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Dia a Dia

Com 62% da floresta, Brasil responde por 80% de todo o desmate na Amazônia

Cada hectare de terra equivale a 10 mil m².
Imagem: Victor Moriyama/Amazônia em Chamas

Brasil respondeu por 80% do desmatamento da Amazônia nos últimos 37 anos, com uma perda de 60 milhões de hectares de floresta nativa entre 1985 e 2021. Cada hectare de terra equivale a 10 mil m².

O resultado faz parte de um levantamento feito pela MapBiomas, uma iniciativa do Observatório do Clima e desenvolvida por uma rede que tem universidades, ONGs e empresas de tecnologia para mapear a cobertura e o uso da terra do Brasil. A apresentação dos dados pelos pesquisadores pode ser assistida clicando aqui.

O relatório aponta que houve uma perda de quase 10% da vegetação natural de toda a Amazônia nesses 37 anos, elevando o percentual de destruição da floresta natural para 15% (eram 6% em 1985).

“Entre 1985 e 2021, a perda de vegetação natural foi de 75 milhões de hectares, das quais 96% corresponde à perda de florestas naturais. A magnitude da destruição varia de um país para outro: no Suriname, na Guiana e na Guiana Francesa é de apenas 1,6%, mas no Brasil chega a 19%”, diz o estudo.

O bioma amazônico passa por nove países sul-americanos. O Brasil detém 61,9% dos 844 milhões de hectares totais. Segundo o mapeamento, nesses 37 anos, a Amazônia perdeu 72 milhões de hectares de floresta nativa.

Arraste com o mouse para ver a mudança na Amazônia entre 1985 e 2021

 

 

Perda de floresta por país desde 1985

  • Brasil – 60,3 milhões de hectares
  • Bolívia – 5,2 milhões de hectares
  • Peru – 2,7 milhões de hectares
  • Colômbia – 2,4 milhões de hectares
  • Venezuela – 0,7 milhão de hectares
  • Equador – 0,5 milhão de hectares
  • Guianas e Suriname – menos de 0,1 milhão de hectares

Segundo o relatório, em 37 anos, a parte brasileira da Amazônia perdeu 14% de suas florestas. O uso da terra pelo setor agropecuário se expandiu em 170%.

No lado brasileiro, a MapBiomas estimou que em 2021 existiam 98,4 milhões de hectares sendo usados pelo homem, sendo 97,6 milhões para atividades agropecuárias e silviculturais.

“Já a mineração passou de 31 mil hectares para 270 mil em 37 anos, um aumento de 766%”, completa.

Gado em área desmatada da Amazônia perto de Porto Velho, em Rondônia - Ueslei Marcelino/Reuters - Ueslei Marcelino/Reuters
Gado em área desmatada da Amazônia perto de Porto Velho, em Rondônia

Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Brasil, de exemplo a destruidor

Adriana Ramos, da equipe MapBiomas Amazônia, afirma que o levantamento cita que, durante esses 37 anos, o Brasil foi exemplo ao ser o país que mais reduziu desmatamentos. “Isso ocorreu graças a um plano de prevenção e controle que reforçou a aplicação da legislação e o combate às ilegalidades”, diz.

“Ainda assim, a taxa final reflete muitas políticas de estímulo a vetores de desmatamento que foram implementadas na região, principalmente a ampliação da fronteira agrícola pela soja e pelo gado e a infraestrutura de estradas”, completa.

Para ela, porém, nos últimos anos a Amazônia foi “alvo de uma política deliberada de descontrole e estímulo ao garimpo que fez aumentar o desmatamento dentro de áreas protegidas e terras indígenas”.

Nos quatro anos de governo Jair Bolsonaro (PL), dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) têm apontado aumento expressivo em queimadas e desmatamento, chamando a atenção de entidades e pesquisadores para os riscos causados pela destruição da Amazônia.

Vista de savana amazônica queimada na região de Ponta das Pedras, no Pará - Rubens Chaves/Folhapress - Rubens Chaves/Folhapress
Vista de savana amazônica queimada na região de Ponta das Pedras, no Pará

Imagem: Rubens Chaves/Folhapress

Desmatamento avança pela América do Sul

Segundo Cícero Augusto, também da equipe MapBiomas Amazônia, o aumento das áreas desmatadas teve como principal motor o uso das terras para agropecuária. “Houve um aumento significativo de modo geral e em todos os países. A tendência de todos é aumento crescente”, diz

Ele vê com preocupação os patamares alcançados pela perda de formação vegetal natural e teme que a Amazônia chegue a um índice de destruição que não seja possível reverter.

“Qualquer sistema florestal com perda de árvores e seus ecossistemas pode alcançar um ponto em que não consegue mais se recuperar. Algo precisa ser feito para essa realidade ser mudada. Isso vai ocorrer se não tivermos consciência ambiental e políticas públicas”, explica.

Ele afirma que não há um percentual exato para cravar sobre qual seria esse ponto de não retorno, mas diz que os 19% de desmatamento alcançados pelo Brasil, por exemplo, é um patamar muito alto.

“Os especialistas falam que esse percentual ocorrerá se passar de 25% de perda. Não sabemos o tempo que levaria [para ser alcançado], mas isso é grave. Essa ação tem de ser freada em todos os países”, diz.

A visão que tenho é que faltou, nos últimos anos, uma política mais acirrada contra essa perda de floresta no Brasil. O país deveria ter um papel mais incisivo, deveria ter olhado com mais cuidado.”Cícero Augusto, da MapBiomas Amazônia

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