Policiais da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) cumpriram mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (29), em Manaus, em endereços ligados aos marqueteiros Jefferson Coronel e George Wilde, que trabalharam na campanha da empresária Maria do Carmo Seffair (PL) ao Governo do Amazonas.
Na capital amazonense, os agentes estiveram em dois endereços no bairro Adrianópolis, na zona centro-sul, onde apreenderam um computador. A operação também conta com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, que realiza diligências em imóveis relacionados a George Wilde.
Segundo informações da Polícia Civil, a investigação tramita sob sigilo e apura a divulgação de vídeos durante a campanha eleitoral do segundo turno com acusações contra o governador eleito Omar Aziz (PSD) e familiares. Um dos conteúdos associa o senador a uma acusação de pedofilia e utiliza imagens dele ao lado da filha, menor de idade. A divulgação motivou uma denúncia apresentada por Omar por possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Maria do Carmo não é investigada, conforme as informações divulgadas sobre a operação. A defesa da ex-candidata também afirmou que não houve cumprimento de mandados em sua residência ou em outros endereços diretamente relacionados a ela.
Omar anunciou intenção de recorrer à Justiça
Após a vitória no segundo turno, realizado no domingo (25), Omar Aziz declarou que pretendia pedir à Justiça a prisão de Maria do Carmo e de outras pessoas que considera responsáveis pela divulgação dos vídeos e pelas possíveis violações ao ECA.
Na votação, Omar recebeu 1.090.351 votos, o equivalente a 59,96% dos votos válidos. Maria do Carmo obteve 728.255 votos, correspondentes a 39,98%.
A investigação policial busca esclarecer a origem dos materiais divulgados, as circunstâncias de produção e circulação dos vídeos e a eventual responsabilidade dos envolvidos. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre possíveis indiciamentos.
Outro lado
Em nota, o advogado Sérgio Roberto Bulcão Bringel Júnior, responsável pela assessoria jurídica de Maria do Carmo, afirmou que a ex-candidata não foi alvo de diligências policiais e não recebeu intimação para prestar esclarecimentos.
Segundo a defesa, Maria do Carmo tomou conhecimento da operação por meio da imprensa e recebeu com surpresa as informações divulgadas.
O advogado também declarou que a empresária repudia ataques envolvendo crianças e adolescentes e afirmou que ela própria e seus familiares foram alvos de ataques durante o período eleitoral.
A defesa acrescentou que Maria do Carmo permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, desde que sejam respeitados o devido processo legal e a presunção de inocência.
Ao final da manifestação, o advogado reiterou que a ex-candidata não pretende se furtar a eventuais questionamentos das autoridades e defendeu que a apuração ocorra sem especulações ou julgamentos antecipados.
A Polícia Civil mantém o caso sob sigilo e não apresentou, até o momento, outros detalhes sobre o andamento das investigações.
Leia mais







Envie seu comentário