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Varejo deve crescer em junho, mas inadimplência em alta acende alerta sobre fragilidade do consumo

Segundo o levantamento, o Varejo Ampliado deve crescer 5,73% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025.
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O comércio varejista brasileiro deve registrar desempenho positivo em junho de 2026, mas o avanço das vendas ocorre em meio a sinais de deterioração da saúde financeira das famílias, o que acende um alerta para o setor. A avaliação é do cruzamento das pesquisas de Projeção de Vendas e de Inadimplência do IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo) em parceria com a FIA Business School.

Segundo o levantamento, o Varejo Ampliado deve crescer 5,73% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025. Já o Varejo Restrito apresenta comportamento mais moderado, com projeção de queda de 0,20% em relação a maio, mas ainda assim crescimento de 2,17% na comparação anual.

Apesar do resultado positivo nas vendas, o estudo aponta piora no nível de inadimplência. A taxa média de atrasos no segmento de Pessoas Físicas com Recursos Livres deve atingir 7,15% em junho de 2026, com risco de alcançar até 7,48%, caso se confirme a tendência de alta observada nos meses anteriores.

Para o professor Claudio Felisoni de Angelo, presidente do IBEVAR e docente da FIA Business School, o cenário exige cautela. “Os dados mostram um consumidor que, embora continue indo às compras em determinados setores, está financiando esse consumo de forma arriscada. O crescimento das vendas, especialmente em bens duráveis, precisa ser relativizado pelo fato de que a dificuldade em honrar esses compromissos financeiros está aumentando de forma perigosa no crédito livre”, afirmou.

Setores puxam crescimento, mas há queda expressiva em papelaria

Entre os segmentos pesquisados, alguns devem sustentar o desempenho positivo do varejo em junho:

Combustíveis e lubrificantes: alta de 8,92%
Móveis e eletrodomésticos: crescimento de 8,48%
Equipamentos de informática e comunicação: avanço de 8,24%
Veículos, motos, partes e peças: alta de 7,85%

Na direção oposta, o setor de livros, jornais, revistas e papelaria deve registrar a maior retração, com queda estimada de 14,80% em relação a junho de 2025.

As projeções do IBEVAR-FIA são elaboradas com base em séries históricas fornecidas pelo Banco Central do Brasil, com recorte iniciado em setembro de 2016.

Mesmo com o crescimento esperado no faturamento de parte do varejo, o avanço simultâneo da inadimplência reforça a percepção de que o consumo no país segue apoiado em crédito mais caro e maior comprometimento da renda das famílias, o que pode limitar a sustentabilidade do ritmo de vendas nos próximos meses.

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