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Governo muda discurso e vê aval de Trump em medidas contra Brasil

Planalto também avalia que EUA não devem recuar sobre decisão de facções e trabalho forçado, mas acredita que GT do tarifaço pode evitar sobretaxa de 25%
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Foto: Ricardo Stuckert/P

Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da SIlva (PT) mudaram o tom e avaliam, agora, que as novas propostas de tarifas aos produtos brasileiros e a classificação das facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas tiveram, sim, o aval do presidente Donald Trump.

Os Estados Unidos anunciaram três medidas sobre o Brasil na última semana:

A primeira foi anunciada na última quinta-feira (28), quando o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Comando Vermelho e o PCC como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. O comunicado foi assinado pelo secretário Marco Rubio.

Na segunda-feira (1°), o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”. O órgão é liderado pelo embaixador Jamieson Greer.

Na terça-feira (2), o USTR propôs uma nova tarifa: uma sobretaxa de 10% a 12,5% sobre produtos do Brasil e de outras 59 economias que teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado.

Antes, a avaliação do Planalto era de que havia uma ala do Departamento de Estado, incluindo Rubio e Greer, que atuava contra o governo brasileiro e nem sempre as decisões desfavoráveis ao Brasil passavem pela Casa Branca.

A classificação das facções foi assinada por Marco Rubio, considerado um “latino-americano frustrado” pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já as tarifas foi uma decisão do embaixador Jamieson Greer. Apesar disso, a avaliação do Planalto é que Donal Trump deu o aval para essas três medidas.

Auxiliares do presidente ainda estão estudando o envio de uma carta ou telefonema de Lula a Trump. Antes, o governo segue apostando nas tratativas em nível técnico. O governo trabalha com a data de 15 de julho, quando as tarifas propostas pelo USTR têm prazo para começar a ser aplicadas.

O Planalto, porém, descarta a possibilidade de um recuo dos Estados Unidos em relação à classificação das facções como grupos terroristas e na taxa de até 12,5% contra o trabalho forçado. Todavia, integrantes do Executivo acreditam que o grupo de trabalho criado para discutir o tema pode evitar a sobretaxa de 25%.

A gestão Lula ainda espera a confirmação de uma reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias Rosa, e o chefe do USTR, Jamieson Greer.

Nesta quarta-feira, Greer se encontrou com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Paris, em meio às reuniões ministeriais da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Segundo relato, o chanceler ouviu do americano que há disposição em “continuar dialogando” com o Brasil em torno da possível aplicação de tarifas pelos Estados Unidos.

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