A suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil traz novamente para o debate a segurança de crianças e adolescentes na internet. A decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) acontece após o caso de uma menina de 13 anos, do Estado de Mato Grosso do Sul, tirar a própria vida durante uma live.
Se boa parte da convivência dos estudantes já acontece em jogos, redes sociais, aplicativos de mensagens e comunidades virtuais, ensinar a circular por esses espaços com responsabilidade precisa acompanhar outros temas da vida escolar. O aprendizado envolve privacidade, limites, exposição e a capacidade de identificar situações que exigem atenção.
Segundo Marizane Piergentile, diretora da Rede Adventista de Educação do Vale do Paraíba, composta por nove escolas, esse trabalho deve fazer parte da formação dos alunos de acordo com cada faixa etária. “A escola pode ensinar o aluno a reconhecer uma situação de risco antes que ele precise lidar com isso sozinho. Da mesma maneira que trabalhamos regras de convivência, respeito e cuidado no espaço físico, também precisamos mostrar quais limites devem existir nas relações que acontecem pela internet”, afirma.
A educação digital pode começar por situações próximas da rotina. Em sala de aula, um professor pode apresentar uma mensagem fictícia de um desconhecido pedindo uma foto, perguntando onde o estudante mora ou sugerindo que a conversa continue em outro canal privado. A turma, então, discute quais sinais merecem atenção, que informações devem ser preservadas e como agir diante de uma abordagem desconfortável.
O assunto também pode entrar em disciplinas e projetos já previstos no currículo. Língua Portuguesa pode analisar a linguagem usada em mensagens manipuladoras, enquanto atividades sobre senhas ajudam a introduzir noções de proteção de dados. Projetos de convivência, por sua vez, abrem espaço para discutir cyberbullying, exposição de imagens e responsabilidade sobre conteúdos compartilhados, assim, o tema não fica restrito a palestras distantes e pontuais.
“Educação digital envolve ensinar crianças e adolescentes a pensar antes de compartilhar, reconhecer quando uma conversa ultrapassa o que é aceitável, proteger dados pessoais e saber onde buscar ajuda. Quando essas habilidades entram na rotina pedagógica, a segurança na internet deixa de ser apenas um alerta e se torna parte da formação do estudante”, pontua a gestora escolar.
A responsabilidade também é compartilhada com as famílias. Cabe a eles acompanhar a rotina online e manter o diálogo aberto, enquanto a escola pode assumir uma postura ativa diante de situações que frequentemente repercutem no ambiente escolar. Como os alunos passam boa parte do dia nesse espaço, professores, orientadores e coordenação precisam estar preparados para ouvir relatos, identificar sinais de risco, oferecer canais de escuta e envolver a família quando necessário. A vida digital já faz parte da nossa rotina, e as crianças e adolescentes, que são os chamados nativos digitais, estão bem familiarizados com esse recurso. Por isso, a instituição de ensino precisa considerar essa realidade e auxiliar os estudantes nos novos desafios e riscos que ela lhes traz.
Sobre o Adventista
A Rede Adventista de Educação integra um dos maiores sistemas privados de ensino do mundo, presente em mais de 100 países e formado por milhares de instituições educacionais. No Brasil, a rede reúne centenas de unidades e oferece ensino desde a educação infantil até o superior, com uma proposta pedagógica voltada à formação integral do estudante. O modelo segue a educação confessional, que integra excelência acadêmica à formação baseada em valores.
Tecnologia educacional, desenvolvimento socioemocional e atividades culturais, esportivas e comunitárias fazem parte da rotina com o objetivo de estimular autonomia, pensamento crítico e convivência cidadã no ambiente escolar.
No estado de São Paulo, as unidades são organizadas por regionais administrativas, que acompanham a aplicação do sistema pedagógico e garantem a qualidade acadêmica. No Vale do Paraíba, a rede é coordenada pela Associação Paulista do Vale (APV), que gerencia nove escolas nas cidades de Lorena, Taubaté, São José dos Campos, Jacareí, Guarulhos (duas unidades), Caraguatatuba, Bragança Paulista e Mogi das Cruzes. A décima unidade da regional está em processo de implantação em Atibaia e tem previsão de funcionamento para 2027.
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