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Nova onda? De subvariante às eleições: covid-19 volta a assustar no Brasil

Ontem, a morte de uma mulher na cidade de São Paulo, contaminada pela subvariante BQ.1, acendeu o alerta de vez. 
Imagem: Carlos Madeiro/UOL

A redução dos casos de covid-19 nos últimos meses deixou a sensação de que a pandemia era coisa do passado. Mas o surgimento de uma nova subvariante, a pouca adesão às doses de reforço das vacinas e as aglomerações na campanha eleitoral dispararam a taxa de transmissão (Rt), aumentando as internações e o risco de uma nova onda às vésperas das festas de fim de ano. Ontem, a morte de uma mulher na cidade de São Paulo, contaminada pela subvariante BQ.1, acendeu o alerta de vez.

A preocupação surgiu primeiro nos hospitais, onde os médicos passaram a atender cada vez mais pacientes com covid. A impressão dos médicos é confirmada pelo aumento da Rt do vírus, que depois de muito tempo voltou a indicar alta na transmissão, segundo a Info Tracker, a plataforma das universidades estaduais paulistas USP e Unesp, que monitora a pandemia.

Estável até o dia 3 de outubro, a Rt começou a subir nos dias seguintes e, um mês depois, ultrapassou o número 1, quando cada doente passa a contaminar mais de uma pessoa. Para que a transmissão do coronavírus seja contida, a taxa de Rt precisa ficar abaixo desse patamar.

Testes confirmam alta e internações aumentam. O reflexo desse aumento já foi notado nos laboratórios de diagnósticos: a positividade saltou de 3,7% no começo de outubro para 23% na primeira semana de novembro, segundo a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica).

Nas farmácias, os testes positivos cresceram 15% entre 17 e 23 de outubro, último dado coletado pela Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias).

A consequência é que o número de pessoas internadas por dia também cresceu. Como o Ministério da Saúde não consolidou os dados nacionais, a Info Tracker colheu os dados no estado de São Paulo, onde as novas internações saltaram de 80, em 17 de outubro, para 168 em 6 de novembro.

“Com o aumento da taxa de transmissão, espera-se aumento acelerado de casos nas próximas duas semanas”, afirmou ao UOL o coordenador da plataforma, Wallace Casaca. “Os óbitos ainda não foram impactados, mas também serão nas próximas duas semanas.”

Por que a covid voltou a preocupar?

Imunidade de vacinados caiu. Infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Rosana Richtmann explica que a última vez que o Brasil dedicou atenção à vacinação foi em junho, durante o último pico da pandemia. “Foi a última vez que a população aderiu em massa à vacinação. Já faz cinco meses, que é o tempo médio de proteção da vacina”, diz ela.

Casaca, da Info Tracker, concorda. Ele lembra que aquele repique começou em maio. “Quem se vacinou naquela época já está vulnerável de novo.”

Baixa imunização de reforço. A situação é ainda mais preocupante entre aqueles que não voltaram para completar o ciclo vacinal ou receber a primeira e segunda dose de reforço. O Vacinômetro do governo federal indica que apenas 16% da população tomou a quarta dose —a segunda do reforço.

E fundamental atualizar a carteira de vacinação e receber a dose de reforço, especialmente os mais vulneráveis: idosos e pessoas com comorbidades [doenças pré-existentes].

Subvariante chega ao Brasil. Depois de identificada no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo confirmou ontem a primeira morte de um paciente após contaminação por uma subvariante, a BQ.1. Uma mulher de 72 anos com comorbidades morreu no dia 17 de outubro depois de uma semana internada no Hospital São Paulo.

Derivadas da variante BA.5, da ômicron, as subvariantes BQ.1 e BQ.1.1 já respondiam por 27% dos casos nos Estados Unidos em 29 de outubro. Na Alemanha, França, Itália, Coreia do Sul e Nova Zelândia, elas elevaram a média de novos casos acima do alto patamar de 300 por 100 mil habitantes, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

A principal característica da BQ.1 é um escape muito maior da proteção das vacinas graças a mutações na proteína spike, localizada na superfície do vírus e responsável por ligá-lo às células do corpo.

Segundo Richtmann, o vírus evolui porque “deseja ganhar na replicação e não necessariamente causar doença grave”. Mesmo conseguindo escapar com mais facilidade dos anticorpos produzidos pelas vacinas, ela diz que “o vírus vai encontrar mais dificuldade em causar mortes e casos graves quanto mais alta for a cobertura vacinal”.

Aglomeração nas eleições. Se não bastasse a redução da imunidade dos brasileiros e a chegada de uma nova versão do vírus, o Brasil abandonou há algum tempo as principais medidas sanitárias, como uso de máscara, em pleno ano eleitoral, quando candidatos reúnem eleitores em passeatas e comícios.

“Houve muita aglomeração antes mesmo do pleito, nas duas semanas que antecederam o voto, o que também acelerou o ritmo de contaminações”, diz Casaca.

“Fui contaminada em uma passeata.” Foi o que aconteceu com a chefe de cozinha Patrícia D’Ávilla, 46, contaminada pela primeira vez no dia 19 de outubro.

“Nesse dia teve uma caminha com o Lula em Porto Alegre, e eu disse: ‘vou’. Foi lá que me contaminei, com certeza”, diz. “Lá pelo dia 23, num sábado, acordei com uma dor forte de cabeça e nos olhos, não era uma gripezinha. Quando acordei, parecia que estava pregada na cama: uma semana com cansaço e dores no corpo.”

Diagnosticada, ficou em isolamento dentro de casa e usou paracetamol para reduzir os sintomas. “Já passou de duas semanas e ainda tenho dor de garganta”, diz.

Meu conselho é evitar aglomeração, principalmente quem tem comorbidade. O bichinho ainda está por aí; a gente não está livre disso. Se tomou vacina, como eu, os sintomas vão passar, mas se não se vacinou, evite tumulto, balada.

Vai ter nova onda? 

Casaca prefere chamar o aumento de casos de repique, uma vez que a gravidade dos casos é menor do que no passado, com menos internações e mortes. Já a infectologia Richtmann diz que “chamaria de uma nova onda, mesmo que uma marola”, em razão do aumento de casos, da chegada das festas de fim de ano e da flexibilização das medidas sanitárias.

“Não quero assustar ninguém porque a gravidade dos casos é mesmo muito menor, mas temos uma tendência”, diz Richtmann. “É indiscutível que o número de casos está francamente aumentando. Ontem [7/11] à tarde, só vi covid no consultório.”

O que fazer agora? “Os vírus mudam, mas as recomendações são as mesmas: o grande vilão de transmissão são nossas mãos: sempre faça a higienização com álcool em gel ou sabão para diminuir a possibilidade de contaminação do ambiente e de se contaminar”, diz a médica.

Recomendo aos mais vulneráveis usar máscara em transporte público, principalmente em horários de pico. Se algum familiar estiver sintomático no fim de ano, tenha o bom senso de respeitar os mais vulneráveis e evitar as festas.

 

 

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