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Estudo latino-americano redefine como médicos devem monitorar pacientes após traumatismo craniano

Com mais de 20 milhões de casos de traumatismo cranioencefálico por ano no mundo, protocolo pioneiro propõe classificação em níveis de risco e detecção precoce de lesões antes que se tornem irreversíveis
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Um grupo de especialistas publicou o primeiro consenso latino-americano dedicado a redefinir e estratificar o conceito de deterioração neurológica (neuroworsening ) após o Traumatismo Cranioencefálico (TCE). Para ter uma ideia da importância do tema, vale destacar que todos os anos são registrados no mundo mais de 20 milhões de novos casos de Traumatismo Cranioencefálico (TCE) (1).

O estudo, divulgado na revista internacional Neurosurgical Review, propõe uma transição da abordagem médica reativa para uma proativa, com foco na detecção precoce de danos neurológicos antes que se tornem irreversíveis. Entre os autores do consenso estão o neurointensivista argentino Daniel Godoy, o neurocirurgião colombiano Andrés M. Rubiano e o neurocirurgião brasileiro Robson Amorim, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

A nova diretriz estabelece três níveis de alerta para os pacientes vitimas de TCE: piora estabelecida (critérios tradicionais), piora subclínica (parâmetros alterados na neuromonitorização) e alto risco (vulnerabilidades preexistentes). Para sistematizar o diagnóstico da deterioração subclínica, o documento incorpora exames já consolidados na medicina, como a ultrassonografia da bainha do nervo óptico, o doppler transcraniano e a pupilometria quantitativa e o método brain4care.

“A classificação em níveis de alerta permite que o médico aja de maneira precoce e personalizada”, explica Amorim. “Nesse conjunto de ferramentas, o método brain4care destaca-se como uma inovação brasileira pioneira no mundo, que viabiliza a monitorização não invasiva da dinâmica intracraniana de maneira acessível e descomplicada.”

O consenso foi construído sob a metodologia internacional Delphi – técnica estruturada e consolidada de tomada de decisão para obter o consenso de um grupo de especialistas sobre um tema complexo. Além disso, conta com o apoio institucional do NeuroTraumaBrasil, uma força-tarefa nacional de neurocirurgiões dedicada a atualizar e disseminar protocolos médicos. O grupo atua diretamente com a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia para capacitar profissionais e garantir que as melhores práticas de atendimento cheguem a hospitais de todo o país.

Segundo o presidente da entidade, o neurocirurgião Ítalo Suriano, consensos como este são fundamentais para levar as melhores práticas ao dia a dia dos serviços de saúde e ampliar o acesso a um cuidado mais seguro para as vítimas de TCE em todo o país.

Acesse o estudo original:

Godoy, D.A., de Amorim, R.L.O., Paranhos, J.L. et al. Neuroworsening in traumatic brain injury: A consensus of the Latin American Brain Injury Consortium (LABIC) and the Latin American Federation of Neurosurgical Societies (FLANC) expert group. Neurosurg Rev 49, 396 (2026). https://doi.org/10.1007/s10143-026-04284-z

https://link.springer.com/article/10.1007/s10143-026-04284-z

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