O Amazonas registrou 353 casos de violência sexual contra mulheres em 2025, segundo o relatório “Elas Vivem: a urgência da vida”, divulgado nesta sexta-feira (6) pela Rede de Observatórios da Segurança. O estado lidera o ranking entre as nove unidades da federação monitoradas, à frente de São Paulo (191) e Pará (123).
No total, foram contabilizados 961 casos de violência sexual nos nove estados analisados, que incluem Bahia (75), Ceará (26), Maranhão (23), Pernambuco (53), Piauí (53) e Rio de Janeiro (95). O estudo aponta que, em comparação com 2024, os registros saltaram de 602 para 961 casos, um crescimento de 59,6%, demonstrando a capilaridade da violência sexual em diferentes regiões do país.
Perfil das vítimas
No Amazonas, as vítimas são majoritariamente crianças e adolescentes. Dos 353 casos registrados, 78,4% envolveram meninas de 0 a 17 anos, das quais cinco eram indígenas. O relatório destaca que, apesar das operações policiais, os crimes sexuais continuam incidindo de forma sistemática sobre a infância feminina.
Outras formas de violência
Além da violência sexual, o estudo aponta aumento expressivo de outros tipos de violência contra mulheres. O Amazonas passou de 604 registros em 2024 para 1.023 em 2025, um crescimento de 69,4%, ficando atrás apenas de São Paulo (1.065). Entre os registros estão agressões físicas, tentativas de feminicídio, tortura, agressão verbal e cárcere privado.
No estado, ocorreram 383 tentativas de feminicídio, 165 casos de agressão verbal, 26 feminicídios, 28 homicídios de mulheres e 27 casos de cárcere privado. Em 367 ocorrências, os agressores eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.
“A esmagadora maioria das violências é cometida por cônjuges, ex-parceiros e familiares, motivadas por término de relacionamento, ciúmes ou conflitos interpessoais, evidenciando padrões possessivos sobre os corpos e vidas femininas”, afirma Flávia Melo, antropóloga e consultora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).
Números oficiais e a complexidade do problema
Embora os dados oficiais do Ministério da Justiça indiquem 26 feminicídios no Amazonas em 2025, pesquisadores alertam que outras classificações de mortes violentas de mulheres apontam 45 casos, ampliando a dimensão do problema.
Segundo a pesquisadora Tayná Boaes, analisar apenas os casos de feminicídio invisibiliza outras formas de violência não letais, mas profundamente enraizadas em relações desiguais de poder. “O discurso pautado exclusivamente no feminicídio tende a ocultar formas de violência sistemática contra mulheres”, afirma.
O relatório ressalta ainda que a produção e divulgação de dados é fundamental para compreender a violência de gênero e transformar os números em estratégias concretas de proteção às mulheres, além de políticas de prevenção e responsabilização dos agressores.
No total, os nove estados monitorados registraram 4.558 casos de violência contra mulheres, reforçando que o problema é estrutural e exige atenção contínua de autoridades e sociedade.







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