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Bloqueio de R$ 34,3 milhões no orçamento da Aneel leva MPF a monitorar impactos na agência

Corte integra contingenciamento federal de R$ 8,3 bilhões e acende alerta sobre capacidade de fiscalização do setor elétrico
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Procedimento Administrativo para acompanhar os efeitos do contingenciamento orçamentário da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), após o Governo Federal bloquear R$ 34,3 milhões do orçamento da autarquia em maio de 2026. O valor representa cerca de 18% dos recursos discricionários da agência.

A medida integra um contingenciamento mais amplo anunciado pelo governo, que soma R$ 8,3 bilhões no setor de infraestrutura e atinge diferentes órgãos federais, com impacto direto sobre atividades operacionais, vistorias e ações de fiscalização.

A abertura do acompanhamento pelo MPF foi formalizada por meio da Portaria 3ª CCR nº 10, de 30 de junho de 2026, assinada pelo subprocurador-geral da República e coordenador da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão, Luiz Augusto Santos Lima.

Segundo o documento, o procedimento foi instaurado a partir de solicitação encaminhada por meio do Ofício nº 226/2024–DIR/ANEEL, que trata do monitoramento das providências relacionadas à regularização dos fluxos financeiros da agência diante da redução orçamentária.

O objetivo do MPF é acompanhar se as restrições impostas ao orçamento podem comprometer o funcionamento da Aneel, responsável pela regulação e fiscalização do setor elétrico no país, considerado estratégico para a prestação de serviços públicos essenciais.

Na portaria, o órgão ressalta que sua atuação constitucional inclui o dever de zelar pela efetividade dos serviços públicos e pela observância dos direitos garantidos na Constituição Federal, especialmente em áreas de infraestrutura e regulação.

O procedimento administrativo, previsto na Resolução nº 174/2017 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), tem natureza de acompanhamento institucional e pode subsidiar futuras medidas extrajudiciais ou judiciais, caso sejam identificados riscos ou prejuízos à atuação da agência reguladora.

A portaria determina a autuação do procedimento e sua publicação oficial, conforme normas internas do MPF e do CNMP.

A instauração do acompanhamento não aponta, neste momento, irregularidades, mas reforça a preocupação institucional com os efeitos do contingenciamento sobre a capacidade operacional da Aneel em um cenário de restrição orçamentária.

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