Wilson Lima e Bolsonaro sabiam da situação do oxigênio em Manaus, diz empresa

Wilson Lima e Bolsonaro sabiam da situação do oxigênio em Manaus, diz empresa

Do Correio Braziliense 

Uma das principais fornecedoras de oxigênio aos hospitais de Manaus (AM), a empresa White Martins informou nesta quinta-feira (14) que diante do “crescimento imprevisível e exponencial da demanda” pelo insumo, comunicou no início do ano às autoridades do estado e do governo federal “sobre a alta complexidade do fornecimento de oxigênio medicinal para Manaus, solicitando apoio diante de um cenário extremamente desafiador”.

“Foram apresentadas as necessidades impostas pelo alto grau de criticidade da situação para mobilização de outras empresas, da sociedade em geral e órgãos competentes”, afirmou. A capital entrou em colapso com falta de oxigênio nas unidades de saúde em meio à pandemia da covid-19. O governo estadual anunciou nesta quinta-feira (14) a transferência de 235 pacientes para hospitais em Brasília, Goiás, Piauí, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Em nota, a empresa disse que entre as iniciativas adotadas, realizou reuniões periódicas com o Comitê de Crise do governo do Amazonas e do governo federal, adaptou equipamentos para transporte de oxigênio líquido nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), além de solicitar formalmente o apoio logístico ao Ministério da Saúde.

A empresa relatou que nos últimos 15 dias, houve um aumento em cinco vezes da demanda por oxigênio, chegando a um volume de 70 mil metros cúbicos (m³) por dia. Conforme a companhia, o consumo equivale a quase o triplo da capacidade de produção da unidade em Manaus, que é de 25 mil m3 por dia, “e segue crescendo fora de controle e qualquer previsibilidade”.

Segundo informações da White Martins, na primeira onda da pandemia, entre abril e maio de 2020, o consumo alcançou um pico de volume de 30 mil metros cúbicos por dia. Antes da pandemia, a empresa operava localmente com 50% de sua capacidade, e era suficiente para atender todos os clientes.

Venezuela

Para socorrer a situação atual de Manaus, a empresa informou que identificou “a disponibilidade de oxigênio em suas operações na Venezuela” e está atuando para viabilizar a importação do produto. Além disso, a companhia disse que tem comprado oxigênio de fornecedores locais (aumento de cerca de 35 mil metros cúbicos totais, não diários, até o dia 14 de janeiro).

A empresa pontuou, ainda, que diante da pandemia, já vinha implementando uma operação por vias fluvial e aérea, em cooperação com as autoridades governamentais e as Forças Armadas, para levar oxigênio de fábricas de outros estados. No início de janeiro, a empresa diz que realizou uma operação que permitiu o aumento do volume médio de 22 mil metros cúbicos por dia. “A companhia também já viabilizou o envio de 500 cilindros com suporte da FAB, o que representou um acréscimo de volume de 5.000 metros cúbicos”, informou.

Nesta quarta-feira, o governador Wilson Lima (PSC) falou que tem enfrentado dificuldade logística para abastecer as unidades de saúde com oxigênio. “Desde a semana passada temos um esforço muito grande para complementar a produção que é feita aqui no Amazonas. Para isso, temos contado com o Ministério da Saúde e da Força Aérea Brasileira”, disse.

Segundo informações do governo do Amazonas, o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, coronel Luiz Otávio Franco Duarte, disse que “os aviões da FAB têm condições de manter uma ponte aérea São Paulo-Manaus para complementar a produção de oxigênio em Manaus”. Segundo o coronel, cada viagem de avião tem capacidade de abastecer a capital com 5.000m³.

“Diante do desabastecimento, não só aqui no Amazonas, mas em diversas partes do mundo, nós, preocupados com a situação do estado, abrimos a operação. O consumo diário hoje no Amazonas é de 76.000m³, e temos um déficit diário de 48.000 m³. A matemática é bem objetiva e mostra o esforço do SUS (Sistema Único de Saúde) para equalizar esse item nobre”, afirmou, conforme texto do governo estadual.