Dados da ABRAPE mostram recorde histórico para o primeiro bimestre de 2026, e especialistas apontam que o campeonato potencializa ações presenciais, híbridas e de relacionamento em setores como bebidas, varejo e serviços financeiros
Com base em relatórios da FIFA, a Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar um dos maiores ciclos de investimento em eventos e ativações da história, favorecido pela expansão para 48 seleções e pela expectativa de mais de US$ 10 bilhões em receitas globais.
As projeções indicam que o patrocínio deve superar US$ 2,8 bilhões e os direitos de transmissão, US$ 4,2 bilhões. Já um estudo oficial da entidade aponta cerca de US$ 13,9 bilhões em gastos diretos ligados ao evento, incluindo turismo, hospitalidade e ativações, além de um impacto econômico global estimado em até US$ 80 bilhões (FIFA, estudo de impacto econômico, 2025).
Para Evandro Monteiro, CEO da Origami Marketing e Eventos, em anos de Copa do Mundo da FIFA, o mercado de eventos ganha um fôlego adicional, e o aumento de investimentos por parte das empresas se explica por uma combinação rara de fatores. “Durante a Copa, a atenção do público se concentra como em poucos outros momentos, com audiências massivas e altamente engajadas. Ao mesmo tempo, o componente emocional do futebol encurta a distância entre marcas e consumidores, influenciando diretamente decisões de consumo. Soma-se a isso o comportamento coletivo, com jogos assistidos em grupo, encontros e celebrações, que impulsiona a demanda por eventos, ativações e experiências compartilhadas”, diz.
Na prática, grandes marcas já utilizam o torneio como plataforma global de relacionamento, engajamento e posicionamento. A Budweiser, por exemplo, patrocinadora oficial da Copa de 2022, no Catar, transformou o campeonato em uma operação global de engajamento. A marca investiu em fan zones, eventos simultâneos em diferentes países e ativações com influenciadores. Mesmo diante das restrições à venda de álcool nos estádios do Catar, a empresa redirecionou sua estratégia para experiências fora das arenas, criando espaços de convivência e transmissão que ampliaram o tempo de interação com o público e geraram milhões de interações digitais.
No Brasil, a Heineken apostou em ativações premium e relacionamento. A marca promoveu eventos exclusivos para clientes e parceiros, além de experiências abertas ao público em grandes capitais, combinando transmissões em ambientes diferenciados, encontros corporativos e integração com campanhas digitais.
Já o Itaú Unibanco utiliza o futebol como plataforma de comunicação de longo prazo. Em períodos de Copa, intensifica ações presenciais, eventos proprietários e experiências para clientes, conectando emoção e serviços financeiros para fortalecer o vínculo com diferentes públicos.
“Ciclos como o da Copa do Mundo aceleram a conexão entre marcas e público. Os jogos duram apenas 90 minutos, mas uma experiência bem executada pode gerar impacto por anos. Por isso, é fundamental aproveitar esse momento para investir em estratégias capazes de criar conexões reais, fortalecer relacionamento e gerar resultados concretos para o negócio”, afirma Evandro Monteiro.
Dados da FIFA indicam que a edição de 2022, no Catar, alcançou mais de 5 bilhões de pessoas globalmente, considerando diferentes plataformas. No Brasil, país historicamente conectado ao futebol, esse impacto se traduz diretamente no comportamento de consumo, nas estratégias de marketing e na movimentação econômica gerada em torno do evento.
“O Brasil reúne características que potencializam esse movimento, como alta afinidade cultural com o futebol, forte presença de grandes marcas globais e um mercado de eventos robusto”, destaca Monteiro.
Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o setor de eventos e entretenimento movimentou R$ 25,33 bilhões apenas no primeiro bimestre de 2026. Em períodos de Copa do Mundo, essa engrenagem ganha ainda mais velocidade, movimentando desde grandes produtoras até fornecedores locais.
Entre os setores que mais movimentam a economia estão bebidas, varejo, tecnologia e serviços financeiros. Durante o Mundial de 2022, por exemplo, bares e restaurantes brasileiros registraram aumento de cerca de 30% no faturamento na primeira semana dos jogos, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), impulsionados por confraternizações, ações corporativas ligadas ao torneio e transmissões públicas das partidas.
“Também ganham força as experiências exclusivas, especialmente voltadas à fidelização de clientes premium, com ações desenhadas para oferecer diferenciação e proximidade. Essa combinação amplia o impacto das iniciativas e prolonga seus efeitos para além do momento do evento”, complementa o CEO da Origami.
TECNOLOGIA
Para este e para os próximos ciclos, o especialista avalia que as ações voltadas à geração de conexão entre marcas e público devem ganhar ainda mais força com o avanço da tecnologia.
“A tendência para as próximas Copas do Mundo é de eventos cada vez mais integrados à tecnologia, dados e personalização. O uso de inteligência artificial, plataformas digitais e análise de comportamento permite compreender melhor o público, ajustar experiências em tempo real e direcionar ações mais personalizadas e individualizadas, com maior precisão e potencial de retorno para as marcas”, afirma.
Esse movimento ganha importância porque outro ponto relevante é a transformação do papel dos eventos, que deixam de funcionar apenas como espaços de exposição de marcas e passam a atuar como plataformas híbridas de negócios. Na prática, isso significa reunir, em um mesmo ambiente, relacionamento, geração de oportunidades comerciais e estratégias digitais integradas.
Com apoio de tecnologias como inteligência artificial, análise de dados e plataformas de interação em tempo real, os eventos passam a gerar conexões mais qualificadas e, além disso, novas possibilidades de conversão e fidelização antes, durante e após os encontros presenciais.
“Se antes os eventos eram planejados principalmente para dar visibilidade às marcas, hoje eles são avaliados com muito mais rigor”, explica o CEO da Origami Marketing e Eventos. “Nesse cenário econômico mais desafiador, as empresas buscam garantir retorno concreto sobre o investimento (ROI), integrar os eventos a outros canais, como digital e CRM, e medir com mais precisão os resultados gerados, como engajamento, geração de leads e impacto nos negócios”, conclui.
No cenário global, o marketing experiencial deve alcançar US$ 71,22 bilhões até 2035, segundo o Business Research Insights.







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