O senador Omar Aziz (PSD) intensificou a pressão por mudanças no planejamento urbano de Manaus diante do avanço acelerado da demanda por áreas industriais. Segundo o parlamentar, a falta de espaços disponíveis já provoca uma “hiperinflação” no custo de galpões, ameaçando a instalação de novas empresas no Polo Industrial de Manaus.
De acordo com Aziz, o cenário atual é consequência direta do aumento expressivo de investimentos após a manutenção dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus na reforma tributária. O movimento, articulado pela bancada amazonense no Congresso Nacional, resultou em uma corrida de empresas interessadas em se instalar na capital.
“Não há registro na história de tanta procura. Foram aprovados cerca de 170 projetos entre novos empreendimentos e ampliações, mas não há onde construir”, afirmou o senador.
O aumento da demanda já impacta diretamente o mercado imobiliário logístico. O valor do metro quadrado para locação de galpões chegou a R$ 50, e estruturas de grande porte, com cerca de 20 mil metros quadrados, atingem aluguéis próximos de R$ 1 milhão mensais.
Apesar de classificar o momento como um “bom problema”, fruto do fortalecimento econômico regional, Omar Aziz aponta o Plano Diretor de Manaus, em vigor desde 2014, como o principal entrave. Segundo ele, a legislação está defasada e limita a expansão de indústrias de maior porte, especialmente em áreas consideradas estratégicas para crescimento.
A cobrança foi feita publicamente durante evento realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, onde o senador defendeu urgência na revisão das normas urbanísticas.
Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus confirmam o aquecimento. O número de projetos aprovados pelo Conselho de Administração mais que dobrou recentemente, saltando de uma média de 40 para mais de 80 por reunião.
Representantes do setor industrial alertam que grandes empresas, incluindo grupos farmacêuticos e investidores estrangeiros, já enfrentam dificuldades para encontrar áreas disponíveis, especialmente nas regiões do Distrito Industrial 2 e do Tarumã.
Como alternativa, técnicos da prefeitura avaliam a criação de corredores industriais ao longo das rodovias AM-010 e BR-174. A proposta prevê a liberação de faixas de até mil metros de cada lado das vias para uso industrial, com infraestrutura já existente de energia e gás natural.
A medida poderia destravar novos investimentos de forma mais rápida, sem a necessidade imediata de revisão completa do Plano Diretor — processo que, pelas regras atuais, só poderia ocorrer em 2029.
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