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Amazonas tem 1,847 milhão de pessoas ocupadas, mas renda média recua na comparação trimestral

Dados da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE em agosto de 2026, mostram um mercado de trabalho aquecido no Amazonas no segundo trimestre
Foto: Divulgação

O mercado de trabalho amazonense encerrou o segundo trimestre de 2026 com sinais de melhora na comparação com o início do ano, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No segundo trimestre de 2026, a taxa de desocupação no estado ficou em 7,5%, ante 8,3% do primeiro trimestre; uma queda estatisticamente estável, mas que acompanha o aumento do número de pessoas ocupadas. Já na comparação com igual período do ano passado (abril-maio-junho de 2025), quando a taxa estava em 7,7%, o indicador também recuou, mas dentro da margem considerada estável pelo IBGE.

Dez destaques do mercado de trabalho no Amazonas (2º tri/2026 – PNAD Contínua):

Ocupação em alta: 1,847 milhão de pessoas ocupadas no estado, avanço de 85 mil (4,8%) frente ao trimestre anterior.

Desocupação em queda: taxa de desocupação caiu de 8,3% para 7,5% na comparação trimestral.

Nível de ocupação sobe: de 54,9% para 56,9% da população em idade de trabalhar (+2,0 p.p.).

Setor público impulsiona empregos: 327 mil trabalhadores públicos, alta de 29 mil (9,8%) no trimestre.

Emprego com carteira cresce: empregados com carteira no setor privado somaram 461 mil, alta de 5,7% no trimestre.

Empregadores em forte expansão: saltaram de 43 mil para 58 mil em um ano (+34,9%).

Indústria perde postos: único setor com queda significativa, de 238 mil para 206 mil ocupados em um ano (-13,3%).

Informalidade elevada: 51,7% dos ocupados estão na informalidade (955 mil pessoas), 3º maior índice do país.

Renda média recua no trimestre: caiu de R$ 2.840 para R$ 2.771 (-2,4%), mas segue 8,5% acima de um ano atrás.

Subutilização cai fortemente: taxa composta de subutilização recuou de 16,9% para 13,8%, maior melhora do período.

Ocupação cresce e leva mais amazonenses ao mercado de trabalho

O número de pessoas ocupadas no Amazonas somou 1,847 milhão no trimestre encerrado em junho, um avanço de 85 mil pessoas (4,8%) frente aos 1,762 milhão registrados no trimestre anterior; variação classificada como crescimento pelo IBGE. Ante o mesmo trimestre de 2025, quando havia 1,834 milhão de ocupados, o aumento de 13 mil pessoas (0,7%) foi considerado estável.

O nível da ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar, subiu de 54,9% para 56,9% na comparação trimestral, um crescimento de 2,0 pontos percentuais. Já a taxa de participação na força de trabalho — proporção de pessoas ocupadas ou em busca de trabalho — também cresceu, passando de 59,9% para 61,5% (+1,6 ponto percentual).

A força de trabalho total (pessoas ocupadas mais desocupadas) chegou a 1,997 milhões de pessoas, alta de 75 mil (3,9%) frente ao trimestre anterior. O número de desocupados, por sua vez, recuou para 150 mil pessoas, uma queda de 10 mil (-6,3%) na comparação trimestral, considerada dentro da faixa de estabilidade estatística.

Setor público puxa alta do emprego com carteira

Entre as pessoas ocupadas por posição na ocupação, o grupo dos empregados foi o que mais cresceu: passou de 1,059 milhão para 1,117 milhão de pessoas, incremento de 57 mil (5,4%) no trimestre.

O destaque ficou por conta do setor público, que somou 327 mil trabalhadores, alta de 29 mil pessoas (9,8%) frente ao trimestre anterior — o único segmento, junto ao total de empregados, com crescimento estatisticamente significativo dentro da categoria “por posição na ocupação”. Dentro do setor público, o grupo dos empregados sem carteira assinada foi o que mais avançou, com 138 mil pessoas, aumento de 21 mil (17,9%) no trimestre e de 8 mil (6,4%) em um ano.

No setor privado (excluído o trabalho doméstico), o número de ocupados somou 713 mil pessoas, variação estável de 27 mil (4,0%) frente ao trimestre anterior. Os empregados com carteira assinada nesse setor somaram 461 mil pessoas — alta de 25 mil (5,7%) no trimestre —, enquanto os sem carteira totalizaram 252 mil.

Já o trabalho por conta própria, uma das principais formas de ocupação no estado, manteve-se estável em 551 mil pessoas, sendo 500 mil sem CNPJ e 52 mil com CNPJ. O número de empregadores cresceu na comparação anual: eram 43 mil em junho de 2025 e passaram a 58 mil um ano depois, alta de 15 mil pessoas (34,9%) — puxada principalmente pelos empregadores com CNPJ, que saltaram de 26 mil para 40 mil (+50,7% em um ano).

Indústria perde postos de trabalho; transporte e administração pública ganham força

Na análise por setor de atividade, o comportamento foi heterogêneo. A administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais somou 391 mil ocupados, alta de 36 mil pessoas (10,1%) frente ao trimestre anterior — o maior crescimento entre os setores no período. O setor de transporte, armazenagem e correio também se destacou, com 124 mil ocupados, aumento de 14 mil pessoas (12,5%) no trimestre e de 16 mil (14,8%) em um ano.

Na direção oposta, a indústria geral foi o único setor de atividade a registrar queda estatisticamente significativa: caiu de 238 mil ocupados em junho de 2025 para 206 mil um ano depois, perda de 32 mil postos de trabalho (-13,3%). A construção civil também recuou, de 113 mil para 105 mil pessoas ocupadas (-7,6% em um ano), embora dentro da margem de estabilidade estatística.

A agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura seguiu como um dos setores mais dinâmicos, somando 267 mil ocupados — alta de 31 mil pessoas (13,2%) em relação a um ano antes. O comércio e reparação de veículos manteve-se estável, com 322 mil ocupados, assim como os serviços domésticos, que somaram 77 mil trabalhadores.

Informalidade

Mais da metade dos trabalhadores ocupados no Amazonas está na informalidade. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo IBGE, a taxa de informalidade no estado chegou a 51,7% no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 955 mil pessoas trabalhando sem carteira assinada, sem contribuição previdenciária como conta própria ou em outras condições informais.

O percentual coloca o Amazonas como o terceiro estado com maior informalidade do Brasil, atrás apenas do Maranhão (56,9%) e do Pará (55,9%), e à frente da Bahia (50,7%), que fecha o grupo dos quatro estados em que mais da metade da força de trabalho ocupada está fora da formalidade.

O grupo com as maiores taxas é formado majoritariamente por estados do Norte e do Nordeste, regiões historicamente marcadas por maior peso do trabalho por conta própria, informalidade rural e menor presença de grandes empregadores formais.

No extremo oposto do ranking estão Santa Catarina (25,4%), o Distrito Federal (28,7%) e o Mato Grosso do Sul (29,2%), estados com as menores taxas de informalidade do país — todos com índices menos da metade do observado no Amazonas.

Estados de maior peso econômico e industrial, como São Paulo (30,1%) e Paraná (30,5%), também aparecem com taxas bem inferiores à do Amazonas, evidenciando o contraste entre a estrutura do mercado de trabalho nas regiões Norte e Sul/Sudeste do país.

Renda média recua no trimestre, mas ainda supera a de um ano atrás

O rendimento médio mensal real habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas no Amazonas ficou em R$ 2.771 no 2º trimestre de 2026. O valor representa uma queda de R$ 69,00 (-2,4%) em relação aos R$ 2.840 registrados no trimestre anterior, embora a variação seja considerada estável pelo IBGE. Na comparação com igual trimestre de 2025, quando a renda média era de R$ 2.554, o crescimento de R$ 217 (8,5%) também ficou dentro da faixa de estabilidade estatística.

Já a massa de rendimento — soma de tudo o que é pago aos trabalhadores ocupados no estado — somou R$ 4.781 milhões no trimestre, alta de R$ 126 milhões (2,7%) frente ao trimestre anterior e de R$ 376 milhões (8,5%) em relação a um ano antes. O crescimento da massa salarial, mesmo com a renda média em leve recuo no trimestre, reflete o aumento no número de pessoas ocupadas no período.

Subutilização da força de trabalho tem a maior queda do quadro

Os indicadores de subutilização da força de trabalho — que somam desocupados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas na força de trabalho potencial — mostraram a melhora mais expressiva do trimestre. A taxa composta de subutilização caiu de 16,9% para 13,8%, recuo de 3,1 pontos percentuais frente ao trimestre anterior, e de 2,1 pontos percentuais em relação a um ano atrás — ambas as quedas classificadas como estatisticamente significativas pelo IBGE.

O número de pessoas na força de trabalho potencial (aquelas que não procuraram emprego, mas gostariam de trabalhar, ou que procuraram mas não estavam disponíveis) recuou de 126 mil para 94 mil, queda de 31 mil pessoas (-25,0%) no trimestre. Dentro desse grupo, as pessoas desalentadas — que desistiram de procurar emprego por acreditar que não vão encontrar — somaram 41 mil, uma redução de 25 mil pessoas (-38,2%) frente ao trimestre anterior, também considerada significativa.

O percentual de pessoas desalentadas na população em força de trabalho ou desalentada caiu de 3,3% para 2,0% (-1,3 ponto percentual) no trimestre. Já a taxa de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas manteve-se estável, em 2,4%, ante 3,4% no trimestre anterior e no mesmo período do ano passado.

O que os números mostram

Em síntese, o quadro traçado pela PNAD Contínua para o Amazonas no trimestre abril-maio-junho de 2026 aponta um mercado de trabalho em recuperação frente ao início do ano: mais pessoas ocupadas, menos desocupação, menos desalento e menor subutilização da força de trabalho. O avanço, contudo, é puxado majoritariamente pelo setor público e por atividades específicas, como transporte e administração pública, enquanto a indústria segue perdendo postos de trabalho na comparação anual. A renda média dos trabalhadores, embora ainda superior à de um ano atrás, teve leve recuo frente ao trimestre anterior — um ponto de atenção em um cenário de ocupação crescente.

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