O Ministério Público Federal (MPF) converteu em inquérito civil o procedimento que apura o conflito ocorrido em 9 de setembro de 2025 no prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. A investigação vai analisar a atuação da Polícia Militar durante o tumulto, incluindo a entrada de tropas da RONE/Choque no campus e o uso de bombas de efeito moral.
A decisão consta da Portaria nº 166, de 19 de agosto de 2026, assinada pela procuradora regional dos Direitos do Cidadão adjunta Hayssa Kyrie Medeiros Jardim. O procedimento também deverá apurar as circunstâncias do confronto entre palestrantes, estudantes e a direção da universidade, além de possíveis violações à autonomia universitária e aos direitos fundamentais da comunidade acadêmica.
O caso teve origem em um tumulto durante um evento acadêmico realizado no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFPR. Segundo o MPF, havia relatos de que o advogado Jeffrey Chiquini e o vereador Guilherme Kilter, que participariam da atividade, teriam sido expulsos do local por estudantes contrários à presença deles. O episódio teria envolvido agressões físicas e momentos de tensão.
A versão apresentada pela UFPR à época, também mencionada na portaria, é de que o evento havia sido cancelado e que o grupo de palestrantes teria forçado a entrada no prédio, empurrando o vice-diretor do setor. Na sequência, segundo a universidade, houve uma reação considerada desproporcional das forças de segurança contra os manifestantes.
PM no prédio histórico
Um dos principais pontos da investigação será esclarecer em quais circunstâncias a Polícia Militar entrou no prédio da universidade e quem determinou a operação.
O MPF pretende apurar “a legalidade do ingresso das tropas da Polícia Militar (RONE/Choque) no prédio universitário, a origem da ordem para tal operação e a proporcionalidade do uso de força”.
A atuação policial também será analisada em relação ao emprego de equipamentos de controle de distúrbios. A portaria cita especificamente o uso de bombas de efeito moral e afirma que a intervenção resultou em imagens de estudantes feridos.
O inquérito não parte de uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos. A finalidade é reunir elementos para verificar se a intervenção policial foi legal e proporcional diante das circunstâncias registradas naquele dia.
Autonomia universitária
Além da atuação da PM, o MPF pretende avaliar se houve eventual violação da autonomia da UFPR e dos direitos da comunidade acadêmica.
Na portaria, a procuradora destaca a necessidade de preservar a autonomia universitária e a integridade de estudantes e demais integrantes da comunidade acadêmica, em conjunto com a garantia do pluralismo e da liberdade de expressão.
“O objetivo é apurar as circunstâncias do conflito ocorrido entre palestrantes, estudantes e a direção da UFPR”, diz trecho da portaria.
A investigação deverá considerar, portanto, tanto o direito à manifestação e à liberdade de expressão quanto a autonomia da instituição federal para organizar suas atividades e administrar seus espaços.
Investigação
Com a conversão do procedimento preparatório em inquérito civil, o MPF poderá aprofundar a coleta de informações sobre o episódio e adotar novas diligências para esclarecer a dinâmica do conflito.
O procedimento principal é o nº 1.25.000.023997/2025-16. A portaria determina que sejam realizados os registros administrativos e que, após as providências iniciais, os autos retornem para novas deliberações.
A abertura do inquérito civil não significa que tenha sido reconhecida, de forma definitiva, alguma irregularidade por parte da Polícia Militar, da UFPR, dos estudantes ou dos palestrantes. Eventuais responsabilidades dependerão dos elementos que forem reunidos durante a investigação.
Outro lado
A matéria poderá ser atualizada com as manifestações da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Polícia Militar do Paraná, do advogado Jeffrey Chiquini, do vereador Guilherme Kilter e dos demais envolvidos no episódio.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos e informações adicionais dos citados.

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