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BID Invest: os avanços no Amazonas com foco no desenvolvimento sustentável

Primeiro dia da Sustainabiliity Week 2024 contou com abertura do governador do Amazonas, falas de executivos do BID e painéis pela economia verde
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Leandro Fonseca/Exame

Apoiar o desenvolvimento sustentável, endereçar os desafios das mudanças climáticas e garantir o crescimento econômico com a superação de desigualdades: essas são algumas das metas da Sustainability Week, do BID Invest, braço de investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizada entre 11 e 13 de junho em Manaus.

O evento reúne o setor privado, tomadores de decisão, sociedade civil, especialistas e o governo para discutir como superar os problemas climáticos e garantir soluções baseadas na natureza. A escolha do Amazonas como sede para o evento não foi ao acaso: além da importância da Amazônia para a manutenção do clima e do fornecimento de água para o mundo, é da região que podem surgir oportunidades para uma economia aliada ao meio ambiente.

Durante a abertura do evento, Wilson Lima, governador do Amazonas, deu às boas-vindas ao evento, que recebe por volta de 800 participantes de 40 países diferentes. “O povo da Amazônia fica feliz quando alguém vem aqui para ver a realidade e a complexidade da região. Muito se olha o bioma pela copa das árvores, mas pouco enxergam quem está aqui”, contou.

O governador apontou para parcerias entre o governo e o BID para o desenvolvimento socioeconômico do Estado. “Ao longo de 18 anos de parceria com o BID Invest, foram mais de US$ 1,4 bilhão investidos em saneamento, reassentamento, construção de unidades habitacionais, melhoria das cidades”, explica.

Na cidade de Maués, no interior do Estado, o trabalho de saneamento feito pelo BID levou a um percentual de tratamento de esgoto de 50%, número que antes era 0%. Todos os dejetos eram despejados nos rios e ruas da cidade e hoje passam por um tratamento e destinação correta. “É importante para garantir a saúde em uma das cidades mais longevas do Estado, em que senhores de 70, 80 anos andam de bicicleta pelas ruas”, conta Lima. A cidade também passou a contar com água potável em todas as casas.

Em Parintins, onde ocorre a maior festa folclórica da região Norte, com a celebração do boi-bumbá, o tratamento de esgoto já chega a 25%, além do embelezamento das orlas e igarapés, importância também turística para o Estado. A 57ª edição do festival acontece na última semana de junho e conta com a expectativa de receber 120 mil turistas e movimentar R$ 150 milhões para o Amazonas, de acordo com a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur). Segundo Lima, a região também passou a beber água potável.

“Ninguém está mais interessado em representar a Amazônia do que quem é da Amazônia. A gente precisa de água potável, saúde, educação, comunicação, oportunidades de geração de emprego e renda. Mas não tem como avançar sem fortalecer as atividades econômicas locais e para isso precisamos do setor privado”, aponta o governador.

Escalar impacto

James Scriven, gerente geral do BID Invest, apontou que a ideia é escalar o impacto que já é feito na região. “Manaus é uma cidade como nenhuma outra, tanto em águas, biodiversidade e sustentabilidade. A ideia é que ao longo dos próximos dias todos possam aprender, ouvir e trocar ideias do que poderia estar acontecendo neta região, além de permitir a cocriação em um espaço único”, afirma.

Em coletiva à imprensa, Gabriel Azevedo, diretor geral de estratégia do BID Invest, apontou que há muitos projetos sociais em andamento. “Aprovamos no ano passado a operação com a cooperativa Sicredi em US$ 30 milhões para apoiar projetos liderados por mulheres com componentes específicos para a Amazônia, operações de apoio a energia solar para micro e pequenas empresas. Em Manaus, avançamos na operação para produzir bicicletas elétricas, baterias de lítio e logística no polo industrial. O foco não é o volume de recursos mas a qualidade do impacto, para desenvolver uma relação de confiança com empresas locais e criarmos nosso nome na região”, explica Azevedo.

Scriven também apontou que os olhares se focam em Manaus e no norte do país. “Como o governador apontou nessa manhã, temos uma crença de que precisamos achar um jeito de combinar florestas e desenvolvimento para as quase 50 milhões de pessoas que vivem no bioma. A economia e o meio ambiente devem coabitar de forma positiva, e temos muita esperança de liderar esses projetos no setor privado”, conta.

Sobre a chegada da COP30, que será realizada em Belém no próximo ano, Gabriel apontou que o BID e o BID Invest estão emprenhados em apoiar o Brasil e a realização do evento. “Nós sabemos que é uma agenda ambiciosa, mas acho que a crise climática que estamos experimentando exige ações igualmente ousadas e ambiciosas. Vemos com bons olhos o fato de que o Brasil quer assumir a liderança na agenda”, explica.

Quanto às Rotas de Integração, redes de arranjos produtivos, Azevedo aponta que o presidente do BID, Ilan Goldfajn, se encontrou com a ministra do planejamento, Simone Tebet, e da Fazenda, Fernando Haddad, para demonstrar apoio do BID às rotas, projeto liderado pelo setor público. Das cinco rotas de transição presentes, 3 estão na região Norte. “Conversamos com empresas interessadas no assunto para apoiar projetos de podem impactar a nível comercial e com o governo para garantir efeitos na penetração na floresta”, aponta.

Dia de painéis

Ao longo do dia, painéis debateram a produção aliada da natureza e o papel das empresas e finanças no desenvolvimento sustentável. Ilona Szabo de Carvalho, fundadora do Instituto Igarapé, aponta que conhecer o território é essencial para qualquer ação de investimento. “Investidores e empreendedores precisam levar em consideração as florestas e a população. Hoje vemos indústrias tradicionais buscando transicionar para o mercado descarbonizado, lidam com desafios de custos e competitividade no mercado brasileiro. Não dá para um negócio escolher prejudicar o meio ambiente”, conta.

Mesmo assim, a especialista aponta que o empreendedorismo sustentável esbarra na insegurança do modelo econômico atual e na informalidade dos negócios no Brasil – taxa ainda maior na Amazônia, em 56% versus 37% no restante do país.

Tatiana Schor, líder do BID para a Amazônia, aponta que para que os negócios consigam alavancar, a diferença entre público e privado deve ser quebrada. “Precisamos entender que existe ecossistema. Ambos os modelos devem reconhecer os desafios e oportunidades do território e ouvir qual a melhor maneiro de desenvolvermos a Amazônia”, explica.

Para Acram Isper Jr, diretor da Companhia Amazonense de Desenvolvimento e Mobilização de Ativos (CADA), o avanço das finanças também depende de mitigar os riscos para investidores. “O incentivo para fundos para private partners e blended finances são formas de mostrar que o bioma é um bom lugar para investir, visitar, morar. Não é só uma floresta”. Ele aponta que o investimento em tecnologia — como inteligências artificiais e blockchain para rastrear as arvores e evitar o desmatamento ilegal — é uma arma para o inventário das florestas, unindo a inovação com a proteção ambiental.

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