A PF (Polícia Federal) citou conversas, em representação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, bancar diárias do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no hotel Park Hyatt New York, nos Estados Unidos.
Localizado em uma região central e privilegiada da cidade, as diárias da estadia podem custar até US$ 35 mil (cerca de R$ 172,4 mil) na alta temporada.
O valor diz respeito à suíte presidencial do hotel em taxa de alta temporada, no dia 20 de julho, para uma pessoa. Na baixa temporada, em outubro, essa mesma habitação pode ser reservada por um valor de US$ 15 mil (R$ 73 mil aproximadamente).
As investigações não apontam quanto foi gasto na hospedagem e nem dizem qual quarto Nogueira ficou. Porém, o valor mínimo da categoria mais baixa de quarto pode custar, aproximadamente, entre US$ 2.800 e US$ 4.011 (cerca de R$ 13,7 mil e R$ 19,7 mil, respectivamente) para uma pessoa, em alta temporada.
Já na baixa temporada, o hotel pode ter diárias por US$ 1.495 e US$ 1.895 (respectivamente, R$ 7.365 e R$ 9.336) na categoria mais baixa de quarto, para uma pessoa.
Os preços das reservas dos quartos são variáveis em dias diferentes de um mesmo mês. O hotel também cobra valores distintos em baixa e alta temporada. A CNN Brasil calculou datas de entrada e saída em julho, agosto e outubro por meio do site oficial da estadia.
Nas eleições de 2018, Nogueira declarou ter um patrimônio de R$ 23,3 milhões.
A CNN Brasil tenta contato com a assessoria do hotel para um posicionamento e aguarda retorno.
Entenda o caso
A PF mencionou conversas sobre o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, bancar restaurantes, cartão e viagem internacional a Nogueira em relatório enviado ao STF. O parlamentar foi alvo de uma nova fase da operação Compliance Zero nesta quinta-feira (7).
As investigações apontam que Ciro era “destinário central das vantagens indevidas” de Vorcaro por intermédio de uma pessoa jurídica.
Essas vantagens abrangiam disponibilização gratuita de imóvel de elevado padrão, por tempo indeterminado, e pagamento de hospedagens, deslocamentos e despesas inerentes a viagens internacionais de alto custo.
“Tais vantagens teriam compreendido hospedagens no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes de elevado padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante”, diz trecho da representação.
A PF diz também que o cartão teria sido disponibilizado para cobrir despesas pessoais de Ciro Nogueira. Em troca de mensagens entre Léo Serrano, apontado como intermediário das operações, e Vorcaro, o ex-banqueiro confirma a utilização do meio de pagamento.
Léo Serrano: “Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?”
Daniel Vorcaro: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.
Ainda há indícios, segundo a PF, de que o senador adquiriu uma participação societária, que valia R$ 13 milhões, pelo valor de R$ 1 milhão, além de receber mensalmente R$ 300 mil — segundo relatos, esse repasse chegou a R$ 500 mil. As movimentações teriam sido feitas por intermédio de uma pessoa jurídica.
A defesa de Ciro Nogueira encaminhou uma nota à CNN Brasil repudiando “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.”








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