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Allan Magalhães

Direitos Humanos In Concert

Allan Carlos Moreira Magalhães, Doutor em Direito Constitucional. Professor Universitário (UEA / UNN / CIESA). Articulista do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais (IBDCult). Advogado da União (AGU). É autor do livro “Patrimônio cultural, democracia e federalismo” e coautor do livro “É disso que o povo gosta: o patrimônio cultural no cotidiano da comunidade”

O esporte é uma das principais formas de interação social entre diferentes povos e culturas. A Grécia antiga celebrava os Jogos Olímpicos [1] como prática esportiva e religiosa, servindo como palco para intercâmbios econômicos, políticos, sociais e culturais entre as diferentes cidades-estado. Nessa época já se percebia que as competições esportivas alcançavam a dimensão das paixões humanas, pois a relevância dos jogos era tanta que as cidades que estivessem em guerra firmavam uma trégua sagrada nos confrontos bélicos, fazendo prevalecer o espírito olímpico de congraçamento entre povos e nações.

Os Jogos Olímpicos na Era Moderna apresentam funções semelhantes, mas com a capacidade de alcançar e envolver simultaneamente todo o mundo por meio das transmissões ao vivo, tornando-se um espaço privilegiado para a difusão de mensagens, já que todos estão atentos ao evento e ao que ocorre ao seu redor. Tanto é assim que o Comitê Olímpico Internacional (COI) proibiu nas Olimpíadas de Tóquio os atletas de realizarem manifestações políticas ou religiosas.

O Super Bowl, jogo anual da principal Liga de Futebol Americano (NFL) e que decide o campeão da temporada nos Estados Unidos, envolve tanto a paixão dos estadunidenses pelo esporte quanto a expectativa pelo Show do Intervalo. Este evento, que já contou com apresentações de artistas como Michael Jackson, U2, Prince, Madonna e Lady Gaga, transformou seus cerca de 15 minutos de duração em um dos espaços mais disputados da indústria do entretenimento.

O Show do Intervalo no Super Bowl 2026 roubou a cena no contexto mundial com a apresentação de Bad Bunny. A performance do artista porto-riquenho foi carregada de simbologias em contraposição a uma política migratória norte-americana violenta e violadora de direitos humanos, que criminaliza a comunidade latina por sua origem. O espaço valioso da indústria, geralmente voltado à divulgação de marcas, também mostrou a riqueza cultural do continente americano e do seu povo.

Bad Bunny, com a sua apresentação, não fez apenas um show de entretenimento, mas deu uma lição sobre direitos humanos. Com sons, ritmos e cores, ele promoveu uma performance inclusiva de todos os países das Américas do Sul, Central e do Norte, desconstruiu a “América” fictícia, egoísta e excludente dos discursos conservadores.

A apresentação foi uma demonstração de como a cultura é uma dimensão da cidadania essencial para a coesão e a inclusão social, geradora de confiança e autoestima em indivíduos, comunidades e nações. Os direitos humanos ganharam vida e movimento para afirmar a diversidade cultural do continente, dotada de uma multiplicidade de identidades, línguas e tradições que se enriquecem mutuamente.

Ao tentar traduzir a mensagem de amor musicada por Bad Bunny para uma linguagem jurídica, encontramos uma defesa poderosa da dignidade humana. A performance reconheceu que cada pessoa possui um valor intrínseco e merece igual respeito, independentemente de sua origem, cor ou religião, reforçando a necessidade de se construir um país, um continente e um planeta para todos.

Assim, no Show do Intervalo, os direitos humanos foram apresentados tanto ao vivo (in concert) quanto corresponderam a um agir em conjunto, uma colaboração harmônica de todos os povos das Américas para que vozes e instrumentos celebrassem um acordo para musicar a dignidade humana.

Notas:

[1] Os Jogos Olímpicos na Antiguidade. National Geographic, [S. l.], 15 jul. 2021. Disponível em: https://www.nationalgeographic.pt/historia/os-jogos-olimpicos-na-antiguidade_2968. Acesso em: 18 fev. 2026.

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