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Cuba admite colapso no abastecimento de combustível e enfrenta apagões de até 22 horas

A crise ocorre em meio ao endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, que desde janeiro mantêm um bloqueio energético contra Cuba e ameaçam aplicar penalidades a países e empresas que comercializem petróleo com Havana.
Foto: Reprodução

O governo de Cuba reconheceu oficialmente que o país esgotou suas reservas de diesel e óleo combustível, agravando a crise energética que já provoca apagões prolongados, paralisação de serviços públicos e aumento da tensão social na ilha.

Em pronunciamento televisionado na quarta-feira (13), o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, afirmou que o sistema elétrico cubano opera em estado crítico. “Não temos absolutamente nenhum óleo combustível, absolutamente nenhum diesel. Não temos mais reservas”, declarou.

Segundo o ministro, o país está aberto a negociações com qualquer fornecedor disposto a vender combustível à ilha. A crise ocorre em meio ao endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, que desde janeiro mantêm um bloqueio energético contra Cuba e ameaçam aplicar penalidades a países e empresas que comercializem petróleo com Havana.

A escassez energética provocou novos protestos na capital cubana. Moradores de Havana foram às ruas na noite de terça-feira para reclamar dos apagões, que já ultrapassam 20 horas diárias em alguns bairros da cidade.

Rede elétrica em colapso

O governo cubano informou que a rede elétrica nacional funciona atualmente apenas com petróleo bruto produzido internamente, gás natural e fontes renováveis de energia. O modelo, porém, é insuficiente para atender à demanda do país.

Cuba instalou cerca de 1.300 megawatts em energia solar nos últimos dois anos, com apoio de empresas chinesas. Entretanto, parte significativa dessa geração é desperdiçada devido à instabilidade da rede elétrica e à falta de sistemas de armazenamento.

A dependência cubana de importações energéticas se agravou após a redução do fornecimento de petróleo pela Venezuela e pelo México, historicamente os principais parceiros energéticos da ilha. Desde o início do bloqueio norte-americano, apenas um carregamento russo de petróleo chegou ao país, em março, com capacidade limitada para aliviar a crise.

Pressão dos EUA aumenta

O presidente Donald Trump ampliou as sanções contra Cuba no início de maio, impondo restrições adicionais a empresas e entidades estrangeiras que mantenham relações comerciais com o país nos setores de energia, defesa, segurança e finanças.

Ao mesmo tempo, o governo norte-americano sinalizou disposição para negociações. Nesta semana, Trump afirmou nas redes sociais que Cuba “está pedindo ajuda” e anunciou que pretende abrir diálogo com Havana. O Departamento de Estado também divulgou proposta de ajuda de US$ 100 milhões condicionada à implementação de reformas no sistema político cubano.

Vigilância militar e temor de escalada

O agravamento da crise ocorre em meio ao aumento da atividade militar norte-americana nas proximidades da ilha. Segundo relatos da imprensa internacional, aviões de vigilância e drones dos Estados Unidos intensificaram voos sobre áreas próximas a Havana e Santiago de Cuba nas últimas semanas.

A movimentação elevou rumores sobre uma possível escalada diplomática e militar envolvendo Cuba, embora autoridades norte-americanas não tenham anunciado qualquer ação formal contra o regime cubano.

Com informações do EL País 

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