O mercado global de emagrecimento vive uma transformação significativa impulsionada pela popularização dos medicamentos injetáveis voltados ao controle de peso. Nos últimos anos, substâncias da classe dos agonistas de GLP-1 ganharam destaque mundial ao prometer resultados mais rápidos na redução de peso, alterando a forma como consumidores enxergam o processo de emagrecimento. Esse movimento também impulsionou um mercado bilionário. Estimativas indicam que o segmento global de medicamentos para perda de peso baseados em GLP-1 pode atingir US$ 48,8 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de cerca de 18,5%, refletindo o aumento da demanda por soluções voltadas ao controle do apetite e da saúde metabólica.
Ao mesmo tempo em que esses medicamentos ganharam popularidade, surgem discussões importantes sobre custo, acesso e sustentabilidade do tratamento, especialmente em países como o Brasil. Por aqui, tratamentos baseados nesses medicamentos podem custar entre R$ 1.300 e R$ 1.500 por mês, o que limita o acesso para grande parte da população e abre espaço para o crescimento de estratégias alternativas ou complementares.
Nesse cenário, especialistas e empresas do setor de wellness têm discutido um conceito que começa a ganhar força no mercado: o chamado emagrecimento híbrido. A ideia é combinar diferentes abordagens, como medicamentos, suplementação e reeducação alimentar, como forma de promover resultados mais consistentes e sustentáveis ao longo do tempo.
“O avanço dos medicamentos injetáveis mudou completamente a percepção das pessoas sobre emagrecimento. Antes, muita gente via o processo como algo longo e difícil. Com esses medicamentos, surgiu a sensação de que é possível emagrecer de forma muito mais rápida”, afirma Diego Mylher, CEO do Grupo MDT, ecossistema brasileiro de saúde, beleza e suplementação. “Ao mesmo tempo, o consumidor brasileiro passou a comparar custos. Hoje estamos falando de tratamentos que podem custar quase um salário mínimo por mês, o que não é acessível para grande parte da população. Isso fez crescer a busca por alternativas mais acessíveis ou complementares, como suplementação e ajustes nutricionais.”
Segundo o executivo, a ideia de um modelo híbrido parte justamente do reconhecimento de que nenhuma solução isolada resolve o problema de forma completa. Medicamentos podem ter papel importante no controle do apetite e na redução da ingestão calórica, mas não substituem fatores essenciais para um emagrecimento saudável, como qualidade da alimentação, equilíbrio nutricional e manutenção da massa muscular.
“Quando falamos em modelo híbrido, estamos falando de combinar diferentes estratégias de forma inteligente. Os medicamentos atuam muito bem no controle do apetite, mas isso não resolve automaticamente questões como qualidade da alimentação, manutenção de massa muscular ou saúde metabólica. A suplementação pode ajudar justamente nesses pontos, garantindo nutrientes, apoiando o metabolismo e ajudando a preservar massa magra. E a reeducação alimentar é o que sustenta o resultado no longo prazo”, explica Mylher.
A discussão também reflete uma mudança importante no comportamento do consumidor. Cada vez mais pessoas buscam soluções que não estejam focadas apenas na perda de peso rápida, mas que contribuam para energia, bem-estar e qualidade de vida. Esse movimento tem ampliado o interesse por suplementos voltados à saúde metabólica, ao controle de apetite e à manutenção de massa muscular durante processos de déficit calórico.
Nesse contexto, três frentes de suplementação tendem a ganhar relevância, segundo o Grupo MDT. A primeira envolve produtos voltados para saciedade e controle de apetite, que ajudam a organizar a alimentação ao longo do dia. A segunda diz respeito a proteínas e suplementos destinados à preservação de massa muscular, especialmente importantes quando há redução de calorias na dieta. Já a terceira frente inclui vitaminas, minerais e compostos associados ao suporte metabólico, que ajudam o organismo a funcionar melhor durante o processo de emagrecimento.
“Existe um público grande que não pretende usar medicamentos injetáveis, seja por custo, preferência pessoal ou orientação médica. Nesse caso, o caminho costuma envolver estratégias de controle de apetite, melhora do metabolismo e organização da alimentação”, afirma Mylher. “Hoje já existem protocolos de suplementação que custam algo em torno de R$ 200 a R$ 220 por mês. Por isso, a suplementação acaba sendo uma alternativa mais acessível para muitas pessoas que querem iniciar um processo de emagrecimento sem comprometer tanto o orçamento.”
Além da questão financeira, especialistas também alertam para erros comuns entre consumidores que apostam apenas em soluções rápidas. Um dos mais frequentes é a crença de que o medicamento, isoladamente, resolverá o problema do excesso de peso. Em muitos casos, a pessoa reduz drasticamente a ingestão de calorias, perde peso rapidamente, mas não altera hábitos alimentares ou estilo de vida, o que dificulta a manutenção do resultado no longo prazo.
“O principal erro é acreditar que o medicamento resolve tudo sozinho, quando o mais importante é mudar os hábitos que levam ao ganho de peso. Outro problema é a falta de atenção à composição corporal, porque em alguns casos a pessoa perde peso, mas também perde massa muscular, o que pode gerar flacidez, queda de energia e dificuldade para manter o resultado ao longo do tempo”, afirma o CEO do Grupo MDT.
Assim, a discussão sobre emagrecimento também passa por uma mudança de narrativa dentro do próprio setor de saúde e bem-estar. O foco exclusivo na balança começa a dar espaço para uma abordagem mais ampla, que considera fatores como metabolismo, composição corporal, energia e qualidade de vida.
“Hoje muitas pessoas não querem apenas emagrecer, elas querem melhorar energia, disposição, composição corporal e qualidade de vida. Isso muda completamente a lógica do desenvolvimento de produtos, porque a solução precisa ir além da balança e considerar saúde metabólica, bem-estar e manutenção de massa muscular”, afirma Mylher.
Apesar da expansão do mercado global de medicamentos para controle de peso, especialistas reforçam que o emagrecimento saudável continua dependendo de um conjunto de fatores.
“Em termos de custo-benefício, muitas vezes faz mais sentido pensar em estratégias que possam ser mantidas ao longo do tempo. Medicamentos podem ser uma ferramenta importante em determinados casos, mas não são a única opção. Protocolos que combinam alimentação equilibrada, atividade física, estratégias nutricionais consistentes e suplementação costumam ser mais sustentáveis financeiramente, especialmente quando falamos de um processo que pode durar meses ou anos”, conclui Mylher.
Para o mercado de saúde e bem-estar, a tendência para os próximos anos é fugir de soluções isoladas, pois o foco dos consumidores está cada vez mais em abordagens integradas, capazes de equilibrar resultado, segurança e qualidade de vida.






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