O Ibovespa retomou o fôlego e renovou a máxima intradia, acima de 197 mil pontos, nesta segunda-feira (13). Ao mesmo tempo, o dólar atingiu R$ 4,98, menor cotação desde abril de 2024, após Donald Trump afirmar que o Irã quer fazer um acordo e que ele não aceitará nenhum acordo que permita que Teerã tenha uma arma nuclear.
Mais cedo, os agentes financeiros repercutiram o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana, o que fez o preço do petróleo disparar no mercado internacional.
Por volta das 16h, o Ibovespa subia 0,29%, aos 197.893,43 pontos.
No mesmo horário, o dólar à vista caía 0,11%, cotado a R$ 4,99 na venda.
O dólar perdeu força no Brasil e virou para o território negativo, passando a ser negociado abaixo dos R$ 5,00 durante a tarde.
Os investidores se apegaram à esperança de um acordo, o que fez os ativos brasileiros ganharem força, incluindo o real em relação ao dólar. No exterior, a moeda norte-americana também exibia perdas ante boa parte das demais divisas de países emergentes.
“A despeito… do começo de dia ruim, bolsa para baixo e dólar para cima, o mercado deu uma bela virada em linha com Trump”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.
Já o Ibovespa vinha de nove pregões seguidos fechando com sinal positivo, sendo que na última sexta-feira encerrou acima dos 197 mil pontos pela primeira vez.
Autoridades dos EUA e do Irã não chegaram a um acordo em conversas do fim de semana em Islamabad, no Paquistão, que buscavam encontrar um caminho para encerrar uma guerra que começou no final de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Na sequência, Trump disse que a Marinha dos EUA deve começar a bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa normalmente um quinto do petróleo do mundo, colocando em risco um frágil cessar-fogo de duas semanas. Os preços do barril do petróleo voltaram ao patamar de US$ 100 após falas do presidente norte-americano.
De acordo com analistas do BB Investimentos, as expectativas em torno de um cessar-fogo seguido de negociações para o fim do conflito no Oriente Médio aqueceram os mercados e fizeram o Ibovespa renovar seu recorde histórico na semana passada.
“Esse desempenho desloca os próximos objetivos de alta do índice para regiões acima dos 200 mil pontos caso o Ibovespa consiga superar essa barreira”, afirmaram em análise técnica semanal do índice enviada a clientes.
“No entanto, a volatilidade deve seguir acentuada, visto que as notícias mais recentes dão conta do fechamento do Estreito de Ormuz depois do insucesso para obtenção de um acordo para o fim do conflito. Nesse caso, o cenário de realização do Ibovespa prevê suportes em 194 mil pontos, em 192,6 mil pontos — topo de fevereiro — e 190 mil pontos.”
No cenário doméstico, o mercado financeiro aumentou a projeção para a inflação do país para 4,71% nessa semana, de acordo com dados do Boletim Focus. A alta é a 5ª consecutiva desde o início de 2026.
Boletim Focus
O mercado financeiro aumentou a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação do país, em 0,35 p.p. (ponto percentual), para 4,71% nessa semana. A alta é a 5ª consecutiva desde o início de 2026.
A informação, que foi divulgada pelo relatório Focus do BC (Banco Central) nesta segunda-feira (13), superou o teto da meta em meio às preocupações decorrentes da guerra no Oriente Médio, de acordo com a pesquisa divulgada pela instituição, embora não tenha havido mudança na perspectiva para os juros ao final do ano.
Para 2027 e 2028, a estimativa subiu para 3,91% e se manteve em 3,60%, respectivamente, de acordo com a divulgação.
Nessa semana, o realtório também baixou a expectativa para o preço do Câmbio, na publicação o mercado apurou que a moeda deve encerrar o ano em R$ 5,37. Nos proximos dois anos, a projeção também apresentou queda para R$ 5,40 e R$ 5,46, nessa ordem.
Enquanto isso, as projeções para o crescimento interno do país e para a taxa básica de juros ficaram alinhadas com as expectativas divulgadas na última semana. Para o mercado, o PIB (Produto Interno Bruto) e a Selic devem encerrar 2026 em um patamar de 1,85% e 12,50%, respectivamente.






Envie seu comentário