O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (29) os resultados da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) 2024, que inaugura uma nova série histórica da pesquisa. A mudança metodológica, motivada pela substituição da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) pelo eSocial e pela adoção de um novo critério para identificação de empresas ativas, também ampliou significativamente a cobertura estatística no Amazonas, que passou a ter todos os seus municípios investigados pela pesquisa. Com a nova metodologia, o comércio amazonense registrou receita bruta de revenda de mercadorias de R$ 84,4 bilhões em 2024.

A pesquisa abrangeu apenas empresas em situação ativa no Cadastro Central de Empresas (Cempre), com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e atividade principal comercial. Foram excluídas da amostra as empresas de reparação de veículos automotores e motocicletas, o comércio ambulante e outros tipos de comércio varejista. Também não participaram da pesquisa os microempreendedores individuais (MEIs), a administração pública e as entidades sem fins lucrativos.
A ampliação da cobertura permitiu um retrato mais abrangente da atividade comercial no estado. O Amazonas contabilizou 14.355 empresas comerciais e 16.732 unidades locais com receita de revenda. A margem de comercialização alcançou R$ 19,6 bilhões, indicador que representa a diferença entre a receita obtida com as vendas e o custo das mercadorias revendidas.
O setor empregava 114.723 pessoas ao final de 2024 e desembolsou R$ 3,33 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. O pessoal ocupado no PAC refere-se ao número de pessoas que trabalhavam nas empresas em 31 de dezembro e recebiam remuneração direta da organização, independentemente de terem ou não vínculo empregatício.

No cenário regional, o Amazonas respondeu por 18,8% da receita bruta de revenda da Região Norte e por cerca de 1% do faturamento do comércio brasileiro. O estado concentrou 21% das pessoas ocupadas no comércio da região, ocupando a segunda posição em número de trabalhadores do setor. Entre os estados nortistas, o Amazonas apresentou a segunda maior receita bruta de revenda, com R$ 84,4 bilhões, atrás apenas do Pará (R$ 194,7 bilhões) e à frente de Rondônia (R$ 83,3 bilhões). O comércio varejista foi o principal segmento da economia comercial amazonense, com receita de R$ 42,8 bilhões, seguido pelo comércio atacadista, que movimentou R$ 31,1 bilhões, enquanto o comércio de veículos automotores e motocicletas respondeu por R$ 10,6 bilhões.

Em todo o país, a Pesquisa Anual do Comércio identificou 1,6 milhão de empresas comerciais, responsáveis por uma receita operacional líquida de R$ 7,7 trilhões e pela ocupação de 10,6 milhões de pessoas. Na Região Norte, a receita bruta de revenda alcançou R$ 449,9 bilhões. O IBGE ressalta que os resultados de 2024 inauguram uma nova série estatística e, por isso, não devem ser comparados diretamente com os anos anteriores, uma vez que refletem tanto as mudanças metodológicas quanto a ampliação da cobertura da pesquisa, especialmente nos estados da Amazônia.
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