O acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã depende da aprovação do governo de Donald Trump para liberar US$ 24 bilhões (equivalente a cerca de R$ 122 bilhões) em ativos iranianos congelados, disse uma autoridade do Irã à CNN nesta sexta-feira (5).
“As negociações estão em um impasse e (o presidente dos EUA, Donald) Trump precisa romper esse impasse”, disse Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, à CNN em uma entrevista exclusiva em Teerã.
“A decisão está nas mãos de Trump”, adicionou, alertando que os EUA “entrariam em um corredor escuro” caso retomassem os combates.
Segundo relatos, o Irã exigiu a liberação de US$ 12 bilhões (equivalente a cerca de R$ 61 bilhões) em fundos congelados assim que um acordo provisório for assinado com os EUA, e outros US$ 12 bilhões em um estágio posterior.
Autoridades americanas temem que qualquer descongelamento de fundos neste momento possa remover um importante ponto de pressão sobre o regime.
Trump exigiu que qualquer entendimento fosse muito mais robusto do que o acordo nuclear firmado em 2015 e que se evitasse qualquer coisa que pudesse ser interpretada como a entrega de “montanhas de dinheiro”, uma expressão que ele usou para criticar a decisão do então presidente Barack Obama de conceder compensação financeira a Teerã.
Suas declarações têm peso porque ele permanece intimamente ligado ao aparato de segurança iraniano e é amplamente visto como próximo ao atual líder supremo, que não fez aparições públicas desde que foi ferido em um ataque israelense que matou o pai dele no primeiro dia da guerra.
Parte da velha guarda da Guarda Revolucionária Islâmica, Rezaei lutou na guerra Irã-Iraque e liderou a força de 1981 a 1997, ajudando-a a se tornar uma das instituições mais poderosas da República Islâmica.
Um pragmático linha-dura profundamente enraizado no aparato de segurança do Irã, ele posteriormente ingressou no Conselho de Discernimento do Interesse Público, que assessora o líder supremo, e atuou como vice-presidente sob o ex-presidente Ebrahim Raisi. Rezaei também concorreu à presidência quatro vezes, mas nunca venceu.
Liberação de ativos iranianos congelados
Mohsen Rezaei apresentou a exigência de liberação de ativos como uma medida para construir confiança, dizendo que isso seria “um novo horizonte para o futuro” do Irã e dos Estados Unidos.
“Se ele (Trump) quer chegar a um acordo com o Irã, esses US$ 24 bilhões são um teste de confiança que o Irã quer ter com Trump – este é um teste que os Estados Unidos devem passar e o caminho será aberto”, disse ele.
“Este é o nosso próprio dinheiro, não o dinheiro dos Estados Unidos”, adicionou.
Aviso contra o retorno à guerra
Rezaei alertou ainda que o Irã “arrastará a guerra” para além do Golfo Pérsico se os EUA retomarem o conflito, potencialmente expandindo as operações militares do Estreito de Ormuz para o Oceano Índico, o Estreito de Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo.
“Daremos outra dimensão à guerra atacando essas outras bases americanas que temos atacado até agora”, disse ele, acrescentando que “a possibilidade de guerra é baixa”.
Possível encontro entre Trump e Khamenei
O conselheiro não respondeu a uma pergunta sobre a saúde de Khamenei e seu papel na tomada de decisões do país, mas rejeitou as perspectivas de um encontro com Trump.
“Isso não acontecerá, agora estamos na primeira fase das negociações e o Sr. Trump paralisou as negociações. Isso não acontecerá”, pontuou.
Nesta semana, Trump disse que ele e Khamenei “parecem estar se dando bem” e que seria uma “honra” encontrá-lo.
Reivindicação de soberania sobre o Estreito de Ormuz
Rezaei afirmou que o Irã e Omã detêm a soberania sobre o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra, e, portanto, a administrarão em conjunto.
Ele não classificou a cobrança de taxas de passagem de navios no estreito como um pedágio, dizendo que o Irã cobraria uma taxa de manutenção, já que não deveria arcar com o custo da administração do estreito.
Dúvidas sobre acordo nuclear
Em sua entrevista à CNN, o conselheiro expressou dúvidas sobre a durabilidade de um acordo nuclear com Trump, citando sua retirada do pacto com o Irã de 2015 e o que ele chamou de estratégia de “ambiguidade” nas negociações.
Caso as negociações fracassem, Rezaei afirmou que o Irã está preparado para uma possível invasão americana de seu território. “O mundo entenderá as verdadeiras capacidades do Irã, porque nosso poderio terrestre é muitas vezes maior que nossos mísseis”, ressaltou.
Ele descreveu a guerra atual como o primeiro triunfo do Irã contra seus inimigos nos 47 anos de história da República Islâmica.
“Esta é a primeira vez que o Irã sai vitorioso de uma guerra, enquanto em guerras anteriores o Irã sempre foi derrotado”, disse ele.







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