em paralelo, a Neuropsicologia contribui para a compreensão dos impactos funcionais dessas condições no cotidiano, especialmente no desempenho cognitivo e adaptativo.

Nesse contexto, destaca-se a relevância de uma atuação integrada em saúde mental, que contemple não apenas o tratamento dos transtornos, mas também estratégias de prevenção, promoção de saúde e fortalecimento da qualidade de vida da população, considerando a complexidade dos fatores biopsicossociais envolvidos.

 

Referências

BECK, Aaron T. Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. New York: International Universities Press, 1976.
KAHNEMAN, Daniel. Attention and Effort. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1973.
LAZARUS, Richard S.; FOLKMAN, Susan. Stress, Appraisal, and Coping. New York: Springer, 1984.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Relatórios sobre saúde mental e carga global de doenças.

 

 

Lazinha Florenco Martins é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Neuropsicologia e Saúde Mental e Atenção Psicossocial, com atuação em Psicologia Clínica, Psicologia Hospitalar e da Saúde, Tanatologia e Psico-oncologia.

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