O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta quinta-feira da celebração de Sete de Setembro, o primeiro de seu novo mandato, ao lado de autoridades dos Três Poderes e a cúpula das Forças Armadas. O desfile cívico-militar que acontece na Esplanada dos Militares tem o tema “democracia, soberania e união”, numa tentativa de desvincular a comemoração da independência do país das ameaças golpistas que marcaram a data ao longo do governo de Jair Bolsonaro.
Lula acompanha o desfile ao lado dos presidentes do Congresso, Rodrigo Pacheco, e do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber. A cerimônia teve início com a chegada do presidente no Rolls Royce presidencial, acompanhado da primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja, que vestiu vermelho — cor do PT — e fez o sinal do “L” com os dedos a apoiadores, numa alusão ao símbolo usado para identificar o voto em Lula na campanha eleitoral.
Roteiro: Veja o que está previsto
- Passagem das tropas das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea)
- Apresentação de escolas públicas do Distrito Federal
- Apresentação de profissionais do Corpo de Bombeiros
- Show aéreo da Esquadrilha da Fumaça, da FAB
O evento também reúne a maioria dos ministros do governo, como Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), José Múcio Monteiro (Defesa), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Marina Silva (Meio Ambiente), Jader Filho (Cidades), Renan Filho (Tranportes) e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Um dia após perder o comando do Ministério do Esporte, a ex-jogadora de vôlei Ana Moser não compareceu à cerimônia.
O presidente espera usar o Sete de Setembro para fazer um aceno às Forças Armadas, além de pregar a união do país. O evento acontece em meio a uma tensão com os militares por causa das investigações sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro e a venda de joias recebidas como presente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre as novidades do evento para este ano está uma exposição na Esplanada com uma série de equipamentos das Forças Armadas, como helicópteros, aeronaves, embarcações, tanques de guerra, viaturas históricas, artilharia de defesa antiaérea, radares, simuladores de voos e maquetes.
Ao todo, segundo a estimativa do governo federal, devem participar do desfile a pé cerca de 2 mil militares, sendo aproximadamente 600 da Marinha, mil do Exército e 400 da Força Aérea Brasileira.
Na terça-feira, ao falar sobre o evento de hoje, Lula afirmou que os militares se “apoderaram” do feriado e que a data deixou de ser uma “coisa da sociedade como um todo”. Ele, no entanto, fez um aceno aos fardados, afirmando que é “fissurado no hino da independência”.
O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro foi marcado pela intensa politização das Forças Armadas e pelo uso indevido dos desfiles do Sete de setembro. A cerimônia do ano passado, a última de sua gestão, rendeu a Bolsonaro um processo no TSE por abuso de poder político e econômico, além do uso indevido dos meios de comunicação.
Na ocasião, depois de participar do desfile militar, Bolsonaro subiu em um palanque montado na Esplanada dos Ministérios, cercado por apoiadores, e fez um discurso em tom eleitoral. O ex-presidente estava acompanhado pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro e pelo candidato a vice-presidente na sua chapa, general Braga Netto. Na ocasião, ele pediu para que seus apoiadores votassem e mudassem a opinião de outras pessoas a seu favor.
Em 2021, Bolsonaro usou o feriado da Independência para fazer um discurso golpista com ameaças contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu a desobediência de decisões da Justiça.
— Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou — disse em parte do discurso.
Envie seu comentário