O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quarta-feira (22) a abertura de inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB) e o pai dele, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
A investigação teve origem em uma apreensão realizada pela Polícia Federal em maio de 2025, quando R$ 1,2 milhão em espécie foram encontrados com três empresários amazonenses no Aeroporto Internacional de Brasília. O dinheiro estava em uma mala identificada durante inspeção de rotina após o embarque em Manaus, com destino a Goiânia, em voo da LATAM Airlines.
Segundo a investigação, a bagagem chamou atenção no raio-x pelo volume elevado de cédulas. Ao ser aberta, foram encontradas centenas de notas de R$ 200. Os empresários foram presos em flagrante.
A Polícia Federal identificou vínculos entre os suspeitos e o deputado, além de seu pai, ao constatar que empresas ligadas ao grupo mantinham contratos com a Prefeitura de Coari. A principal linha de apuração é de que essas empresas teriam sido utilizadas em esquemas de fraude em licitações públicas.
Em dezembro de 2025, Adail Filho negou envolvimento com os empresários. À época, afirmou ter apenas cedido estrutura do gabinete em Brasília e apoio logístico a um dos investigados, a pedido de um vereador aliado, prática que disse adotar de forma recorrente.
O caso tramitava inicialmente na Justiça do Distrito Federal, mas foi remetido ao STF em razão do foro privilegiado do parlamentar.
Na decisão, Alexandre de Moraes aponta indícios de que Adail Filho e Adail Pinheiro seriam beneficiários do suposto esquema e determinou a apuração conjunta dos fatos, afastando o desmembramento do processo.
Transações sob suspeita
Ao autorizar a abertura do inquérito, o ministro destacou a “possível participação de parlamentar federal nas transações financeiras suspeitas”. De acordo com a decisão, documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos indicam a realização de repasses financeiros por empresas ligadas aos investigados em benefício do deputado e do prefeito.
Outro ponto ressaltado é o envio de recursos por meio de emendas parlamentares destinadas por Adail Filho à prefeitura administrada por seu pai, o que, segundo Moraes, demonstra conexão entre o exercício do mandato e os fatos investigados.
“Nesse sentido, verifico a relação dos fatos objeto da referida investigação com o exercício do mandato parlamentar”, afirma trecho da decisão, ao justificar a competência do STF para conduzir o caso.
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