A inflação chegou a 0,58% em maio, após alta de 0,67% em abril. Embora tenha desacelerado, esse é o maior número para o mês desde 2021, quando chegou a 0,83%. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE, a partir do Índice de preços ao consumidor amplo (IPCA), e veio acima do esperado por analistas de mercado, que projetavam alta de 0,53%.
No acumulado em 12 meses, o índice chegou a 4,72%, voltando a ultrapassar o teto da meta estabelecida pelo Banco Central em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Um dos principais vilões este mês foi o grupo da alimentação, que cresceu 1,33%, correspondendo por metade do resultado do mês. Os alimentos vem mostrando altas sucessivas diante de condições climáticas desfavoráveis somadas aos impactos indiretos da guerra no Oriente Médio, que reduziu a oferta mundial de petróleo e encareceu o preço dos combustíveis e fretes.
Só a alimentação no domicílio já chegou a 1,65%, com as principais altas nos preços vindo da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%). Já pelo lado das quedas, ficaram o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%).
“O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e, também, há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.
Outro item que contribuiu para o avanço da inflação em maio foi a energia elétrica residencial que subiu 3,67% e foi o principal impacto individual no resultado do mês.
“A alta se deu pela combinação de reajustes em algumas áreas e a vigência, no mês de maio, da bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos”, apontou Gonçalves.
Para os próximos meses, a perspectiva dos economistas é de uma inflação que deve continuar pressionada, ainda sentindo impactos do conflito, para além da previsão de um El Ninõ mais forte que o esperado no segundo semestre.







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