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Merenda escolar de R$ 14,3 milhões em Iranduba levanta suspeitas de sobrepreço e concentração de gastos

Na análise dos preços, verifica-se que diversos produtos apresentam valores altos para itens básicos, apesar das compras em grande escala
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A Prefeitura de Iranduba (a 28 quilômetros de Manaus) resolveu esbanjar nas compras dos produtos da merenda escolar. Mas o que parece ser algo benéfico para os 17.473 alunos da rede municipal de ensino, segundo o Censo Escolar de 2025, ao que tudo indica mascara sobrepreço nos itens de alimentos e concentração de gastos, que ultrapassam mais de R$ 14,3 milhões.

Quando inclui-se creches, EJA (Educação de Jovens e Adultos) e Educação Especial, o valor anual da merenda, por estudante, seria de quase R$ 820.

Na Ata de Registro de Preços nº 006/2026, homologada pelo Poder Executivo Municipal no dia 26 de março, está previsto um gasto global de R$ 14.326.269,20. Este montante representa o limite total de contratações possíveis, durante a validade de 12 meses do documento, resultado do Pregão Eletrônico nº 004/2026. Parte dos recursos virá do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do governo federal, mas as despesas maiores precisarão sair dos cofres do município.

Empresas de Manaus (L.M.P Ramos Ltda, M.J.P Rodrigues Ltda, E.B Guedes, Yhes Ltda e Porto de Lenha Serviços de Comunicação Ltda) e de Iranduba (F. Franco Belém Ltda) serão os fornecedores dos gêneros alimentícios.

Na análise dos preços, verifica-se que diversos produtos apresentam valores altos para itens básicos, apesar das compras em grande escala.

Mesmo se considerar a logística no Amazonas, como transporte e armazenamento, parte dos preços informados na ata está acima do praticado no mercado. Um levantamento com base em valores cobrados no atacado e varejo, mostra que diversos produtos estão caros. É o caso do óleo de soja (caixa com 20 unidades), cotado a R$ 299,99, enquanto no mercado varia entre R$ 160 e R$ 220, podendo chegar a até 87% acima.

O café (fardo com 20 pacotes de 250g) aparece a R$ 545, frente a uma média de R$ 300 a R$ 400, diferença de até 80%. A bolacha cream cracker foi registrada a R$ 144,99 por caixa, enquanto costuma variar entre R$ 80 e R$ 110, também com sobrepreço que pode alcançar 80%.

Já o extrato de tomate (caixa com 30 unidades) foi fixado em R$ 120, acima da faixa de R$ 70 a R$ 90 praticada no mercado, com diferença de até 70%. A carne bovina moída (picadinho), em R$ 45/kg, está na faixa superior de preço, enquanto o peito de frango, a R$ 16,65/kg, também ultrapassa valores comuns de atacado.

Maiores gastos com pães, carnes, polpas e leite

O volume de compras na ata revela a dimensão dos gastos. Os pães somam mais de 725 mil unidades, com despesas que ultrapassam R$ 835 mil considerando diferentes categorias (massa fina, massa grossa e bisnaguinha caseiro).

As carnes bovinas (moída, bucho, fígado e sem osso) e de frango (peito com osso, coxa e sobrecoxa sem dorso) aparecem como um dos principais itens da ata: são mais de 73.830 unidades, com custo maior que R$ 5,3 milhões.

As polpas de frutas também têm participação expressiva, com contratos que ultrapassam R$ 1,8 milhão. Outro item que passa essa faixa de valor é o leite em pó integral, com uma despesa de mais de R$ 1,9 milhão, o que indica forte concentração de recursos em alguns grupos de produtos.

Vale lembrar que a Ata de Registro de Preços serve para formalizar valores de produtos e definir os fornecedores e condições para compras futuras. Isso não obriga a Prefeitura de Iranduba a comprar tudo de uma vez, mas conforme a necessidade da administração.

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