A indústria brasileira de motocicletas consolidou seu ritmo de expansão nos primeiros cinco meses de 2026, impulsionada pelo aquecimento do mercado interno e pelo avanço nas vendas externas. De acordo com novos dados divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), as montadoras instaladas no Polo Industrial de Manaus (AM) fabricaram 932.522 veículos entre janeiro e maio deste ano. O volume representa uma alta de 10,1% em comparação com o mesmo intervalo de 2025, consagrando-se como o segundo melhor resultado histórico do setor para este período.
Apenas no mês de maio, as linhas de montagem do Amazonas entregaram 186.714 motocicletas. O número reflete um crescimento de 8,2% na comparação anual e uma leve progressão de 1,3% frente ao mês imediatamente anterior (abril). Segundo a entidade de classe, a manutenção desse patamar elevado sinaliza a solidez do consumo no país, estimulando novos investimentos, a abertura de postos de trabalho e o fortalecimento de toda a cadeia de suprimentos ligada ao segmento de duas rodas.
Preferência nacional: modelos Street mantêm a liderança
No recorte por categorias, os modelos voltados para o uso urbano diário continuam sendo a principal escolha dos motociclistas brasileiros. As motos da categoria Street lideraram o mercado com folga no acumulado do ano, somando 476.422 unidades produzidas, o equivalente a 51,1% do montante nacional. Em seguida, as opções Trail garantiram uma fatia de 20,1%, enquanto as Motonetas responderam por 13% do volume total.
A configuração das preferências se manteve estável durante o mês de maio, período em que as Street registraram 93.170 unidades, seguidas pelas Trail (39.028) e Motonetas (23.800). No entanto, o grande destaque de crescimento percentual no mês ficou com os nichos de maior valor agregado: a produção de modelos Big Trail saltou 44,4%, as opções Crossover subiram 34,9% e as Scooters avançaram 30% em relação a maio do ano passado.
Apesar de representarem uma fatia menor do mercado, as motocicletas com motores de alta cilindrada foram as que apresentaram a maior expansão percentual em 2026. Entre janeiro e maio, a produção dessa categoria cresceu 41,9%, alcançando 27.587 unidades, o equivalente a 3% de todas as motocicletas fabricadas no Polo Industrial de Manaus.
Esse avanço expressivo acompanha o comportamento de um público exigente e de alto poder aquisitivo, que busca no segmento premium o estilo de vida custom ou estradeiro, movimentando fortemente o mercado e atraindo entusiastas que planejam comprar moto da harley davidson no RJ.
Por outro lado, o volume total do mercado nacional continua sendo amplamente dominado pelos modelos de baixa cilindrada, voltados para o uso massivo. Enquanto no mercado de automóveis o consumidor médio prioriza o conforto urbano de SUVs compactos bem-sucedidos como o Honda HR-V, no universo das duas rodas a prioridade absoluta permanece no baixo custo e na agilidade para o trânsito diário.
Foram produzidas 730.291 unidades de baixa potência, correspondendo a 78,3% do total. Já os modelos de média cilindrada responderam por 174.644 motocicletas, ou 18,7% da produção nacional.
O que está por trás do maior recorde de vendas da história do setor?
Além da produção em alta, o mercado também registrou recorde de emplacamentos. Nos primeiros cinco meses do ano foram licenciadas 980.095 motocicletas, crescimento de 15,3% sobre o mesmo período de 2025. Trata-se do melhor resultado já registrado para o intervalo de janeiro a maio.
Em maio, os emplacamentos somaram 197.731 unidades, avanço de 2,2% na comparação anual. Na comparação com abril, houve retração de 6,1%. Considerando os 20 dias úteis do mês, a média diária ficou em 9.887 motocicletas vendidas, reforçando o forte ritmo de demanda observado em todo o país.
As exportações também seguem em trajetória positiva. Entre janeiro e maio, as fabricantes brasileiras embarcaram 19.094 motocicletas para mercados internacionais, crescimento de 22,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Somente em maio foram exportadas 4.169 unidades, volume 23,4% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 19,7% acima do resultado obtido em abril.
Com as linhas de montagem operando em ritmo acelerado e os pátios com giro rápido, o setor de duas rodas entra na segunda metade do ano com a missão de manter o abastecimento da rede concessionária e gerenciar os gargalos logísticos globais que ainda afetam a distribuição de componentes eletrônicos. A expectativa da Abraciclo é que a estabilização das taxas de crédito e a busca contínua por alternativas econômicas de mobilidade urbana garantam sustentação para que a indústria feche o ano com novos patamares históricos de faturamento e volume produzido no Polo Industrial de Manaus.
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