A morte da promotora de Justiça Marlinda Maria Dutra de Oliveira, de 58 anos, nesta quarta-feira (19), em Praia do Forte, na Bahia, trouxe à memória um episódio semelhante ocorrido há pouco mais de quatro anos: a morte da também promotora do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) Simone Martins Lima, em Porto Seguro, no sul do estado baiano.
Os dois casos têm em comum a profissão das vítimas, a ligação com o Ministério Público do Amazonas e o fato de as mortes terem ocorrido no litoral da Bahia. A coincidência, entretanto, não significa, até o momento, que exista qualquer ligação entre os episódios.
Marlinda morreu após entrar no mar em Praia do Forte, destino turístico localizado no município de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ela e outra mulher começaram a se afogar. As duas receberam os primeiros socorros ainda na areia, mas Marlinda não resistiu.
A outra mulher foi resgatada por um helicóptero do Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar e encaminhada ao Hospital do Subúrbio, em Salvador. Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre as circunstâncias do afogamento nem sobre o estado de saúde dela.
Marlinda estava na Bahia para participar do 3º Congresso do CONAMP Mulher, encontro que reúne integrantes do Ministério Público brasileiro para discutir a participação feminina e os desafios da carreira. Ela estava hospedada na região de Praia do Forte e participaria do evento na noite desta quarta-feira.
O congresso ocorre no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, em Salvador, até sexta-feira (21). A organização anunciou que prestará homenagem à promotora durante a programação.
Outro caso ocorreu em Porto Seguro
A semelhança com o caso de Simone Martins Lima remonta ao fim de 2021. A promotora morreu após um afogamento durante um passeio no mar em Porto Seguro, onde estava de férias com a família.
Segundo informações divulgadas à época, o episódio ocorreu em 31 de dezembro de 2021. Simone foi socorrida e encaminhada para atendimento médico, mas morreu dias depois, em 5 de janeiro de 2022.
Relatos publicados na época indicaram que Simone passou mal durante um mergulho em uma praia de Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro. Ela foi levada para atendimento médico, mas não resistiu.
Simone ingressou no Ministério Público do Amazonas em 1998, depois de atuar como delegada de Polícia. Ao longo da carreira, trabalhou em diferentes municípios do estado e, posteriormente, exerceu suas funções em Manaus.
Informações sobre o caso de Simone ficaram sem resposta
A semelhança entre os dois episódios ganha outro elemento diante de uma tentativa de apuração feita pelo portal Em Pauta em 18 de agosto de 2022, meses após a morte de Simone.
Na ocasião, a reportagem entrou em contato com a delegacia responsável pela apuração do caso para buscar informações sobre as circunstâncias da morte da promotora.
Entre os questionamentos encaminhados estavam informações relacionadas ao Instituto Médico-Legal (IML), ao registro da ocorrência e às pessoas que acompanhavam Simone no momento do episódio.
Segundo o relato publicado pelo portal, os questionamentos não foram respondidos pela unidade policial.
A ausência de respostas, por si só, não permite estabelecer qualquer relação entre o caso de Simone e a morte de Marlinda. Também não há, até o momento, informação pública que indique que os dois episódios estejam conectados.
Coincidência ou algo a ser investigado?
A repetição de um episódio envolvendo duas integrantes do Ministério Público amazonense, ambas vítimas de afogamento no litoral baiano, naturalmente chama atenção. Mas é necessário distinguir a coincidência dos fatos da existência de indícios que apontem para uma relação entre eles.
Até o momento, não há informação pública que indique que as duas mortes estejam relacionadas ou que a morte de Marlinda tenha sido provocada intencionalmente.
No caso de Simone, as informações divulgadas à época apontaram para um afogamento durante uma atividade no mar. Já no caso de Marlinda, a SSP-BA informou que ela e outra mulher se afogaram e receberam os primeiros socorros, mas não detalhou as circunstâncias do acidente.
Eventuais dúvidas sobre a dinâmica da morte de Marlinda dependerão da apuração das autoridades responsáveis.
Assim, a coincidência entre os casos é um fato que pode ser registrado e contextualizado, mas não há elementos públicos suficientes, neste momento, para afirmar que exista algo suspeito ou uma conexão entre as duas mortes.
MP-AM lamenta nova perda
O Ministério Público do Amazonas confirmou a morte de Marlinda e informou que o corpo será trasladado para Manaus, onde ocorrerá o velório. A instituição manifestou solidariedade aos filhos, familiares, amigos, colegas e servidores.
Marlinda era promotora de Justiça de entrância final e atuava à frente da 41ª Promotoria de Justiça Especializada em Fazenda Pública, em Manaus. Ela dedicou cerca de três décadas à carreira jurídica.
A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) e a Associação do Ministério Público do Estado da Bahia (AMPEB) também lamentaram a morte e informaram que estão prestando suporte à família.
Com a nova tragédia, o Ministério Público amazonense volta a se despedir de uma de suas integrantes em circunstâncias semelhantes às que vitimaram Simone Martins Lima em 2022.
A proximidade entre os casos — separados por pouco mais de quatro anos e ocorridos em diferentes pontos do litoral baiano — chama atenção, mas permanece, até o momento, como uma coincidência sem vínculo comprovado.
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