O Governo do Amazonas, comandado pelo governador Wilson Lima (União Brasil), pagou, somente nos três primeiros meses de 2026, mais de R$ 97,7 milhões à empresa Prover Promoção de Vendas Instituição de Pagamento Ltda. (Avancard), que possui vínculo operacional e contratual com o Banco Master S.A. para a operação de cartões de crédito consignado e antecipação salarial, especialmente voltada a servidores públicos e colaboradores de empresas conveniadas.
O valor pago foi distribuído para 44 órgãos do governo, entre secretarias, institutos e fundações, além da Casa Civil e de agência reguladora.
O montante do contrato, conforme informações do Portal da Transparência, soma mais de meio bilhão de reais (R$ 540.000.000,00), em pagamentos parcelados que chegam a R$ 45 milhões mensais.

A maior despesa, conforme o Portal da Transparência, está direcionada pela Secretaria de Estado da Assistência Social e Combate à Fome, no montante superior a R$ 88,2 milhões, referente a contratos de gerenciamento de cartão eletrônico – Auxílio Estadual.
A Avancard é utilizada pelo Governo do Amazonas para o pagamento do Auxílio Estadual, com valor atual de R$ 150 mensais destinados a famílias vulneráveis.
A Avancard também atua no Amazonas como cartão de adiantamento salarial para servidores públicos estaduais e colaboradores de empresas privadas, sem consulta ao SPC/Serasa, com dedução direta na folha de pagamento.
Confirmação
A relação comercial entre a Avancard e o Banco Master S.A. pode ser confirmada na Apelação Cível (n.º 0723816-13.2022.8.04.0001) no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, envolvendo uma ação revisional de contrato cumulada com pedido de indenização por danos morais.
A consumidora Sirrame Maquiné de Sá moveu uma ação contra o Banco Master e a Prover Promoção de Vendas devido a um contrato de empréstimo pessoal/consignado. Ela alegava que as taxas de juros eram abusivas e pedia a sua revisão, além de uma indenização por danos morais.
O juiz de primeiro grau deu razão parcial à consumidora, determinando a redução dos juros (de 6,35% para 1,33% ao mês), a devolução em dobro dos valores pagos a mais e o pagamento de R$ 10 mil de indenização por danos morais.
Parceria
A parceria entre a Avancard (Prover Promoção de Vendas) e o Governo do Amazonas está focada na administração, emissão e utilização de cartões de benefícios, especificamente no contexto do Auxílio Estadual e da antecipação salarial de servidores públicos.
A Avancard atua como um dos meios de gestão desses benefícios no estado, com atuação em diversos municípios e forte presença na rede de credenciados para compra de itens de alimentação e higiene.
A empresa, inscrita no CNPJ 20.308.187/0001-00, tem capital social de R$ 35 milhões, conforme informações da Receita Federal. A instituição tem como quadro de sócios os empresários Alberico Rodrigues da Silva, Felipe Padilha da Silva, José Luiz dos Santos Castelão e Carlos Fellipe de Andrade Nogueira.
Ponta do iceberg
A operação “Sine Consensu”, contra três servidores da Fundação Amazonprev, fundo de previdência dos servidores do Amazonas, é apenas a “ponta do iceberg” envolvendo o Banco Master S.A. no Amazonas e operações financeiras durante a gestão do governo Wilson Lima (União Brasil).
A investigação apura suspeitas de irregularidades em investimentos milionários feitos pela instituição. Auditoria do Ministério da Previdência Social identificou cinco operações suspeitas, entre elas a do Banco Master.
Governo silencia
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Comunicação respondeu, por meio de nota, com informações relacionadas à operação da Polícia Federal contra a Fundação Amazonprev.
Leia a nota na íntegra:
A Fundação Amazonprev informa que está colaborando com as investigações conduzidas pela Polícia Federal e permanece à disposição para prestar todas as informações solicitadas pelos órgãos competentes, com o objetivo de contribuir para o pleno esclarecimento dos fatos.
A Fundação Amazonprev ressalta que preza pela legalidade e responsabilidade, princípios que orientam permanentemente a atuação institucional e a conduta de seus servidores, e esclarece que, dos três alvos da operação deflagrada nesta sexta-feira (06/03), dois servidores pertencentes ao quadro efetivo do órgão já foram afastados de suas funções. O terceiro citado, que ocupava cargo em comissão, não integra mais os quadros da instituição desde 2024.
A instituição reforça que as aplicações não representam riscos para o pagamento dos benefícios de aposentados e pensionistas do estado, uma vez que o Fundo de Previdência do Amazonas (FPREV) apresenta superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão, atualmente com recursos acumulados de mais de R$ 11 bilhões. O saldo é suficiente para garantir o pagamento de todas as aposentadorias e pensões atuais e dos benefícios futuros dos servidores atualmente na ativa.
Órgão de controle
Procurado pela reportagem sobre a questão envolvendo o contrato do Governo do Amazonas com a Avancard, ligada ao Banco Master S.A., o Ministério Público do Estado do Amazonas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria.
Sem resposta
Procurado pela reportagem, o Avancard não respondeu aos questionamentos.
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