Em Pauta nas redes sociais

Buscar no portal...

Manaus,

Política

MP Eleitoral apura suspeita de assédio e coação de servidores em hospital

Portaria converte notícia de fato em procedimento preparatório para investigar possível uso de funcionários públicos em campanha eleitoral de Lucas Ribeiro e João Paulo Segundo
Divulgação

A Procuradoria Regional Eleitoral na Paraíba instaurou um Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE) para apurar suspeitas de assédio eleitoral, coação de servidores comissionados e utilização de funcionários públicos durante o expediente em benefício de candidaturas nas Eleições Gerais de 2026. As supostas irregularidades teriam ocorrido no Hospital Regional de Queimadas, no Agreste paraibano.

A medida foi formalizada por meio da Portaria PRE/PB nº 8, de 22 de outubro de 2026, assinada pelo procurador regional eleitoral Marcos Alexandre Bezerra Wanderley de Queiroga. O procedimento investiga possível favorecimento às candidaturas de Lucas Ribeiro ao Governo da Paraíba e de João Paulo Segundo à Assembleia Legislativa.

De acordo com a portaria, a apuração teve origem em uma manifestação registrada na Ouvidoria do Ministério Público da Paraíba (MPPB), sob o número 001.2026.104999, posteriormente encaminhada à Procuradoria Regional Eleitoral pela Promotoria Eleitoral da 59ª Zona Eleitoral, em Queimadas.

Relatos apontam ameaças de exoneração

Conforme os elementos descritos no documento, a direção do Hospital Regional de Queimadas teria pressionado servidores ocupantes de cargos comissionados e funções de confiança, incluindo profissionais ligados a coordenações gerais e ao setor de Recursos Humanos, a participar de reuniões e atos de campanha política.

Entre as práticas relatadas estão a criação de um grupo no WhatsApp denominado “Time Queimadas com Lucas”, o controle de presença dos participantes por meio de listas e fotografias e a exigência de atuação em atividades de campanha durante o horário regular de expediente.

Ainda segundo os relatos que fundamentam a abertura do procedimento, os servidores teriam sido submetidos a constrangimentos e ameaças de exoneração ou demissão caso não atendessem às exigências.

As informações integram o objeto da investigação e ainda deverão ser apuradas pelo Ministério Público Eleitoral. A portaria não representa, por si só, uma conclusão sobre a ocorrência das irregularidades ou a responsabilidade dos envolvidos.

Possíveis infrações eleitorais

A Procuradoria Regional Eleitoral pretende verificar se os fatos se enquadram em duas hipóteses previstas na legislação eleitoral.

A primeira é o abuso de poder político ou de autoridade, previsto no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990. A segunda é a conduta vedada a agente público estabelecida pelo artigo 73, inciso III, da Lei nº 9.504/1997, que trata da cessão ou utilização de servidores públicos em benefício de candidaturas durante o horário de expediente normal, ressalvadas as exceções legais.

Segundo a portaria, há indícios mínimos de autoria e materialidade que justificam o aprofundamento das investigações. A formalização do procedimento permitirá a realização de diligências e a requisição de informações a órgãos da administração pública estadual.

A apuração poderá subsidiar, caso sejam reunidos elementos suficientes, o ajuizamento de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e de representação por conduta vedada perante o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

Prazo e proteção de dados

A portaria determina o cumprimento das diligências já estabelecidas em despacho anterior e prevê a adoção de medidas para proteger dados pessoais e informações sujeitas a sigilo legal ou funcional, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O documento também estabelece prazo para a conclusão do procedimento, com referência ao artigo 62, § 2º, da Portaria PGR/PGE nº 1/2019. O texto da portaria apresenta uma inconsistência ao mencionar, no mesmo dispositivo, “60 (trinta) dias”, indicando divergência entre o número escrito em algarismos e sua expressão por extenso.

A investigação está sob responsabilidade da Procuradoria Regional Eleitoral na Paraíba e tem como finalidade esclarecer as circunstâncias dos fatos relatados e verificar a eventual ocorrência de ilícitos eleitorais durante o processo eleitoral de 2026.

Leia mais

Flávio tem 52% dos votos válidos no 2º turno; Lula, 48%

Clique para comentar

Envie seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *